Telecomunicações

Incêndios. Altice investe 20 milhões na reposição da infraestrutura

Alexandre Fonseca, presidente da Altice Portugal (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
Alexandre Fonseca, presidente da Altice Portugal (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Altice substituiu 35% da rede cobre destruída por fibra. Só "algumas dezenas" de clientes não tem serviço reposto porque marcou agendamento mais tarde

“Investimos 20 milhões de euros em infraestrutura a que temos de somar o trabalho e os esforços dos nossos trabalhadores”, anunciou Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal.

A operadora de telecomunicações viu a sua infraestrutura fortemente afetada nos incêndios de junho e outubro do ano passado. Os números da empresa são expressivos. Nos mais de 36 concelhos afetados, resultando em 442 mil hectares de área queimada, a Altice Portugal viu arder 5 mil quilómetros de cabo e de fibra, mais de 45 mil postes, 456 áreas de central (cerca de 25% do total de país), além de sites da rede móvel e TDT que se perderam nas chamas.

Após a “maior mobilização” de meios e pessoal técnico da companhia, nos anos mais recentes, diz Luís Alvarinho, CTO da Altice Portugal, com cerca de 1500 trabalhadores envolvidos nos trabalhos, a operadora diz já ter reposta a rede e o serviço ao mais de meio milhão de clientes atingidos. Apenas “algumas dezenas [ainda não têm serviço reposto]”, admite Alexandre Fonseca. Mas trata-se de clientes que ou deram indicação de não querer renovar serviço com a companhia ou que pediram no agendamento dos serviços que os mesmos fossem feitos em julho, agosto e setembro, altura em que estão disponíveis, explica o CEO.

Na sede da Altice, em Picoas, há uma exposição fotográfica que documenta o trabalho de reposição da infraestrutura afetada pelos incêndios

Na sede da Altice, em Picoas, há uma exposição fotográfica que documenta o trabalho de reposição da infraestrutura afetada pelos incêndios

Alexandre Fonseca critica os números avançados em abril pela Anacom, que dava conta de que cerca de mil clientes nas zonas abrangidas ainda não tinham os serviços repostos, sem explicar as razões por trás dessa dificuldade. Ponto de situação que a Altice dá conhecimento “semanalmente” ao regulador.

35% da rede cobre que ardeu nos incêndios de junho e outubro foi substituída por rede fibra

O CEO da Altice Portugal também não poupou críticas ao prestador do serviço universal de telecomunicações, a NOS. A concorrente “tem responsabilidades de prestador de serviço universal e que durante meses a fio não foi visto no teatro de operações e que depois veio dizer que os seus dois clientes não foram afetados”, afirma. Mais, lembrou, por essa prestação de serviço a NOS recebe 2,5 milhões de euros por ano do Estado. O serviço universal é pago através de um fundo de compensação, para o qual contribui cada operador.

A reposição da rede permitiu à Altice Portugal fazer um upgrade para fibra ótica. Neste momento, “35% da rede é [de fibra ótica], o que significa que 30 concelhos e mil quilómetros foram substituídos do cobre para fibra ótica”, clarifica o responsável.

A operadora tinha anunciado em outubro passado um acordo com a Infraestruturas de Portugal (IP) para a utilização das suas condutas, mas só “há duas semanas” foi fechado o contrato com este organismo que vai permitir fazer o enterramento da rede da Altice em zonas de risco elevado de incêndios.

Plano de expansão de fibra mantém-se dentro do cronograma. Até ao final do ano Altice conta ter 4,5 milhões de lares ligados

“O acordo que existe é de mil quilómetros em três anos. Estamos na fase final de enterramento de 265 quilómetros na zona do Pinhal Interior”, revela Alexandre Fonseca. Quanto mais vai ser feito este ano e em que zonas ainda está a ser avaliado pela empresa, mas regiões como Douro, Beira Interior e Algarve serão objeto deste acordo.

A destruição da rede da Altice durante os incêndios, com a consequente alocação de meios técnicos e financeiros para a sua reposição não impactou no ritmo de expansão da rede da Altice que tem como objetivo até 2020 ligar 5,3 milhões de lares portugueses com fibra da companhia. “Não perturbou. Estamos em linha com o plano”, assegura. Neste momento, diz, a empresa tem 4,3 milhões de lares ligados com fibra. “Até ao final do ano serão serão 4,5 milhões”, diz. “Continuamos à frente [em termos de cronograma] do que era o nosso plano de até 2020 ligar 5,3 milhões de lares”.

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