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Incerteza do brexit afeta uma em cada quatro empresas europeias

REUTERS/Henry Nicholls/File Photo
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Apesar da atual incerteza em torno do brexit ser um grande desafio para as empresas europeias, quase metade das empresas acreditam que a saída definitiva do Reino Unido da UE será positiva para os negócios, de acordo com um novo relatório da boutique de consultoria financeira Clearwater International.

O estudo realizado em mais de 2.100 empresas europeias nas principais economias da Europa Ocidental revelou que a ansiedade do brexit está presente em todo o espaço europeu, com 23,9% de todas as empresas a destacarem-na como estando entre os três principais desafios que a sua atividade enfrenta.

Não surpreendentemente, a ansiedade sobre o brexit está mais presente no Reino Unido, com 34% das empresas pesquisadas a considerarem que é um dos maiores desafios que enfrentam. Depois do Reino Unido, as preocupações relacionadas com o brexit são as mais elevadas em três dos seus principais parceiros comerciais europeus: República da Irlanda (27% dizem que é um grande desafio); Alemanha (26,8%); e, Espanha (26%).

Embora as empresas de outros países europeus estejam menos preocupadas com a incerteza do brexit, a questão é, ainda assim, significativa em: 18,4% das empresas francesas; 19% das portuguesas; 16% das dinamarquesas; e 12% das empresas italianas.

No entanto, embora a antecipação e a preparação para o brexit sejam uma questão a curto prazo, particularmente porque ainda subsistem dúvidas sobre a data de saída efetiva, 46,5% das empresas europeias do estudo estão muito mais otimistas quanto ao sucesso da sua atividade após o brexit, incluindo 51% das empresas britânicas.

Rui Miranda, Partner da Clearwater International, Portugal, afirmou: “Parece que as empresas em geral estão bastante confiantes sobre o seu sucesso a longo prazo. Esta pesquisa sugere que têm uma visão pragmática sobre a saída do Reino Unido e estão conscientes de que têm de se adaptar, como fariam com qualquer outro desafio, e procurar novas oportunidades de negócio.

“Mas a curto prazo, antecipar o impacto do brexit representa um desafio significativo para muitas empresas. Compreensivelmente, a questão está ligada à incerteza em torno do timing, e de se será uma saída sem acordo, o que poderia ser particularmente perturbador para as empresas em Portugal, uma vez que o Reino Unido é o nosso quarto maior parceiro comercial.

“As empresas com que falámos desejam uma clarificação do brexit, nomeadamente do seu impacto potencial na forma como fazem negócios e sobre as mudanças que precisarão de fazer no futuro.

“Embora os efeitos a médio prazo do brexit sejam suscetíveis de se desvanecer com o decorrer do tempo, as empresas estão justamente preocupadas com o impacto a curto prazo no seu crescimento, nas exportações e até mesmo nos custos de financiamento.”

Quando questionado sobre o impacto que o brexit teria a longo prazo no seu negócio, mais de metade (51,2%) das empresas do Reino Unido questionadas disse que teria um impacto “positivo” ou “muito positivo”, em comparação com 29,2% que pensam que seria “negativo” ou “muito negativo”.

Este padrão foi replicado em toda a Europa, com cerca de 62% das PME irlandesas a acreditar que o brexit será positivo para os seus negócios, em comparação com apenas 29,2% que acreditam que será negativo.

Do mesmo modo, 54,4% das empresas francesas e 58,8% das empresas alemãs no estudo acreditam que o brexit será, em última análise, positivo para os seus negócios, enquanto 42% das PME italianas e 38% das PME espanholas e dinamarquesas pensam o mesmo.

As empresas portuguesas são, de longe, as mais pessimistas sobre os efeitos a longo prazo do brexit, com 37% dizendo que terá um efeito “negativo” ou “muito negativo”.

Globalmente, em todos os países inquiridos, 46,5% das empresas pensam que o brexit será positivo, em comparação com 23,8% que disseram que irá impactar negativamente, enquanto um quarto disse que não espera qualquer impacto.

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