Indústria adapta-se

Infarmed certificou mais de 100 empresas por mês com produtos contra covid-19

A GOUCAM é uma das empresas que se adaptaram para produzir máscaras e batas cirúrgicas e foram certificadas pelo Infarmed. (NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA)
A GOUCAM é uma das empresas que se adaptaram para produzir máscaras e batas cirúrgicas e foram certificadas pelo Infarmed. (NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA)

Desde março, mais de mil produtos nascidos da transformação da indústria para responder à urgência da covid foram testados e registados.

Mais de 200 pedidos por mês, representando um total de 1060 registos individuais de produtos. Contas feitas, é o saldo de contactos que o Infarmed recebeu desde março de um total de 536 empresas que queriam ajudar na luta contra o coronavírus, transformando as suas indústrias de forma a garantir que aos hospitais e à sociedade em geral não faltava o equipamento que subitamente se tornou vital. E como é que tudo isto aconteceu? Graças ao esforço de uma série de organizações, empresas, universidades e ao envolvimento de toda a comunidade.

Se a boa vontade e a articulação de todos neste esforço – indústria, academia, até organizações para a inovação – foram fundamentais para ultrapassar um momento crítico, tudo podia ter ido por água abaixo se não houvesse quem desse seguimento aos processos de certificação. Num momento em que a produção de equipamentos de proteção individual (EPI), desinfetantes e instrumentos hospitalares (das zaragatoas aos testes à covid, passando até pelos ventiladores) em escala era essencial, haver quem os certificasse de forma a garantir a sua total segurança e adequação às necessidades era tanto ou mais fundamental.

Sem que Portugal tivesse um organismo certificado para dar o selo de Certificação Europeia (CE) a estes equipamentos, foi o Infarmed que deu um passo em frente para dar andamento aos processos com a agilidade e rigor que se impunham.

Um esforço que envolveu, além do Infarmed – cujas equipas trabalharam 24 horas por dia, sete dias por semana -, um conjunto de instituições oficiais tuteladas pela Saúde, Economia e Ciência e Tecnologia, incluindo-se nesta articulação virtuosa organismos como a ASAE, o IAPMEI, a Aicep, a ANI, a Apifarma ou a Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB), num trabalho não muito visível mas que garantiu a chegada de equipamentos ao mercado com qualidade e segurança.
O processo foi de tal forma dinâmico e eficaz que o modelo do Citeve – que teve um papel fundamental neste movimento – inspirou até o modelo seguido pelas autoridades francesas.

Ciente das necessidades e da urgência do momento, bem como do volume crescente de empresas que se foram juntando neste esforço, o Infarmed foi ainda mais longe, criando na sua página online uma área dedicada que além das normas aprovadas a nível europeu (de acesso facilitado para quem queira entrar na produção) apresenta uma lista de empresas fornecedoras de cada tipo de equipamento (máscaras, mangas, batas cirúrgicas, fatos de proteção integral, toucas, cógulas, manguitos, proteção de calçado, etc.), sua capacidade produtiva e contactos.

A ideia foi juntar numa plataforma fornecedores já certificados e consumidores (hospitais), saúde e economia, para que por exemplo os hospitais que precisassem de EPI e não os conseguissem nos fornecedores habituais pudessem garanti-los com segurança – e made in Portugal.

Hoje, a maioria das empresas que receberam a certificação provisória no momento de maior urgência (válida por seis meses e dada pelo Infarmed, na sequência de uma série de reuniões preparatórias com Bruxelas) submeteram processos para assegurar a Certificação Europeia que lhes garantirá a permanência nesta nova área de negócio, uma conquista em que também teve peso a união entre a indústria e universidades do Minho a Faro, juntando inovação, know how e capacidade produtiva. Muitas dessas empresas já exportam e outras procuram mercados externos onde possam vender.

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