A balança entre sectores equilibra-se no capítulo da inovação e desenvolvimento (I&D), com os serviços a apresentar um volume de investimento mais avultado neste capítulo (com as empresas de informática e telecomunicações a liderar), mas a indústria a criar mais postos de trabalho em I&D (em áreas variada). Isto quando olhamos para as dez primeiras empresas destes dois rankings da Ignios.
Entre investimentos e despesas com inovação, as dez primeiras empresas produtoras de bens somaram 27 milhões de euros, enquanto o top 10 dos serviços despendeu mais de 66 milhões nesta matéria. E a lógica repete-se quando se olha para o bolo total das empresa analisadas pela consultora, em que os gastos em I&D nas indústrias ficam em 58 milhões, enquanto os das empresas de serviços ascendem ao 156 milhões de euros. A lógica inverte-se no que toca ao números de trabalhadores afetos à área da inovação. Entre as dez primeiras produtoras de bens existiam 443 empregos nesta área em 2014, mais 95 do que no ano anterior. No top 10 dos serviços a criação de emprego em I&D ficou pela metade deste último valor, e o número de funcionários nesta área chega aos 302. Quando se olha para o ranking total, a consultora Baker Tilly diz que as empresas produtoras de bens “têm o total de 2 616 postos de trabalho dedicados a I&D, sendo 17% do emprego nesta área gerado por empresas pertencentes ao top 10”.
O maior empregador neste conjunto é o Laboratório Medinfar, com uma percentagem de emprego em I&D acima de 30%. Logo a seguir vem a farmacêutica Hovione, que é a primeira do ranking geral, liderando uma lista de atividades muito variadas e em que consta a Cabopol (fabricante de materiais plásticos primários) ou a Solidal (que fabrica cabos e fios elétricos). A Hovione, a Cabopol e a Solidal são as três empresas do pódio e entre elas empregaram em 2014 mais 185 pessoas em I&D e gastaram mais de 16 milhões de euros em investimento e despesas com esta área.
Neste grupo “há empresas que se destacam pelo investimento realizado, outras por terem pessoal afeto à área da inovação e ainda um terceiro grupo (geralmente empresas de menor dimensão) que apresenta um bom equilíbrio entre os três setores”, explica a consultora. É a partir deste equilíbrio que a Ignios chegou ao ranking aqui apresentado, ainda que nele seja possível verificar que há empresas como a Sakthi Portugal (fabricante de componentes e acessórios para automóveis) que em 2014 tiveram o investimento mais avultado em I&D, quase cinco milhões de euros. Mas a empresa não apresentou despesas nesta área e o número de postos de trabalho em I&D no total de empregados é de apenas 4%.
No ranking total dos serviços, o emprego em I&D significa um “total de 1419 postos de trabalho”, com a Baker Tilly frisar que 21% (302) deste valor é gerado por empresas do top 10. Neste conjunto imperam as empresas ligadas às tecnologias da informação e às telecomunicações (cinco empresas), com a Vodafone a mostrar o peso mais significativo dos projetos de desenvolvimento em I&D, no seu valor bruto de produção: 36,4%. Mas em matéria de peso do emprego no número total de funcionários desce neste ranking da Ignios, em que a melhor empregadora em I&D é a We Do Consulting (20% dos seus funcionários são afetos a esta área).
O top 10 dos serviços mostra que é na informática e nas comunicações que mais empregos relacionados com a inovação são gerados. “Este resultado não é surpresa, uma vez que o sector tecnológico está sempre em constante evolução, sendo a qualidade do I&D um fator determinante no sucesso das empresas”, analisa a Baker Tilly.
De acordo com os números recentemente divulgados pelo Eurostat, em 2014, Portugal fez parte dos países cuja despesa em I&D ficou acima de 1% do PIB (1,29%). De acordo com a autoridade estatística da União Europeia, o nível de investimento nesta área duplicou nos últimos dez anos.
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