Prémio Inovação NOS

“Inovação tem de estar na atitude inquieta com que se olha para o mercado”

João Ricardo Moreira 

(Filipe Amorim / Global Imagens)
João Ricardo Moreira (Filipe Amorim / Global Imagens)

João Ricardo Moreira, administrador da NOS, acredita que a capacidade de inovação é algo transversal ao tecido empresarial português. Algo que ficou demonstrado, uma vez mais, na terceira edição do Prémio Inovação NOS.

O Prémio Inovação NOS vai na terceira edição, qual o balanço que faz?
É muito positivo e reforça algumas das convicções que já tínhamos. Como a de que a inovação não se cinge ao mundo tecnológico e digital e que é algo que acontece em todos os setores de atividade, em todas as geografias e que não depende apenas das startups e das empresas mais recentes, está presente nas pequenas e médias empresas mas também nas grandes. Há uma abrangência nas candidaturas que demonstra uma atividade e uma energia latentes no tecido empresarial português, que nos apraz registar e temos todo o gosto em ajudar a promover.

Ao longo destes três anos, o tipo de candidaturas mudou?
Eu diria que não. O elemento comum às três edições é o facto de haver uma grande representatividade do tecido empresarial português, naturalmente com mais candidaturas de PME do que de grandes – mas a diversidade é a pedra de toque.

Este tipo de prémios é importante para fomentar o trabalho conjunto entre empresas públicas e startups ou grandes empresas?
Nós gostaríamos que os prémios refletissem não só a bondade dos ativos e a qualidade das propostas de valor, mas também essa colaboração, seja a montante com a academia, seja a jusante com parceiros de negócio que sejam relevantes. O Prémio Inovação NOS deste ano premeia, na categoria das grandes empresas, um projeto do centro hospitalar de Leiria, em conjunto com uma startup – a SWORD Health. É o exemplo de como é possível extrair valor combinando as melhores soluções tecnológicas de uns, com o conhecimento do mercado e a proximidade face aos processos, de outros.

Que outros aspetos destaca desta edição?
Cada vez mais se nota a incorporação de tecnologia na agricultura: a capacidade de seguir de forma remota a evolução das culturas acrescenta produtividade e quebra a ideia de que este setor não beneficia da tecnologia. Outro aspeto é o facto de termos, na indústria, um conjunto de exemplos de incorporação de conhecimento científico -algum dele produzido em Portugal-, o que leva ao completar do ciclo da investigação até à entrada no mercado.

A inovação tem de ser transversal para garantir uma maior dinâmica na economia?
A inovação tem de estar na atitude inquieta com que se olha para o mercado: não dar por garantido nenhuma parte do mercado onde se esteja, incorporar constantemente aquilo que os consumidores e os clientes nos dizem que precisa de ser melhorado, e procurar incessantemente a maior eficiência na utilização dos recursos. Essa atitude tem de se combinar com o melhor que a tecnologia permite. É na incorporação da tecnologia com a tal atitude de algum ceticismo de quem duvida que os mercados estejam parados, mas com o otimismo de quem acredita que pode ir para lá das fronteiras atuais, que está parte da receita do sucesso.

A velocidade a que a tecnologia se torna obsoleta obriga a que a inovação seja um esforço constante?
Apesar de haver ciclos cada vez mais curtos das tecnologias, a verdade é que muitos dos aspetos que fazem com que uma proposta de valor seja meritória não mudam assim tanto. Fazer bem algumas coisas que foram feitas noutros setores no nosso setor e com os nossos clientes é um fator de inovação. No fim do dia, temos de ser cada vez mais eficientes a utilizar os nossos recursos e temos de servir bem os consumidores finais.

Uma empresa que não se preocupe com a inovação é uma empresa morta a prazo?
O que poderá variar é o prazo em que a empresa estará fora do mercado. Não interpretar bem o que são as expectativas e os anseios dos consumidores, não ser o mais eficiente na alocação dos recursos e não endereçar as necessidades que os clientes têm, significa, a prazo, estar fora do mercado.

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