Indústria

Inovadora cadeira auto com airbags vai ser produzida em Portugal

Fábrica da Dorel, em Vila do Conde, exporta 85% da produção para fora da Península Ibérica. É a única fábrica europeia a produzir a marca Bébéconfort.
Foto: José Carlos Marques/Global Imagens
Fábrica da Dorel, em Vila do Conde, exporta 85% da produção para fora da Península Ibérica. É a única fábrica europeia a produzir a marca Bébéconfort. Foto: José Carlos Marques/Global Imagens

Em 1988, a Dorel só fazia forros para cadeiras da Bébéconfort. Hoje, está a ampliar instalações para produzir o topo de gama da marca francesa.

Ter um filho, nos dias que correm, exige uma série de equipamentos que, ainda há poucas décadas, ninguém diria necessário. Aos cintos de segurança acrescentaram-se cadeiras próprias para crianças, cada vez mais sofisticadas e seguras, e, agora, está a chegar ao mercado a cadeirinha auto para bebé com airbag incorporado no arnês. A inovação pertence à Dorel, dona da marca francesa Bébéconfort e da holandesa Maxi Cosi. Mas a exigente execução será exclusivamente feita em Portugal.

dorel

Além de cumprir com a mais recente norma de segurança (a i-Size, que classifica as cadeiras segundo a altura da criança e tem crash testes mais rigorosos), a nova cadeira possui airbags próprios, armazenados no interior do arnês que prende o bebé. Em caso de desaceleração brusca, são insuflados para sustentar a cabeça do bebé e, assim, evitar danos a nível do pescoço (ou a morte). “Estamos muito entusiasmados com esta cadeira, é a mais segura de sempre e achamos que vai ser um best-seller”, diz Paulo Anjos, diretor geral da Dorel Portugal. O preço de mercado ainda não está definido, mas as primeiras unidades deverão chegar às lojas já em junho.

Além da produção da cadeira inovadora, a Dorel Portugal conquistou mais três modelos (dois da Bébéconfort e Maxi Cosi e um que era produzido na Holanda e passa a ser produzido apenas cá) e vai começar a montar carrinhos Quinny – o topo de gama da marca –, o que lhe permitirá aumentar em 20% o volume de negócios, que atingiu 47 milhões de euros em 2015. Oinvestimento necessário para concretizar este aumento de produção não é divulgado, mas inclui o recrutamento de quatro dezenas de pessoas e a ampliação das instalações já com 24 mil metros quadrados, em Vila do Conde.

Dorel Bébéconfort

Este cenário contrasta com o início da empresa, em 1988, quando empregava 42 pessoas e limitava-se a fazer forros para as cadeiras-auto que eram, depois, enviados para a fábrica francesa. “Com o tempo, fomos recebendo mais trabalho e a fábrica em França fechou”, recorda o diretor. “Esta evolução não se deveu aos salários baixos em Portugal. O nosso custo de produção já não é o mais baixo da Europa há algum tempo. Não se pode confundir produtividade com eficiência e a nossa ronda os 100%”, garante. “O que nos distingue é a qualidade e os prazos de entrega. E o Norte está repleto de fornecedores de matérias-primas de qualidade, desde plásticos a parafusos, além dos recursos humanos à altura”, explica ainda.

No ano passado, a Dorel Portugal produziu meio milhão de cadeiras-auto, exportando 85% da produção para fora da Península Ibérica. Este ano, vai produzir 620 mil cadeiras e um número ainda indefinido de carrinhos Quinny.

Se a natalidade está, de modo geral, a descer na Europa, por outro lado é mais tardia e os pais têm mais disponibilidade financeira e mais educação sobre a segurança dos equipamentos para adquirir apenas o melhor que há no mercado. As marcas de puericultura sabem que é necessário inovar e subir a fasquia da qualidade para se manterem na preferência dos consumidores.

“Na maior feira de puericultura da Europa, em Colónia, na Alemanha, apresentámos o carrinho topo de gama da Bébéconfort que vamos produzir em Portugal”, anuncia, ainda, Paulo Anjos. “É um carrinho inovador, com fecho automático, para facilitar a vida aos pais”, explica, sem desvendar mais pormenores. E dá exemplos de outras inovações: “Trabalhámos com a Volkswagen para desenvolver um protótipo de um carrinho que, com os sensores que eles usam para estacionamento, segue os pais e está ligado a uma app no telemóvel que alerta se alguém tentar tirar o arnês ao bebé”. Tal carrinho ainda não tem ordem de produção, mas a Bébéconfort está a trabalhar noutro “com motor, para ajudar a empurrar nas subidas, com um sistema que trava se tirarmos as mãos”.

Ao contrário do que seria de esperar, apesar de a crise económica e financeira de 2008 ter afetado a natalidade nalguns países, a Dorel conseguiu equilibrar as vendas. “Em Portugal, no segmento médio, sentimos quebra. A solução foi apostar na gama alta da Quinny, que tem uma imagem muito forte cá e em Espanha. Resultou, porque os que têm dinheiro continuam a ter mesmo durante as crises”, revela Paulo Anjos. “Como já vendíamos para mercados como Israel ou o Brasil, tivemos para onde vender quando a procura diminuiu na Europa”, acrescenta o responsável.

Integrada num grupo canadiano que, em 2003, adquiriu a casa-mãe francesa dona das marcas Bébéconfort e Maxi Cosi, a Dorel Portugal (que já se chamou Ampafrance Portugal) é a única fábrica a produzir as renomadas marcas de puericultura europeias para todo o Mundo. Odiretor geral, Paulo Anjos, é filho de emigrantes portugueses em França e começou por trabalhar na Ampafrance antes de ser enviado para a unidade portuguesa e, aqui, acabar por conquistar a produção exclusiva da marcas francesa Bébéconfort e holandesas Maxi Cosi e Quinny.

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