Investimento apoiado pelo Estado ao abandono

Há quatro anos foi apresentada como uma das mais modernas fábricas a instalar-se em Portugal e prometia criar 400 postos de trabalho, mas o investimento de 10,5 milhões de euros da Rodman, de onde deviam sair 300 iates por ano, está hoje praticamente abandonado no parque empresarial de Valença, no distrito de Viana do Castelo.

Para trás ficaram incentivos do Estado português através de benefícios fiscais atribuídos ao grupo espanhol e uma comparticipação de mais de meio milhão de euros na formação profissional dos trabalhadores. A fábrica está hoje deserta, ainda com o equipamento de topo no interior e com um aspecto de novo que mais parece pronta a inaugurar, conforme o DN constatou no local.

Apesar das tentativas, não foi possível obter qualquer explicação por parte da administração da empresa para a actual situação da fábrica portuguesa. O IAPMEI também não respondeu às perguntas do DN sobre quanto dinheiro foi concedido à empresa.

Totalmente parada há dois anos, a fábrica da Rodman serve hoje apenas de armazém, completamente fechada, enquanto aguarda melhores notícias do mercado internacional e sobretudo da casa-mãe, na Galiza, em risco de insolvência.

A unidade portuguesa “é talvez a mais avançada do grupo, mas não serve para nada, está fechada”, explicou ao DN um sindicalista. A Rodman Lusitânia, instalada em Valença desde Setembro de 2007, teve o apoio da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), nomeadamente na compra dos 65 mil metros quadrados de terrenos, instalações e máquinas das mais avançadas da Europa.

Desde 2008 que o grupo Rodman, líder ibérico na venda destas embarcações de recreio, enfrenta uma grave crise, com uma queda superior a 60% na facturação. Em Valença, desde esse ano, despediu 45 dos 50 trabalhadores que chegou a contratar, muito aquém dos 400 postos de trabalho directos que tinha inicialmente prometido.

A Rodman previa operar em Portugal com uma unidade industrial para o fabrico de embarcações especiais e de recreio entre os 8 e os 16 metros de comprimento, das gamas Rodman Fisher & Cruise, empregando tecnologias avançadas em construção naval em poliéster reforçado com fibra de vidro (PRFV).

Durante anos foi apresentado como um investimento âncora para Valença mas só operou, e abaixo da sua capacidade normal, durante o ano de 2008.

A dificuldade do mercado é o motivo apontado pela administração para a redução drástica dos postos de trabalho nos últimos dois anos.

A Rodman Lusitânia previa produzir por ano cerca de 300 embarcações e obter um volume de negócios de aproximadamente 28 milhões de euros

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