Dinheiro Vivo TV

Irene Caño: “Já temos 6,2 milhões de utilizadores do Facebook em Portugal”

A carregar player...

Entrevista exclusiva à líder do Facebook na Península Ibérica, onde ficámos a saber que o negócio em Portugal cresceu “bem mais do que 33%” em 2018 e que as startups são um “negócio florescente”.

Fez, em dezembro, nove anos de Facebook, depois de passagens pela Yahoo! e pela Google. Irene Caño é a diretora-geral do Facebook na Península Ibérica. Do divertido escritório de Madrid coordena as operações em Espanha e em Portugal da rede social com mais utilizadores a nível mundial (2,2 mil milhões) e, no país vizinho, é um dos exemplos de sucesso como mulher a liderar na área da tecnologia.
Fomos a Madrid falar com ela sobre o “florescente” negócio do Facebook em Portugal. O cenário? Um escritório típico de uma grande tecnológica, com decoração ao estilo sala de estar (incluindo paredes forradas com plantas), sala de jogos e zonas de restauração (e refeições à borla e à discrição), isto num edifício sem qualquer indicação no exterior de que, por ali, está o Facebook.

Como é trabalhar no Facebook, num espaço tão dinâmico, alegre, mas numa missão que influencia a vida de tantos?
A parte mais estética, onde estamos agora, é muito divertida e agradável de se trabalhar. Mas também é muito exigente, muito dinâmico e, às vezes, stressante, trabalhar aqui. É um bom resumo do que é o emprego dos dias de hoje e o que vai ser o do futuro, trabalhar em empresas que se adaptam a todas as mudanças à volta de maneira simples. Isso faz parte do nosso ADN.

Como funciona o trabalho diário do Facebook a nível ibérico? Envolve quantas pessoas?
Não podemos dar o número concreto, mas varia muito. Nesta altura do Natal temos mais gente por ser uma altura mais intensa. Mas há pessoas a trabalhar aqui para Portugal, Barcelona, Londres ou Paris. E temos gente em Londres, Dublin, Paris ou nos EUA a trabalhar para Portugal – só na parte de segurança são muitas em vários locais. Vivemos numa era dinâmica, com um computador e um smartphone podemos trabalhar em qualquer lugar do mundo. Mas viajamos constantemente a Portugal. Cada uma das equipas para cada área de negócio faz visitas para estar com os clientes. No final damos um serviço personalizado, que tem em conta a necessidade de uma estratégia digital para todas as empresas. A equipa de grande consumo que faz beleza, visita a L’Oréal, a equipa de viagens visita a TAP ou o Turismo de Portugal. E a equipa de agências tem uma presença contínua, todas as semanas, em Portugal. Já chegámos a ter espaços de trabalho em Portugal, sempre que precisámos, mas nunca tivemos escritórios, nem pensamos ter.

Tem experiência a trabalhar com grandes tecnológicas (Yahoo!, Google). Como foi a sua entrada no Facebook já em 2009, o que a atraiu?
Em todas as empresas, do Yahoo! ao Google, atraiu-me sempre a experiência do utilizador. Acreditei sempre que podíamos chegar a mais pessoas porque, para mim, estas tecnológicas cobriam uma série de necessidades que existiam na sociedade e tinham progressão para o futuro. Todas estas empresas têm semelhanças, são muito dinâmicas e operam com mudanças constantes. Não me equivoquei com o Facebook. Na altura, todos pensavam que ia ser uma moda, mas uma década depois conseguimos desenvolver a comunicação do futuro e integrar de forma perfeita as novas plataformas que permitem conectar, pelo menos, 2,5 mil milhões de pessoas (com o Instagram e o WhatsApp). Uma das principais diferenças que vi no Facebook é que se centra sempre nas pessoas. É um produto criado por pessoas e para pessoas, com elas no centro de todos os de-senvolvimentos, e isso é a chave do êxito dos produtos.
Todas estas plataformas estão integradas dentro de uma missão comum, que é criar comunidades e fazer o mundo um lugar mais próximo, e estamos a ver os resultados, com mais ou menos polémica.

Quase dez anos numa empresa tecnológica é muito tempo (em 2009 o Facebook tinha 260 milhões de utilizadores). Quais foram os grandes marcos?
Muitos e muito interessantes de experienciar. Destacaria a mudança para o móvel. Foi na altura [2012] em que identificámos que não estávamos a fazer bem a área e decidimos migrar a plataforma também para lá. Foi fulcral para o sucesso da empresa. Claro que as decisões de ter produtos como o Messenger ou as stories no Instagram e no Facebook e a entrada do WhatsApp foram estratégicas. Outro marco foi a importância que demos ao vídeo e a todo o story-telling, já que a internet tem agora esse lado mais visual. Fomos capazes de antecipar estas necessidades, que não é mais do que a consequência de escutar as pessoas que estão dentro da plataforma.

Tanto crescimento em tão pouco tempo traz novos desafios?
É muito exigente, mas também é gratificante. Uma das principais máximas da empresa é focar-se no impacto que consegue ter. Nesta empresa vemos esse impacto todos os dias e vemos como a missão da empresa é palpável, dentro de cada escritório e para todos os trabalhadores que formam parte do grupo Facebook.

A nível de dados da operação em Portugal, pode-nos dar alguns números de Facebook, WhatsApp, Instagram? Em 2015 eram 5,2 milhões no Facebook.
O número de pessoas que utiliza m neste momento, todos os meses, o Facebook são 6,2 milhões. Não posso dar números do Instagram e do WhatsApp porque não os divulgamos nesta altura, nem cifras do negócio porque são feitas a nível agregado nos EUA. Temos mais um milhão em Portugal do que há três anos, mas o crescimento tem sido continuado e similar aos outros países. Portugal é para nós um mercado maduro e operamos cá da mesma forma que operamos na maioria dos outros países.

O que distingue Portugal a nível de operação no Facebook, desde a relação com os anunciantes até às comunidades?
O Facebook de cada país é um reflexo do que acontece na sociedade. O uso que se dá ao Facebook, ao WhatsApp e ao Instagram é muito similar a nível europeu, mas a nível de negócio estamos a notar o efeito da situação económica em Portugal, que é boa. O negócio está a correr muito bem porque as indústrias tradicionais estão bem, mas sobretudo o investimento estrangeiro cresce e isso está-se a notar muito nas startups, que é um negócio florescente para Portugal e, claro, para o Facebook. Para uma startup ou para uma PME, entrar no Facebook é uma decisão estratégica, pois pode estar num espaço onde estão os seus clientes potenciais e ter acesso a ferramentas de marketing relevantes. Somos uma plataforma que permite às empresas transcenderem as suas fronteiras. Há muitas delas que operam noutros mercados graças ao Facebook e sem necessidade de sair fisicamente de Portugal. Na verdade temos mais empresas do que há um ano e mais dinheiro de anúncios. Quando crescem os utilizadores crescem os outros números também. Nos resultados comerciais do último trimestre crescemos 33% a nível global, e em Portugal é bem superior a isso, mas não posso dar os dados concretos.

2018 foi um ano difícil para o Facebook a nível de reputação pelos escândalos. Que passos tomaram nesta crise?
Não sei se é uma crise. Temos contacto direto com clientes, instituições e meios distintos e o nosso trabalho é conseguir passar as mensagens da empresa aos parceiros e ao ecossistema. Foi o que fizemos em 2018, respondendo às notícias com os passos que demos para tentar garantir a segurança na plataforma. Também escutámos muito e constatámos que, para todos, a privacidade é muito importante e demos os passos necessários (inclusive usando inteligência artificial) para garantir a privacidade de todos e recuperar esta confiança. A verdade é que partilhar é uma questão de confiança. Quando as pessoas confiam, partilham mais e melhor, e essa é a chave da plataforma.

Portugal tem um centro de controlo de denúncias do Facebook, que já surgiu nas notícias. Como funciona, quantas pessoas tem, é possível saber?
Não podemos dar pormenores e não é gerido aqui, é de gestão global. Faz parte do nosso esforço de garantir a segurança dos utilizadores. Anunciámos em março que vamos duplicar o número de pessoas que se dedicam a garantir a segurança dos conteúdos. Passámos de dez mil para 20 mil pessoas, e há um centro em Portugal, como há em Barcelona e noutros pontos. O que fazem lá é garantir essa monitorização e a segurança dos conteúdos mais complicados.

Tem contacto direto com Mark Zuckerberg? O que pensa dele?
Vamos tendo quando é necessário, depende sempre dos temas. Há muitos vice-presidentes. O Mark é um típico millennial e esta é a primeira empresa cotada em bolsa dirigida por um millennial. A cultura que se pode ver neste escritório, fantástica, divertida, inovadora, é o reflexo dele, vem da sua liderança até ao último empregado. Ele tem uma visão clara do que quer e isso é o que nos trouxe até onde estamos e o que nos permitiu a todos aprender muito de forma dinâmica e adaptativa. Qualquer pessoa que trabalha nesta empresa tem um passaporte para o trabalho do futuro, porque estamos a criar o futuro.

Nos próximos dias iremos publicar mais partes desta entrevista a Irene Caño.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Emmanuel Macron, Pedro Sanchez, Angela Merkel, Donald Tusk, Jair Bolsonaro e Mauricio no G20 de Osaka, Japão, 29 de junho de 2019. Fotografia: REUTERS/Jorge Silva

Vírus da guerra comercial já contamina acordo entre Europa e Mercosul

Fotografia: Armando Babani/ EPA.

Sindicato do pessoal de voo lamenta “não atuação do Governo” na Ryanair

O presidente da China, Xi Jinping, fez uma visita de Estado a Portugal no final de 2018. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Angola e China arrastam exportações portuguesas. Alemanha e Itália ainda não

Outros conteúdos GMG
Irene Caño: “Já temos 6,2 milhões de utilizadores do Facebook em Portugal”