autoeuropa

Irreversível. Autoeuropa vai ter novo horário a partir de dia 29

Fotografia: JFS / Global Imagens
Fotografia: JFS / Global Imagens

Comissão de trabalhadores e administração voltam a reunir-se na próxima semana para discutir aumento de salários

A Autoeuropa vai mesmo ter novos horários a partir de 29 de janeiro. A administração recusa-se a fazer marcha atrás na decisão tomada no início de dezembro e vai levar a que a fábrica funcione de segunda a sábado. Só desta forma será possível cumprir o plano de produção recorde de 240 mil unidades para este ano, segundo a administração. A única mudança admitida pela fábrica de Palmela está na rotatividade dos turnos, anunciou ontem Fernando Gonçalves, coordenador da comissão de trabalhadores. O pagamento dos sábados continua a ser o grande ponto de discórdia.

“Esta semana existiram duas reuniões em que reafirmámos a disponibilidade para reatar a negociação dos horários do primeiro semestre. A empresa não mostrou abertura para tal. A única abertura que tivemos foi na rotação do turno. Em vez de haver três semanas à noite há a possibilidade de ser só uma, o que reduz o impacto para os trabalhadores. É preferível ter mais fins de semana juntos, porque com este horário só há fins de semana completos de cinco em cinco semanas”, referiu Fernando Gonçalves. A aceitação destes horários depende dos mais de 5700 operários da fábrica de Palmela, que vão ser consultados pela administração a partir da próxima semana.

O novo horário vai avançar apesar de a comissão de trabalhadores se opor ao trabalho obrigatório ao sábado, que devia ser de “adesão voluntária”. Mas a principal discórdia está no pagamento deste dia de produção. A administração diz que será pago um “prémio adicional de 100% por cada sábado trabalhado”. A comissão de trabalhadores desmente: “A administração passou informação que os sábados seriam pagos como dias de trabalho extraordinários, mas isso não é verdade. Será pago como um dia normal de trabalho. O que passou cá para fora é um tremendo erro.”

Antes da imposição dos novos horários, a comissão de trabalhadores e administração vão voltar a reunir-se duas vezes, na quarta e na sexta-feira, para negociar o caderno salarial para 2018. A comissão de trabalhadores exige um aumento de ordenado de 6,5%, com valor mínimo de 50 euros, e efeito retroativo a setembro de 2017.

Depois destas reuniões haverá um plenário de trabalhadores na semana entre 22 e 26 de janeiro – a última antes da imposição do horário transitório. Sobre a realização de uma possível greve, aprovada para 2 e 3 de fevereiro, a comissão de trabalhadores diz que vai “fazer tudo o que os trabalhadores decidirem” e que a greve “é sempre a última coisa a decidir”.

O líder da comissão de trabalhadores considerou ainda como “irresponsáveis” as declarações de ex-governantes, como Mira Amaral, que anteciparam o fecho da fábrica de Palmela. “Tudo o que se diz sobre a deslocalização da fábrica é uma utopia. Esta fábrica nunca irá sair daqui.” Um eventual fecho poria em causa um dos principais motores da economia portuguesa, que representa cerca de 1% da riqueza nacional.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Antonoaldo Neves é o presidente executivo da TAP

TAP precisa de resultados “sete vezes superiores”

Fotografia: REUTERS/Philippe Wojazer/File Photo

Comissão Europeia multa Altice em 125 milhões pela compra antecipada da PT

O ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Mário Centeno diz que “não há folga orçamental”

Outros conteúdos GMG
Irreversível. Autoeuropa vai ter novo horário a partir de dia 29