Isabel dos Santos admite recorrer à justiça contra a Sonangol

Empresária reage em comunicado a declarações em conferência de imprensa da petrolífera angolana

Isabel dos Santos, que liderou a administração da Sonangol até pouco depois da nomeação do novo presidente angolano, emitiu um comunicado neste domingo em que vem contestar as declarações da atual administração numa conferência de imprensa da última semana e admite que não deixará "de tomar todas as medidas, e encetar todas as providências legais, adequadas e necessárias à proteção do

meu bom nome e defesa dos meus direitos."

"Foi com espanto que acompanhei as declarações proferidas na Conferência de Imprensa da Sonangol a 28 de Fevereiro de 2018. Não posso deixar de demonstrar a minha total indignação com a forma como, sob o título de “Constatações/Factos” foram feitas acusações e insinuações graves, algumas das quais caluniosas, contra a minha honra e contra o trabalho sério, profissional e competente que a equipa do anterior Conselho de Administração desenvolveu ao longo de 18 meses", refere.

"O grau de agressividade e as campanhas difamatórias reproduzidas, e em perfeita coordenação com os órgãos de imprensa da oposição, e com as oficinas de manipulação das redes sociais, demonstram que há um verdadeiro nervosismo em alguns meios. Meios estes, com interesses financeiros, que durante anos aproveitaram e construíram fortunas ilegítimas à custa da Sonangol, e agora tudo fazem para que o escândalo da minha acusação difamatória distraia a opinião pública de ver os verdadeiros responsáveis. Esta campanha generalizada e politizada contra mim faz-me acreditar que estão de retorno os interesses das pessoas que enriqueceram bilhões à custa da Sonangol. São estes que hoje fomentam e agitam a opinião pública de forma a poder retomar os seus velhos hábitos", afirma ainda.

Num longo comunicado, a empresária contesta questões referentes ao programa de reestruturação da Sonangol, aos custos com os consultores, a transferências bancárias e pagamentos no valor de 38 milhões de dólares, a remunerações na empresa, ao conflito de interesses entre BFA e EuroBic, à participação na Galp e à estrutura da joint venture Esperaza e dividendos da Galp.

Quanto à Galp, "relativamente à insinuação de “tentativa de fazer negócio consigo próprio, para que fique claro, a Sonangol entrou no negocio da GALP em 2006 em parceria com a Exem, período muito anterior a minha nomeação ao CA da Sonangol. Todos estes documentos foram aprovados pela Sonangol e subscritos pelo então Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Eng. Manuel Vicente."

Sobre a Esperaza, lembra "tem sido uma parceria de grande sucesso ente a Exem e a Sonangol, e a valorização deste investimento ultrapassa os 800%!! Trata-se de um projeto de inegável sucesso financeiro. A proposta alteração societária foi feita pela Sonangol, e visava otimizar a estrutura financeira e fiscal, pois a Sonangol recebe dividendos, e paga imposto duas vezes, uma vez Angola, e outra por via de uma empresa Holandesa. A Sonangol propôs e a Exem aceitou dissolver a Esperaza, passando ambos os sócios a deter uma participação direta na Amorim Energia, respeitando assim os direitos societários da Sonangol e Exem na Amorim Energia. O novo CA da Sonangol incumpriu grosseiramente, entre outros, os acordos celebrados no ano de 2006, ao eleger sem qualquer consulta prévia à Exem, dois administradores da sociedade."

Em conclusão, Isabel dos Santos afirma que " O investimento realizado em consultoria foi o mais baixo até a data, e traduziu- se em valor acrescentado, e com impacto concreto na rentabilidade da Sonangol, tendo sido identificadas mais de 400 iniciativas de redução de custos (programa Sonalight) e mais de 50 iniciativas de aumento de receitas (programa Sonaplus), as quais conjuntamente permitiram melhorar os resultados da Sonangol em USD 2.2 bi. Conforme afirmado pelo atual conselho de administração, o resultado da minha gestão exercida até 15 de Novembro de 2017 resultou num aumentou de lucros da Sonangol em 177%, e atingiu 224$Mio, e a dívida foi reduzida em 50%. O problema da Sonangol não é e nunca foi Isabel dos Santos, mas sim a irresponsabilidade da gestão e das entidades que beneficiarão de contratos leoninos e ganharam milhões, e hoje esperam poder continuar a gozar e viver desta prevaricação."

 

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