A trabalhar com os maiores players globais da indústria automóvel, a tecnológica de Braga está apostada em entrar em novas áreas de negócio. Está a investir quatro milhões e quer chegar a 2021 a faturar 20 milhões.
A Itec, empresa tecnológica da área da automação industrial e da robótica, que se dedica a projetos de engenharia para o sector automóvel e a eletrónica quer aumentar em 20% as suas vendas até 2021, ultrapassando os 20 milhões. Para tal, tem previsto um conjunto de investimentos superior a quatro milhões de euros, que passam pela construção de novas instalações, que permitirão não só triplicar as áreas atuais, mas, também, criar novas áreas de negócio, nomeadamente prototipagem e maquinação de precisão, com a adição da componente de metalomecânica e de impressão 3D. Um investimento que se integra no programa Interface – Clube de Fornecedores Bosch e que inclui a criação de um departamento de I&D.
A Bosch é, precisamente, o principal cliente da Itec – Iberiana Technical, empresa bracarense criada em 2006 por Carlos Rodrigues e Pedro Iglésias e a que se juntaram, a partir de 2008, Valentino Pereira, para desenvolver a área de trading, e Paulo Compadrinho, para criar a divisão de engenharia, que hoje assegura 70% do volume de negócios e do número de trabalhadores. No total, a Itec conta com 50 colaboradores e fatura 17 milhões de euros.
Aptiv, Delphi, Kathrein, Faurecia, Preh, Borgwarner, Simoldes, Volkswagen e Visteon são alguns dos seus clientes, sendo que os sistemas de automação da Itec estão presentes em 12 países, entre Europa, América e Ásia. Audi, BMW, Daimler, Porsche ou Rolls Royce são algumas das marcas de luxo cujos carros estão equipados com sistemas de navegação montados com robôs e outros sistemas de automação desenvolvidos pela Itec, onde a Industria 4.0 é uma realidade “há uma década”. “Em cada sistema de navegação ou outro produto que sai dos nossos equipamentos, conseguimos saber a que horas foi assemblado cada componente, com que parâmetros e em que posto”, diz o CEO da Itec, Carlos Rodrigues.
As novas instalações, cuja construção deve arrancar brevemente, terão cerca de cinco mil metros quadrados de área coberta e ficarão situadas junto à variante de Braga, com acesso facilitado às principais vias de comunicação da região, e muito próximas da Bosch. Além de permitir a contratação de mais 15 funcionários, a Itec 4.0 como lhe chama Carlos Rodrigues, em referência às quartas instalações da empresa desde que nasceu, vai ser determinante para a o crescimento da Itec, “quer em termos quantitativos quer qualitativos”, através de novas áreas de negócio, como a prototipagem e a maquinação de precisão, ou a criação de um laboratório de ensaios e metrologia e de um departamento de I&D, com uma unidade de desenvolvimento de aplicações robotizadas e de uma divisão de software e visão artificial.
“Há uma nova revolução em curso na indústria automóvel com a condução autónoma e os veículos elétricos, que vão gerar novas oportunidades para as empresas do sector e nós queremos estar preparados para elas”, justifica o gestor. O projeto, submetido ao Portugal 2020, vai permitir, ainda, aumentar o índice exportador da empresa, que ronda os 15%. Embora, indiretamente, praticamente tudo o que produz se destine aos mercados externos. “Apesar de tudo, a nossa taxa de exportação direta ainda é relativamente baixa e queremos que, no final deste projeto, ultrapasse os 30%”, diz Carlos Rodrigues, assumindo que o grande objetivo da Itec é a sua afirmação global, designadamente na construção de linhas de colagem robotizadas, tecnologia em que a empresa está já “muito entrosada”.
A “crescer bastante” nos países da Europa de Leste, a Itec tem na Malásia o seu principal mercado externo, por via da parceria com a Bosch e é aí que vai, arrancar com uma base de suporte técnico que servirá, também, a China. O México é outro dos países onde a tecnológica bracarense conta ter um crescimento significativo nos próximos anos. Tem já aí dois clientes junto à fronteira com os EUA onde vai, já em janeiro, instalar novas linhas produtivas num dos seus clientes.
Mas nem só da automóvel é feito o negócio da Itec, que atua já na área biomédica e gostaria de, a médio prazo, entrar na indústria alimentar, área que “apresenta desafios muito interessantes ao nível da automação”, mas traz consigo, também, “muitas oportunidades”.
A nível interno, a própria Itec tem ainda “um longo caminho a percorrer”, admite Carlos Rodrigues, na digitalização dos seus próprios processos e no aumento da rastreabilidade dentro de portas. A robotização crescente vai levar à perda de postos de trabalho, questionamos? “Não, eu não vejo isso assim, e a História ensina-nos que os países que mais robótica implementaram, como a Alemanha, os EUA ou a China, são dos mais bem sucedidos. E isso vê-se nas indústrias tradicionais em Portugal, as empresas que mais investiram na robotização dos seus processos, quer no têxtil quer no calçado, são as que estão a produzir mais e melhor e se tornam mais competitivas, colocando os trabalhadores a fazer coisas muito mais criativas e de maior valor acrescentado”, defende o CEO da Itec.
Desafios. “Tem sido muito difícil recrutar bons quadros”
A escassez de mão-de-obra, especialmente de engenheiros, numa região onde com grandes players nacionais e internacionais em crescimento é um dos principais desafios da Itec. A empresa tem parcerias com diversas instituições na zona, como a Universidade do Minho ou o Politécnico do Cávado e do Ave, que lhe proporcionam acesso privilegiado a formandos de “excelente nível”, mas, mesmo assim, “nos últimos tempos tem sido muito difícil recrutar bons quadros”, admite o CEO. Além do salário mensal, a Itec oferece uma componente remuneratória variável, indexada á produtividade, aos resultados da empresa, e ao desempenho individual, medida de “valorização do mérito” que tem sido “determinante” para a “fixação dos bons quadros na empresa a longo termo”, frisa Carlos Rodrigues.