Jacek Olczak: “Planos para reconverter fábricas incluem Portugal”

Chief operating officer da Philip Morris International (PMI), onde está há 26 anos, Jacek explica o seu objetivo de um mundo sem fumo.

É o primeiro a dizer que o iQos não é isento de risco.

Há risco, sim. Todos sabemos que o tabaco é mau, mas quem não quer ou acha que não pode deixar de fumar agora tem uma alternativa melhor. Hoje posso assegurar com base em dados que o risco de exposição a substâncias químicas perigosas, incluindo carcinogénicas, para quem passa para o iQos aproxima-se brutalmente do de quem deixa de fumar.

Mas passar essa informação não tem sido pacífico, certo?

Há dez anos todos os produtos de tabaco eram iguais mas a realidade mudou e isso foi comprovado por instituições independentes na Alemanha, em Inglaterra, agora nos EUA. Daqui a 20 anos, quando perguntarem a quem hoje permanece cego à evolução há quanto tempo sabia que o iQos reduzia tanto o risco, que responderão?

Já fez essa pergunta à Organização Mundial da Saúde (OMS)?

Não, porque nem me recebem, dizem ser ilegal falar connosco - embora a lei diga é que deve haver transparência na comunicação.

Diria que essa relutância está a matar pessoas?

Nunca o diria, porque não devemos ser emocionais num assunto tão sério, mas esta discussão não pode ser baseada em opiniões. Há um produto diferente, há ciência a comprovar que reduz o risco. Façam estudos independentes, produzam nova ciência, mas façam qualquer coisa, porque neste momento só estão a criar confusão. No Reino Unido, por exemplo, mais de 50% acha que o iQos é tão mau ou pior do que o cigarro - é uma irresponsabilidade. O consumidor quer informação clara e a OMS não está a ajudar, prefere ver as tabaqueiras como o problema. Eu acho que as indústrias deviam ser chamadas a resolver os problemas que criam.

Há também um lado de negócio a considerar. Quanto representa hoje o iQos para a PMI?

Nós investimos 6 mil milhões nisto, da investigação à reconversão de fábricas, 60% dos nossos esforços estão aqui. E já representa mais de metade das nossas receitas. Em três anos no mercado do tabaco, estes produtos já pesam 14% nas receitas totais e em volume são 5%.

Acabar com o fumo é o futuro da PMI. Leia aqui

A maior parte do investimento está feita ou é para continuar?

Será gradual, mas a parte mais significativa está - desenvolvemos o produto, a investigação... Mas acredito que o esforço que fizemos em I&D dará mais frutos.

Alargar o conhecimento ao mercado da marijuana é hipótese?

Podemos vir a estabelecer parcerias com outras empresas, sim, temos uma experiência que mais ninguém tem. O processo com a FDA foi longo e preciso, com muitas iniciativas tomadas pelos cientistas americanos e no fim eles elogiaram o nosso trabalho de I&D. Esta capacidade científica que adquirimos foi dinheiro bem gasto.

Há planos para as fábricas da PMI, incluindo Albarraque, receberem investimentos para responder a esta transformação?

Será a fábrica de Bolonha a fornecer o mercado americano porque o produto é controlado - como acontece com as farmacêuticas - e ali temos essa capacidade. Mas temos planos para reconverter outras unidades, nomeadamente a de Portugal. A fábrica portuguesa é das que melhor desempenho têm e agora queremos evoluir ao ritmo certo.

A jornalista viajou para a Suíça a convite da PMI

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