Alibaba Group

Jack Ma, líder do Alibaba Group escolhe sair aos 55. Veja o que vai fazer

Jack Ma

Sem surpresa, mas só agora é oficial: Jack Ma está mesmo de saída do grupo de fundou há 20 anos, o Alibaba. Agora quer ensinar

Já com o seu sucessor escolhido – é substituído por Daniel Zhang, atual CEO da empresa – Ma é conhecido por ser o homem mais rico da China mas também por ter ideias pouco comuns. Isto além de, claro, ser um dos fundadores e o líder mais carismático do império formado há 20 anos, com o site chinês (hoje global) de e-commerce que se transformou em muito mais do que isso, Alibaba.

Há cerca de um ano, Jack Ma anunciava aquilo que se tornou esta terça-feira oficial: iria sair, quando fizesse 55 anos. Hoje, 10 de setembro de 2019, cumpre 55º aniversário e dá sequência à promessa. Em maio ouvimos o líder do Alibaba Group no evento francês VivaTech explicar porque iria sair tão cedo e o que vem a seguir.

Dizia, na altura, sobre o grupo que criou que não era algo que quisesse fazer “para o resto da vida”. “Vou voltar a ensinar, não quero morrer no escritório, prefiro morrer na praia, mas até lá quero gastar o dinheiro de forma inteligente e ensinar empreendedorismo e até criar empresas relacionadas com o tema”. O seu sucessor, o CEO atual, Daniel Zhang, “é o tal caso do aluno que supera o mestre” e vai ter novos sonhos para a empresa.

Mas depressa, na altura, atirava para o ar objetivos ambiciosos para a empresa a que vai manter-se ligado: chegar a 2 mil milhões de consumidores e 100 milhões de empregos gerados em 2036. “Se tem um telemóvel, qualquer um no mundo pode fazer compras, entregas, pagamentos, viagens, vendas de forma global, ser consumidor e empreendedor. Se fizermos isto vamos sentir que tivemos sucesso, sem pensar no valor da empresa”.

Já sobre o mercado de trabalho, em abril defendia dias de trabalho de 12 horas diárias e seis dias por semana, “uma bênção” para a geração mais jovem. Mas quatro meses depois, noutro evento, dizia algo diferente e sustentava que, no futuro, os seres humanos apenas vão precisar de trabalhar quatro horas por dia, três vezes por semana, completando uma semana de 12 horas de trabalho, tudo devido à inteligência artificial e à automatização dos processos.

Ainda este verão, a empresa tem tido abrandamento nas vendas – a guerra comercial da China com os EUA não tem ajudado -, mas Ma não tem parado e levou a empresa a fazer um investimento de 2,7 milhões de dólares em plataformas de retalho e numa empresa de streaming de música.

Com a sua liderança, o Alibaba Group tornou-se numa das empresas mais valiosas do mundo, em particular da Ásia, com mais de 100 mil funcionários e negócios nos serviços financeiros, computação na cloud e inteligência artificial. O seu sucessor, Daniel Zhang, enfrenta novos desafios à medida que o mercado chinês fica mais maduro.

A sua história é muitas vezes comparada com a de Steve Jobs, embora Jack Ma indique que não é nenhum especialista ou visionário em tecnologia. O fundador do Alibaba gosta de lembrar as suas origens humildes e que, na essência, continua a ser um professor, a sua primeira profissão.

Como chegou lá?

Em maio explicava como chegou ao sucesso através do Alibaba. “Tudo começou com uma ideia do que deveria ser o futuro”. No principal palco da VivaTech, o homem de baixa estatura analisou o seu percurso ascendente notável, que começou em 1999, sem conhecimentos na área da computação e com a ajuda de 17 pessoas.

“Comecei sem dinheiro, sem tecnologia, do meu apartamento”. Então o que tinha? Mesmo só com formação “de professor de liceu”, ele e os seus co-fundadores tinham uma crença no futuro, uma ideia de qual seria o caminho para um futuro melhor”. Daí que Ma garanta que um empreendedor tenha de ser especialista em “negas, erros e em falhanços”. “Temos de nos habituar a levar negas constantes, de investidores e clientes. Se continuamos a acreditar na nossa ideia de futuro, temos de acordar no dia seguinte determinados em convencer as pessoas com os passos certos”.

Mas antes de convencer os investidores: “primeiro estão os nossos funcionários, têm de acreditar no que fazemos, depois os clientes são a prioridade e os investidores estão no fundo da linha”. “Gastem o tempo e o dinheiro que têm nos clientes, na vossa equipa, não gastem nos investidores nem na concorrência”.

O ano passado, Jack Ma recebeu um prémio de honra pelo Governo Chinês, por ser uma das 100 personalidades que mais contribuiu para a transformação económica da China nas últimas décadas.

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