Retalho Alimentar

Jerónimo Martins instala na Azambuja laboratório de ADN

EPA/BIENVENIDO VELASCO
EPA/BIENVENIDO VELASCO

Dono do Pingo Doce quer rastrear ingredientes dos produtos de marca própria. Projeto deverá estar concluído até final do ano.

Azambuja vai receber até ao final do ano o laboratório onde o grupo Jerónimo Martins vai fazer o rastreamento dos ingredientes contidos nos produtos de marca própria do Pingo Doce. O grupo retalhista alimentar vai investir entre 300 e 400 mil euros neste projeto.

“O laboratório deverá estar concluído até ao final do ano e vai localizar-se no perímetro do nosso centro de distribuição na Azambuja”, adiantou fonte oficial do grupo Jerónimo Martins, precisando a localização do projeto anunciado há cerca de um ano por Pedro Soares dos Santos, CEO do grupo.

“O Pingo Doce vai investir num laboratório de ADN para fazer o tracking da origem dos nossos produtos de marca própria”, revelou o gestor na altura. “Damos um caderno de encargos aos fornecedores/fabricantes e o laboratório vai rastrear o produto”, para verificar “se está conforme os requisitos da cadeia”, explicou, apontando um investimento entre 300 e 400 mil euros para a concretização deste projeto, tudo dependendo dos equipamentos a adquirir.

Reforçar confiança
O objetivo do laboratório – que irá funcionar como “um selo de garantia da marca [Pingo Doce]” – visa reforçar a confiança dos consumidores nos produtos da cadeia, “talvez a marca própria mais bem aceite pelos consumidores”, referiu Pedro Soares dos Santos.

Há mais de uma década que as cadeias de retalho alimentar têm vindo a apostar em produtos de marca própria, com a boa relação preço qualidade-preço a cativar os consumidores nacionais. Em 2018, a quota de marca de distribuição nas vendas no retalho alimentar era de 33,6% (+0,2 pp), de acordo com o Barómetro de Vendas da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).

Globalmente, calcula-se que a fraude alimentar tenha um custo de 44,7 mil milhões de euros.

No Pingo Doce os valores não diferem muito, com os produtos de marca própria a representarem cerca de um terço das vendas. É uma área para onde a cadeia olha com atenção, lançando com frequência novas ofertas com selo Pingo Doce. O laboratório de rastreamento é mais um passo. “Como marca temos de estar sempre à frente”, referiu Pedro Soares dos Santos, explicando que “uma das maiores fraudes futuras na alimentação vão ser os ingredientes. E a tendência vai aumentar”.

Casos de fraude alimentar, com substituição de ingredientes nos produtos, não são invulgares. Em 2013, por exemplo, carne de cavalo, em vez de vaca, foi detetada em embalagens de lasanha, tendo o caso alastrado por toda a Europa. Só na Alemanha foram encontradas quase 200 mil embalagens de lasanha com carne de cavalo não declarada. O equivalente a 72 toneladas.

Azeite, peixe, alimentos biológicos, leite, cereais, mel e xarope de ácer, café e chá, especiarias, vinho e certos sumos de fruta são, de acordo com um relatório de 2013 do Parlamento Europeu, os dez produtos com maior risco de fraude alimentar. E com custos elevados: globalmente, estima-se que seja na ordem dos 44,7 mil milhões de euros, afetando um em cada dez produtos. A dimensão do problema levou mesmo Bruxelas a anunciar no ano passado a criação de um centro do conhecimento, para combater estas práticas.

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