Retalho Alimentar

Jerónimo Martins sob suspeita de irregularidades na Polónia

A Biedronka é a cadeia de supermercados polacos detida pela Jerónimo Martins. Fotografia: D.R.
A Biedronka é a cadeia de supermercados polacos detida pela Jerónimo Martins. Fotografia: D.R.

O grupo português poderá ter de pagar 3% sobre as receitas caso se confirmem irregularidades nas negociações com fornecedores na Polónia.

A operação da Jerónimo Martins (JM) na Polónia está sob investigação da autoridade da concorrência polaca. A UOKiK suspeita de vantagem comercial do grupo português face a fornecedores. Caso se confirme, a JM poderá ter de pagar uma coima de 3% sobre as receitas.

Segundo um comunicado emitido hoje (25 de setembro) pela UOKiK, as investigações realizadas à JM levantam dúvidas quanto às relações contratuais com os fornecedores, nomeadamente os de frutas e legumes.

Fonte oficial da JM confirmou ao Dinheiro Vivo que “a Biedronka foi notificada pelo UOKiK e que irá analisar e esclarecer eventuais dúvidas, no tempo devido”. O grupo português afirma-se convicto de que, “no desenvolvimento de relações com os seus fornecedores, a Biedronka age de acordo com a lei polaca”.

Dois descontos
O UOKiK considera que a JMP (Jerónimo Martins Polónia) beneficia de dois tipos de descontos. O primeiro está especificado no contrato e é usado após exceder o valor previamente determinado do volume de negócios.

O que preocupa a autoridade da concorrência polaca é o segundo desconto. Os fornecedores da Biedronka desconhecem o seu valor e só são informados sobre esse desconto no final do mês, após a conclusão das entregas. Caso os fornecedores recusem o desconto podem sofrer penalidades contratuais.

“A prática do proprietário das lojas Biedronka pode constituir uma violação e um aproveitamento da parte mais fraca do contrato”, diz a UOKiK no comunicado. “A Jerónimo Martins Polónia tem uma posição negocial mais forte e suspeitamos que a esteja a usar de forma injusta” adianta ainda.

Segundo o regulador, os fornecedores ao realizarem um contrato com a JMP “não sabem quanto ganharão”.

(notícia atualizada com resposta do grupo Jerónimo Martins)

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