Construção

Jingli em Portugal de olho nos desafios de obras privadas e públicas

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Ao fim de 20 anos a operar na China, a Jingli decidiu internacionalizar-se e escolheu Portugal como destino. Na entrada no país, fonte autorizada da empresa explica qual é a estratégia e as mais-valias que oferece.

O que impulsionou a vinda da Jingli para Portugal e que mais-valia pode garantir, nomeadamente no mercado da reabilitação português, que está hoje tão vibrante? Qual é o principal atrativo?

A principal motivação que serviu de base ao projeto de fundação da empresa Jingli – Construção e Gestão Imobiliária, Lda. em Portugal foi a vontade de expandir para outros mercados a empresa-mãe, sediada em Qingdao, cidade costeira da província chinesa de Shandong. Contudo, é necessário compreender que esta internacionalização está enquadrada pela iniciativa do governo chinês Uma Faixa, Uma Rota, visando esta aproximar os povos e criar uma plataforma de cooperação económica que garanta benefícios mútuos. Para além disso, o facto de esta iniciativa praticamente coincidir com as visitas de Estado dos presidentes Xi Jinping a Portugal e Marcelo Rebelo de Sousa à China serve, em parte, como justificação para a eleição de Portugal como país de destino deste projeto.

Relativamente ao papel que a Jingli pode desempenhar no mercado português, no âmbito da reabilitação urbana e do reforço sísmico, será importante frisar que temos conhecimento de que existe muito trabalho a fazer em Portugal nestas áreas.

O facto de a empresa ter tecnologia especializada em sismologia também influenciou essa decisão?

Cada vez mais se pode ouvir e ler nos meios de comunicação portugueses que existe a necessidade de preparar os edifícios para possíveis futuros fenómenos sísmicos. É do conhecimento geral que o território português se encontra condicionado pelo contacto entre três placas tectónicas e que este já foi alvo de um grande sismo no ano de 1755, existindo um risco significativo de natureza permanente. Acreditamos que a nossa empresa pode contribuir, com a sua experiência e conhecimento, para os objetivos de reabilitação e para a mitigação daquele risco.

Este é também um mercado que tem forte concorrência. O que distingue a oferta da Jingli de outras que já atuam neste mercado?

Principalmente, o facto de ter uma grande experiência resultante da sua atividade de cerca de 20 anos no mercado chinês. Por outro lado, evidenciamos uma aliança muito forte entre os conhecimentos teórico-académicos dos nossos dirigentes (alguns dos quais docentes universitários) e a aplicação prática dos mesmos nos estaleiros das obras.

Há uma grande parte de inovação no ADN desta empresa. Quais são os métodos que aplicam e como podem fazer a diferença especificamente num quadro imobiliário como o de Lisboa e o do Porto, onde há muitos edifícios antigos e em condições deficientes de manutenção, mas com muita história, estruturas e traça a preservar?

Tal como expresso na própria pergunta, o intuito é sempre o de preservar a identidade histórica e cultural dos edifícios a serem intervencionados. Através de técnicas como a da elevação assíncrona de telhados, ou do desenvolvimento do espaço bidirecional (que possibilita o acrescento, ou o trabalho, nos espaços imediatamente acima ou abaixo da estrutura principal dos edifícios), é possível reforçar a capacidade de edifícios já existentes resistirem a fenómenos sísmicos e de tornar as suas estruturas mais duradouras. Não apenas devemos preocupar-nos com os aspetos estéticos dos edifícios, mas também com o reforço da resistência das estruturas de sustentação.

A Jingli está a prever investir também no mercado imobiliário comprando e/ou arrendando edifícios ou apenas enquanto prestador de serviços/parceira?

Numa fase inicial, não tencionamos investir diretamente no mercado imobiliário. Temos, sim, a vontade de estabelecer parcerias ou prestar serviços diretamente aos clientes, em operações que se relacionem com o reforço sísmico de edifícios ou a reabilitação urbana. Não obstante, não colocamos de parte a possibilidade de entrarmos conjuntamente num projeto de construção a partir das fundações.

E, nessa área, querem aproveitar os clientes (particulares, empresas e até agências, nomeadamente imobiliárias) que já atuam aqui enquanto foco de negócios?

Se as agências imobiliárias entendessem procurar a nossa colaboração ou, até, empresas de construção quisessem repartir tarefas com a nossa empresa, então, teríamos conseguido alcançar o nosso objetivo primordial ao instalarmo-nos em Portugal. Além disso, não apenas estamos dispostos a trabalhar com o setor privado, mas também manifestamos abertura para responder a desafios que nos sejam colocados pelo setor das obras públicas. Um exemplo: seria uma grande honra para nós se nos convidassem a contribuir para a preservação de obras do património português, nomeadamente através de ações de reabilitação.

A aposta em Portugal é ainda um teste ou um primeiro passo numa aposta de longo prazo? A partir daqui, ponderam entrar noutros países europeus?

A China e Portugal mantêm, de há séculos, uma relação que foi, de um modo geral, muito positiva. As autoridades locais e todos os nossos interlocutores em Portugal acolheram-nos de uma forma muito afetuosa. Por isso, estamos muito satisfeitos em poder considerá-los como amigos. De facto, Portugal pareceu-nos ser a porta de entrada ideal para uma expansão no continente europeu. E esse é, claro está, um objetivo a prazo.

Nota: O sócio-gerente da Jingli – Construção e Gestão Imobiliária, Lda. é o professor Ouyang Ganlin, da Universidade de Tecnologia de Qingdao, China

BI

Com 20 anos de experiência e reconhecimento nas áreas da engenharia e construção civil na China, a Jingli está neste momento focada em projetos de reforço sísmico (prevenção antissísmica) e de reabilitação urbana em Portugal, contando com certificações internacionais em áreas como Sistema de Gestão Ambiental, Sistema de Gestão da Saúde e Segurança Ocupacionais e Sistema de Gestão de Qualidade, e sendo titular de 15 patentes relacionadas com a requalificação urbana, deslocação e retificação da inclinação de edifícios e desenvolvimento do espaço urbano bidirecional.

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