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João Lourenço desafia portugueses para voltarem a investir em Angola

O presidente de Angola realizou uma visita de Estado a Portugal. Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens
O presidente de Angola realizou uma visita de Estado a Portugal. Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens

Chefe de Estado angolano quer uma economia diversificada, produtiva e criadora de emprego. Portugal respondeu ao apelo

Angola apelou à cooperação das empresas portuguesas no desígnio de diversificar a sua economia, hoje ainda assente nos produtos petrolíferos e diamantes, que valem 95% das exportações. Os empresários portugueses compareceram ao apelo e, na última sexta-feira, com expectativa e renovada confiança no país africano, encheram a sala da Alfândega do Porto, onde se realizou o fórum empresarial “Por uma parceria estratégica”. Os congéneres angolanos também não faltaram à chamada para encetar contactos e debater oportunidades. E são muitas.

O presidente angolano, João Lourenço, sublinhou que Angola precisa de “muitas empresas” para o desenvolvimento de áreas como a construção, serviços, agricultura, pescas, indústria e turismo. O governante quer inverter a tendência que marca a relação económica dos dois países, em que Portugal ocupa uma posição de destaque como exportador. Como afirmou, “que o nosso relacionamento não se limite ao comércio, mas em parcerias”, que “gerem emprego e ajudem a superar as enormes carências” do país. “Exorto a classe empresarial portuguesa a orientar os investimentos preferencialmente para estas áreas”, afirmou.

“Há 5600 empresas portuguesas a exportar para Angola, metade das quais só exporta para Angola” e é essa “tendência de exportação de produtos acabados que precisamos inverter”, frisou o presidente angolano. “Queremos as empresas portuguesas a produzir em Angola o que agora exportam como produto acabado”, apelou.

Para assegurar que aquele país africano iniciou um novo rumo e oferece confiança ao investimento, João Lourenço lembrou que as dívidas às empresas portuguesas “têm vindo a ser saldadas” e que o atual estado da economia “é animador”, com as instituições internacionais a apontar para um crescimento médio de 3% para os próximos anos”. Adiantou ainda que Angola lançou o visto do investidor, documento que permite um tratamento diferenciado aos homens de negócio e pretende evitar constrangimentos na entrada no país.

Um voto de confiança
Perante mais de 800 empresários, João Lourenço reforçou o convite para que os empresários portugueses se interessem pelo país e lembrou que Angola vai lançar concursos públicos para a ferrovia, para a gestão do novo aeroporto de Luanda, que irão ser lançadas novas licenças para redes móveis e privatizada parte da Angola Telecom. Em estudo, estão também privatizações nos sectores petrolífero, banca e seguros.

Por sua vez, António Costa fez questão em reafirmar “mensagens fundamentais” à plateia. Confiança foi a primeira. “Até setembro, triplicou o volume das dívidas certificadas, um sinal de confiança para as empresas portuguesas das autoridades angolanas de cumprimento das obrigações”.
A segunda mensagem é que Angola está a fazer grandes apostas e o apelo de cooperação “não é só para o grande capital intensivo” é para que os pequenos e médios empresários sejam parceiros na diversificação da economia angolana”.

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