João Portugal Ramos investe um milhão nos vinhos verdes

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João Portugal Ramos acaba de lançar o seu primeiro vinho verde Alvarinho para os mercados dos EUA e Reino Unido. “Faltava-nos esta região [Monção] para fechar o leque das regiões portuguesas com mais notoriedade”, diz o enólogo e produtor, em entrevista ao Dinheiro Vivo, na Adega de Estremoz.

Cauteloso, como os atuais tempos obrigam, João Portugal Ramos aponta um investimento de um milhão de euros para esta entrada, dedicados sobretudo à transferência da unidade de vinificação no Paço do Cardido, Ponte de Lima, para Monção.

O enólogo confessa que gosta que seja o mercado a pedir-lhe o vinho. E foi isso que aconteceu: os canais de distribuição lá fora pediam vinhos verdes. “Quando começámos o projeto, confesso que nunca pensei vender muitos verdes”, assume Portugal Ramos. Fez poucas garrafas (13 mil) e já estão todas vendidas.

“É o nosso primeiro Alvarinho, de 2012, com bastante sucesso, por isso estou bastante satisfeito.” Ainda que diga que prefere que os projetos cresçam “com conta, peso e medida, do ponto vista do grupo e dos mercados”. Nomeadamente no norte-americano e no inglês, mas também no português, onde o novo vinho está à venda por 10 euros.

Proveniente de solo granítico, o João Portugal Ramos Alvarinho é um vinho de cor citrina, com 13,5% de volume de álcool. Segundo nota de prova, é um vinho de “aroma intenso, cítrico e floral, com notas minerais e de frutos tropicais. Elegante e envolvente, termina com notas minerais num longo final de boca”.

Este lançamento vem consolidar o negócio de João Portugal Ramos, que conta já com presença nas regiões do Alentejo, Tejo, Beiras e Douro. Partes de um todo, sendo que “o core business, o negócio com maior movimento, a maior adega, vem do Alentejo”. “Foi aqui que comecei e, é claro, é aqui que tenho os meus mercados mais cimentados.”

Revelando que foi convidado muitas vezes para fazer vinhos em vários países e que resistiu sempre, o produtor diz que gosta de andar com a bandeira dos vinhos portugueses às costas. “Se se pode fazer tantos vinhos em Portugal, e únicos, porquê fazer fora?” Foi como que respondendo a esta questão que, em 2008, João Portugal Ramos se lançou com José Maria Soares Franco na região do Douro Superior, num investimento de 10 milhões de euros.

“Como agrónomos, acreditamos que temos de plantar vinhas e na verticalização do negócio de A a Z, daí um investimento grande no Douro”, explica o enólogo. Para destacar que nos vinhos verdes foi mais cauteloso, apesar de manter o foco na qualidade – veja-se o Loios, Marquês de Borba, Vila Santa, entre outros.

Passados cinco anos, o Douro é uma aposta ganha. “Estamos a sentir o projeto cada vez mais consolidado, não só a nível de reconhecimento nacional [Duorum foi o Melhor Fortificado 2013 no Concurso Vinhos de Portugal] e internacional como também ao nível de vendas, que estão no ponto que queremos.” A ponto de defender que o “Douro vai ser a grande região de Portugal fora do país e dos vasos comunicantes – o broad market”.

Algum vinho novo no atual portfólio? “Talvez2, responde, lembrando que tem dito várias vezes que não fará mais vinhos, mas têm aparecido sempre outros projetos… Por isso, prefere não arriscar respostas definitivas.

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