João Talone investe 90 milhões em eólicas. Financiamento é todo português

A Iberwind vai investir 90 milhões de euros na construção de mais eólicas nos parques que já gerem em Portugal, adiantou ao Dinheiro Vivo o presidente da empresa, João Talone. "Já está tudo praticamente licenciado e temos entre 60 a 80 MW para fazer; só estamos a ver as zonas com melhor vento e espaço", disse à margem de uma conferência da Associação de Renováveis que decorreu esta semana no Estoril. Também quase fechado está o financiamento para estes projetos que "está a ser negociado com bancos portugueses, o que mostra que há abertura que não havia há uns anos", disse Talone.

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E acrescenta: "Começamos a montar a operação financeira antes do verão, mas já estamos a trabalhar nisto há um ano", disse.

A tarifa que irão receber do governo por estarem a produzir energia e a vendê-la à rede nacional é que é mais baixa - 70 euros -, porque "agora não se faz nada com tarifas maiores", comenta. Nos governos de Sócrates, as tarifas eram bem superiores e em alguns casos chegavam mesmo aos 120 euros. Ainda assim, Talone não descarta fazer mais projetos. "Neste momento, em Portugal, ainda há um risco, mas temos outros terrenos e estamos a fazer estudos de vento. Não quer dizer que faça agora", adiantou.

Contudo, terão sempre de ser projetos de repower e overpower, tal como estes que estão a fazer agora, ou seja, aumentar ou melhorar a capacidade dos parques já existentes, o que pode passar por mais eólicas ou substituição de turbinas, como já fizeram no Algarve. Isto porque, há dois anos - por imposição da troika -, o governo decidiu congelar novos projetos de renováveis, apenas licenciando obras nestes casos de repower e overpower.

A Iberwind é, hoje, a maior proprietária e gestora de parques eólicos em Portugal, com um total de 680 MW. Um legado que Talone herdou quando, em novembro de 2008 comprou, através da Magnum Capital, o portfolio da Enersis à Babcock & Brown por 1,2 mil milhões de euros. Nesse ano, esta foi a maior operação na área da energia em Portugal e uma das mais relevantes na Europa e Talone diz estar satisfeito com as rentabilidade dos parques, apesar dos cortes nas rendas que acordou com o governo este ano e que, tal como aconteceu com a EDP, baixou a tarifa e prolongou o prazo do contrato. Além disso, ajuda ter um bom portfolio, em zonas de muito vento. "Não digo que seja o melhor do país, mas fomos os primeiros e temos das melhores localizações", salientou.

A Iberwind deixará em breve de ter este estatuto de maior gestora dos parques nacionais, já que o consórcio Eólicas de Portugal - que envolve a EDP Renováveis - está prestes a concluir os seus 1200 MW de capacidade instalada pelo país. Um portfolio atribuído num concurso lançado pelo governo de Sócrates.

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