Prémio Inovação NOS

Jorge Portugal: “A posição de inovador moderado não nos deixa descansados”

“É preciso ter mais pessoas preparadas nas empresas”, diz Jorge Portugal. Foto: Artur Machado / Global Imagens)
“É preciso ter mais pessoas preparadas nas empresas”, diz Jorge Portugal. Foto: Artur Machado / Global Imagens)

Há mais de uma década que Portugal é um ‘inovador moderado’ na União Europeia, sublinha o diretor-geral da Cotec.

Foi em abril de 2003 que Portugal viu nascer um movimento empresarial privado sem fins lucrativos para a promoção da inovação no país. A Cotec Portugal – Associação Empresarial para a Inovação foi fundada com a missão de promover a competitividade das empresas nacionais através da difusão de uma cultura e de práticas de inovação e da partilha do conhecimento. Jorge Portugal, atual diretor-geral, sucedeu a Daniel Bessa, em abril de 2016.

Que balanço faz destes 15 anos de Cotec em Portugal?

Ao longo deste período, investiu-se na criação de novo conhecimento e capital humano nas instituições científicas que progressivamente têm vindo a aproximar-se do tecido empresarial. Por seu lado, mais empresas assimilaram competências na gestão de processos de inovação, melhorando ou transformando o negócio através da combinação do seu know-how com novo conhecimento oriundo do exterior. Consolidou-se a convicção de que, numa economia assente no conhecimento como a portuguesa, só maior proximidade e agilidade nas relações entre instituições produtoras e empresas aplicadoras e transformadoras em valor para clientes possibilitará manter, no futuro, as vantagens competitivas conquistadas. A prosperidade do nosso futuro dependerá da forma como soubermos produzir e aplicar o conhecimento e a tecnologia.

Este é um tema que tem sido bem tratado em Portugal, em todos os aspetos? Pelo mercado em si, pela via legislativa?

As empresas em geral compreenderam que só através de uma prática sistemática de inovação, em todas as áreas de negócio, é possível adaptarem-se a condições de mercado em rápida mudança e a clientes muito mais exigentes. No plano político, é consensual que a inovação e o capital humano qualificado são os principais fatores de aumento de competitividade económica, de atenuação de assimetrias sociais e geográficas. As várias gerações de instrumentos de política pública têm vindo a melhorar progressivamente a sua eficácia e o apoio às empresas e aos seus fatores de competitividade, através da combinação de novo conhecimento com know-how industrial e, simultaneamente, da aplicação da inovação na melhoria da produtividade e eficiência.

De que forma a Cotec atua junto das empresas para estimular a inovação nacional?

A Cotec atua em três áreas cujos eixos são designados pelos três “A”: 1) antecipar as forças que irão influenciar a transformação do negócio das empresas a prazo; 2) advogar, contribuindo para identificar oportunidades de melhoria dos instrumentos de política pública dirigindo-se à inovação; 3) ativar sob a forma de broker de novas plataformas e ecossistemas de inovação em atividades com elevado potencial de retorno na aplicação de conhecimento, de crescimento e emprego qualificado. Estes pilares de intervenção junto aos nossos associados e outros stakeholders traduzem-se, na prática, na identificação e na divulgação das melhores práticas, promoção de networking profissional e criação e reforço de redes entre diversos setores de atividade e análise sistemática das falhas do sistema de inovação onde é requerida intervenção pública.

Tornam-se importantes os prémios como os da Cotec, da NOS e outros para divulgar a importância de investir em inovação?

A distinção dos melhores é um excelente instrumento para identificar práticas das empresas que representam o estado da arte dos processos e a vanguarda na inovação. Premiar as melhores pode assim inspirar outras empresas a seguir o seu exemplo e investir e retirar maior partido da inovação.

Segundo a Comissão Europeia, Portugal está ainda está abaixo da média europeia nesta questão. Que medidas podem ou devem ainda ser implementadas?

Portugal tem mantido a posição de “inovador moderado” ao longo de mais de uma década. É um rótulo que não nos deve deixar descansados, muito pelo contrário, porque as nossas empresas competem com as melhores dos países líderes. Para melhorar a nossa posição, é necessário procurar retirar mais retorno do investimento em inovação. Para isso, é preciso ter mais pessoas preparadas nas empresas, maior abertura à colaboração em rede, especialmente interempresarial, e uma cultura empresarial estimulante, não apenas na busca da eficiência mas também a ter uma obsessão pela experimentação e pela criação de novas opções para o desenvolvimento do negócio.

Quais são ainda os principais entraves à inovação em Portugal? E quais as soluções?

Pensar sistematicamente no futuro do negócio, mais abertura para colaboração, motivar o talento disponível, uma cultura que premeie a aprendizagem e a experimentação.

Já começa a ser mais habitual haver ligação entre investigação académica e o mundo empresarial, ou esta ligação continua a faltar?

O processo de inovação resulta da combinação do know-how industrial com novo conhecimento para resolver novos e mais complexos problemas. Esta combinação só poderá acontecer como resultado de uma relação estável, de confiança e frutuosa para ambas as partes. Temos bons exemplos em Portugal, mas que ainda não são a regra.

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