Jorge Tomé: “É inevitável que haja despedimentos no Banif”

Jorge Tomé
Jorge Tomé

O programa de recapitalização do Banco Internacional do Funchal – Banif será no mínimo de 500 milhões de euros e deverá estar concluído em julho, disse hoje o presidente da comissão executiva, Jorge Tomé.

“A operação de capitalização que nós estamos a montar vai ser da ordem dos 500 milhões de euros. Temos de prever que 2012 vai continuar a ser um ano ainda muito afetado pela crise”, disse Jorge Tomé, no final da assembleia geral anual do Banif SGPS, que aprovou as contas relativas a 2011.

No ano passado, o grupo registou resultados líquidos consolidados negativos da ordem dos 161,6 milhões de euros.

“O que nós temos previsto no plano de recapitalização é capitalizar o Banif SA e não o Banif SGPS”, explicou Tomé. “Vamos concentrar toda a nossa atividade bancária no Banif SA, operar uma grande reestruturação societária no sentido de simplificar o grupo, e o centro do grupo vai ser o Banif SA, que será o veículo de capitalização”, referiu.

“O cenário de aumento de capital tem de ser concebido de forma que se dê alguma margem de segurança para algum desvio negativo que possa ser operado este ano por força da envolvente externa financeira, portanto, o aumento mínimo de capital vai ser de 500 milhões de euros”, anunciou. Questionado sobre a forma em que a mesma operação será feita, Jorge Tomé referiu que “a fórmula ainda não está completamente fechada”.

“Vamos ter de negociar com o Estado e com os próprios acionistas privados e o que estamos a prever é que haja um recurso de acionistas privados da ordem dos 100 a 150 milhões de euros, um recurso à linha de capitalização do Estado da ordem dos 350 milhões de euros e, dentro desses 350 milhões de euros, aquilo que nós estamos a prever é uma linha de capital de 250 milhões de euros e uma linha de capital contingente de 100 milhões de euros”.

“Mas isto não está fechado, isto é um desenho de partida, estamos a trabalhar mas depende da evolução que as negociações com o Estado vão definir”, acrescentou.

Sobre a eventual posição que o Estado assumirá no banco na sequência do processo de capitalização, Jorge Tomé lembrou que o banco tem seguir as regras que estão definidas na portaria “mas, em princípio, não”.

“O processo de capitalização vai começar agora, vamos iniciar as negociações com o Estado, vai passar também pela marcação de uma assembleia geral do Banif SGPS e do Banif SA (que ainda não estão marcadas) e o processo deverá ser finalizado no final de julho”, disse ainda.

O gestor adiantou também que o banco passará por um “programa de redução de custos tanto a nível de pessoal como ao nível do fornecimento de serviços externos” que implicará o encerramento de balcões, dois a três dos quais na Madeira. “Estamos a prever que este programa, em velocidade de cruzeiro (dentro de um ano), possa reduzir cerca de 20 milhões de euros na conta de resultados do grupo”, observou.

“Obviamente vão ser operados alguns despedimentos, é inevitável, mas são movimentos que serão graduais e vamos ter especial atenção para que isso não tenha grandes impactos em termos sociais no cômputo do grupo”, admitiu.

Jorge Tomé disse ainda que 2011 “foi marcado por fortes ajustamentos no sistema bancário”, realçando, contudo, que “as principais variáveis de exploração até não correram mal, não tiveram comportamento diferente dos outros bancos”.

“A grande diferença relativamente aos anos anteriores – adiantou – foi o crescimento das imparidades por força do crédito vencido. Foi o ano em que se corrigiu fortemente a carteira de crédito”, a qual registou “mais de 250 milhões de euros de imparidades” que, a não terem existido, o banco teria atingido um resultado de exploração positivo de 100 milhões de euros.

“O ano, apesar de tudo não correu mal, há sim um forte ajustamento”, concluiu.

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