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Jornal britânico The Guardian atinge a sustentabilidade financeira

Fonte: The Guardian
Fonte: The Guardian

Ao contrário da maioria dos órgãos de comunicação, a publicação não implementou qualquer tipo de paywall.

Depois de três anos desastrosos, com perdas na ordem dos 57 milhões de libras (87,4 milhões de euros à taxa atual), o jornal britânico The Guardian finalmente atingiu o breakeven – o equilíbrio financeiro, – no período de 2018/19. O grupo Guardian News & Media conseguiu até obter um lucro operacional de 800 mil libras, como resultado de um programa de ajuste económico que tem aplicado. Os resultados foram apresentados esta quarta-feira.

Numa altura em que os meios de comunicação do mundo inteiro se esforçam por se manter financeiramente sustentáveis, o Guardian tomou a decisão pouco comum – que foi até criticada pela concorrência – de não recorrer a paywall nos artigos online (mecanismo que obriga a um pagamento para desbloquear o conteúdo). As suas receitas vêm das subscrições mensais – 655 mil, digitais e em papel, – e também de donativos dos seus leitores, que foram mais de 300 mil só no último ano. O dinheiro arrecadado em publicidade contou também nas contas do grupo.

“Anunciámos hoje que o Guardian completou com sucesso a sua estratégia de ajuste de três anos – atingimos o nosso objetivo de breakeven, e fizemos um pequeno lucro operacional no nosso caminho para a sustentabilidade”, escreveu em editorial a diretora do Guardian, Katharine Viner. “Há três anos o cenário era diferente, quando um modelo de negócio falido ameaçava destruir os meios de comunicação no mundo inteiro: a publicidade em papel estava a colapsar, as vendas de jornais estavam a cair, e a promessa do crescimento publicitário no digital ia quase na totalidade para a Google e o Facebook. Estas ameaças ainda existem e, apesar de termos encontrado uma forma de as contornar, a situação ainda é frágil.”

A publicação orgulha-se ainda de ser livre de qualquer interesse económico. E, ao não ter de responder perante qualquer grupo financeiro ou investidor, consegue reinvestir todos os lucros na produção de conteúdo. “O nosso modelo de negócio único significa que não somos controlados por um dono bilionário ou um grupo de acionistas que nos pedem retorno financeiro – qualquer lucro financeiro, e todas as contribuições dos nossos leitores, são reinvestidos diretamente no nosso jornalismo,” indica Katherine Viner.

O novo objetivo do Guardian é ter o apoio financeiro de dois milhões de pessoas até 2022.

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