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José Maria Castro: “Começamos a sentir sinais de abrandamento na economia”

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José Maria Castro, diretor-geral da fábrica da PSA em Mangualde diz que a unidade está preparada para produzir automóveis elétricos e híbridos a partir de 2025. Antes disso, no entanto, a indústria automóvel tem de estar preparada para vários sinais de abrandamento da economia, dentro e fora da Europa. Esta é a terceira parte da entrevista ao programa “A Vida do Dinheiro”.

Temos vários desafios globais, como o Brexit, a guerra comercial China/EUA, eventuais taxas à importação de automóveis para os EUA e abrandamento da economia. De que forma encara este ano a nível internacional?

Vivemos um momento complicado, com muitas variáveis em jogo. Estamos em adaptação permanente. O grupo PSA passou por momentos complicados em 2012 e quase desapareceu. A sobrevivência está nos genes do grupo e estamos preparados para nos adaptar-nos. Pode haver impactos fortes na indústria com as novas regulamentações sobre as emissões, que vão criar mais custos nos nossos carros e que nem todos os clientes vão estar dispostos a aceitar. Haverá uma perda de volumes de produção relativamente importante.

Entre os vários fatores, o que mais o preocupa?

(pausa) Não há resposta fácil. O que mais nos preocupa é a questão das emissões, porque é um problema de longo-prazo, para entre 2025 e 2030. Teremos de rever a nossa gama de veículos, electrificar toda a frota, retrabalhar a rede comercial para que saiba acompanhar os clientes nesta transformação. Vemos, de momento, que a Europa ainda não está bem preparada para absorver o número de híbridos plug-in que temos que vender.

Mangualde poderá vir a produzir carrinhas híbridas ou elétricas?

Para já, não está validado no plano para os próximos três ou cinco anos. No ano passado, com o projeto K9, a fábrica foi adaptada para flexibilizar toda a zona de produção mecânica e permitir que no futuro chegue um veículo híbrido, elétrico ou até com células de combustível. Das hipóteses de renovação de meia-vida do carro, estamos a estudar uma potencial versão híbrida ou elétrica, porque não teremos outra opção.

Isso será quando?

Em princípio, daqui a seis anos, mas estamos a analisar uma potencial aceleração da eletrificação da gama. Mas isso também irá depender da aceitação dos clientes.

O abrandamento da economia pode afetar a produção em Mangualde. Esses sinais já são sentidos na fábrica?

Começamos a sentir alguns sinais de abrandamento. Nas últimas análises de planos de produção, começamos a ver algumas hipóteses um pouco mais baixas do que imaginávamos. Mas o futuro é muito incerto porque há muitas variáveis muito fortes. Não há uma previsão exata de como vão evoluir as coisas.

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