Kronos vende 37 imóveis no Algarve e quer acelerar investimentos

O empreendimento Palmares, da Kronos Homes, tem já 37 apartamentos turísticos vendidos e nem só portugueses compraram. Promotora espanhola quer solidificar aposta no Algarve e na Grande Lisboa.

O tom azulado do oceano, conjugado com o azul do céu e com o verde das árvores e do campo de golfe, salpicado com pontos de areia são, por si só, um cartão de visita para o Palmares Ocean Living & Golf. E se este retrato até deu o mote para o nome do empreendimento da promotora espanhola Kronos Homes em Lagos (Algarve), os atributos do resort são mais extensos, captando já a atenção quer de nacionais quer de estrangeiros, inclusive de fora da Europa. Para a Kronos Homes, Palmares representa um investimento de 200 milhões de euros mas está longe de ser a única ambição. Os objetivos para os próximos anos estão definidos: acelerar a aposta tanto a sul como na Grande Lisboa.

Palmares foi o primeiro projeto que a Kronos Homes teve em Portugal, onde está desde 2017. O empreendimento foi comprado no final desse ano e a promotora arrancou com a gestão logo depois. O plano deste projeto prevê o desenvolvimento no total de 460 unidades. "Entrámos em Palmares em 2018. Recebemos um planeamento já aprovado e começámos. Em termos gerais: Palmares são 103 lotes para moradias grandes - com uma média entre os 400 e 500 metros quadrados de área de construção - 11 macro lotes para apartamentos, num total de 357 unidades. Já fizemos os primeiros 37 apartamentos e agora estamos a lançar 44. Os 37 [imóveis] estão totalmente vendidos e os 44 que foram lançados no final de outubro também estão em boa fase de vendas", apesar de ainda não estarem construídos, adianta ao Dinheiro Vivo Rui Meneses Ferreira, sócio da Kronos Homes em Portugal.

Os primeiros 37 imóveis do Signature Apartments, desenhados pelos catalães RCR Arquitectes, têm um tipologia de um a três quartos - já estão vendidos -, devendo estar terminados em abril de 2022 e representam um volume de vendas na casa dos 22 milhões de euros. Entre os compradores, os portugueses e norte-americanos são as duas principais nacionalidades. Os americanos estarão, assim, a descobrir o Algarve. Tipicamente quando viajam para a Europa, os norte-americanos viajam para mais do que um destino e quando elegem Portugal costumam ficar mais pela zona Centro, Lisboa e Porto. Os norte-americanos "começam a descobrir de forma importante o Algarve; de tal maneira que hoje existem canais de venda muito focados também no mercado americano. Temos outro empreendimento no Algarve onde vendemos também muitas unidades a americanos. Consideramos que a proveniência de compradores dessa região vai continuar no futuro", sustenta. Britânicos, alemães, suíços, belgas e checos são outras nacionalidades que escolheram estes apartamentos.

"Além destes 357 apartamentos, temos um Club House, que já é uma obra nossa e que foi inaugurada em novembro do ano passado; (...) temos também, que herdamos, um hotel de cinco estrelas de 20 quartos - o Beach Hotel - e este hotel juntamente com um lote que está contíguo, é onde será desenvolvido um JW Marriott que é um novo hotel, de 172 quartos. Assinamos os acordos com a Marriott em dezembro de 2019", diz ainda.

A construção desta unidade hoteleira de luxo deve arrancar no final de 2022 e a gestão desta ficará a cargo da cadeia hoteleira americana. "Estamos numa joint-venture com Palmares e com um operador inglês", neste projeto.

O empreendimento de Palmares conta também com uma área destinada a moradias, as Signature Villas. A Kronos Homes refere que se trata de projetos chave na mão. A primeira de oito foi concluída recentemente mas a promotora tem sentido um crescimento da procura por estes lotes para construção, estando já mais de 50% vendidos.

Aposta em Lisboa
A Kronos Homes está em Portugal há cerca de cinco anos. Palmares foi o primeiro projeto de quatro. Para já. "Palmares representa para nós 200 milhões de euros de investimento. Desses 200 milhões, há uma parte que foi para aquisição e outra para desenvolvimento. Em Palmares temos outro sócio de origem norte-americana. A Amendoeira [resort localizado na região de Alcantarilha, Silves] é um ativo que comprámos seis meses depois de termos comprado Palmares. Nestes dois resorts estamos com este acionista", diz.

Além deste projeto a sul, a promotora imobiliária tem outros quatro projetos em Lisboa, dois dos quais já estão em comercialização. O empreendimento residencial DISTRIKT está localizado no Parque das Nações e The One, na Avenida João XXI, junto ao Campo Pequeno. "No Parque das Nações começámos a comercialização há cerca de um ano e três meses. São 219 apartamentos, mas não estamos a comercializar todos ao mesmo tempo. Estamos, neste momento, a comercializar cerca de 120 apartamentos e temos mais de 50% vendidos", afirma Rui Meneses Ferreira.

Ainda nessa zona da cidade, que começou a desenvolver-se há mais de duas décadas, com a criação da Expo 98, a Kronos prevê arrancar com a construção de um novo edifício residencial. "É um empreendimento na zona sul do Parque das Nações, com cerca de 27 mil metros quadrados de construção, com algumas características especiais", aponta. Rui Meneses não esconde que o Parque das Nações "é um mercado do qual gostamos muito", até porque já nasceu com características "do ponto de vista urbanístico que fornecem uma qualidade de vida muito importante aos seus habitantes". Sem desvendar muitos detalhes, o gestor assume que tem "outro projeto no Parque das Nações, mas de uso turístico" e que está ainda em fase de desenvolvimento.

Já na Avenida João XXI, perto do Campo Pequeno, o The One - desenhado pelo arquiteto Souto de Moura -, conta com 65 apartamentos, dos quais estão neste momento 22 vendidos, todos a portugueses.

Pandemia não trava investimento
Rui Meneses Ferreira garante que a pandemia não travou em "absolutamente nada o investimento residencial" do grupo de origem espanhola. "Estamos agora a levantar o quarto fundo, que são 200 milhões de euros, e 60 milhões - cerca de 30% - será para investir na região de Lisboa. Continuamos a acreditar que este é um mercado maduro e, portanto, mais difícil, mas também onde existe consistentemente uma procura que nos permite continuar a fazer investimentos. Lisboa, Oeiras e Cascais são mercados onde queremos estar nos próximos anos", diz. E acrescenta: "Esperamos lançar no início do próximo ano no Paço do Lumiar, um condomínio fechado. Não faz sentido fazer esses investimentos se não contamos com o mercado nacional".

O sócio da Kronos Homes em Portugal explica que há mais projetos em vista. Em Espanha, a promotora tem uma marca, a Stay, que se dedica à construção de imóveis especificamente para arrendamento (built to rent). "Nada mais oportuno seria fazê-lo também em Portugal e gostaríamos de nos próximos dois anos começar com projetos de 200 ou 300 casas", aponta. Contudo, a carga fiscal desencoraja esses investimentos. Ainda assim, admite estarem "a fazer um esforço e tentar lançar esses projetos em Portugal".

A aposta no mercado turístico, especialmente no Algarve, "onde já temos uma estrutura", é "para dar continuidade". "Nos próximos anos, as três vias de investimento que queremos continuar é: entrar no mercado buil to rent com esta marca, continuar a fazer mais alguma coisa no Algarve e, por outro lado, em Lisboa, Oeiras e Cascais queremos comprar built to sell. Queremos continuar a comprar projetos de alguma dimensão para venda", remata.

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