Comércio online

Kuanto Kusta. Como conseguir vender de Monção para todo o país

Empresa familiar de Monção fatura em todo o país graças à internet, responsável por 60% das vendas
Empresa familiar de Monção fatura em todo o país graças à internet, responsável por 60% das vendas

Comércio tradicional usa comparador de preços como montra e consegue bater preços e serviços prestados pelas grandes superfícies.

Parece uma charada, mas não é: como é que uma empresa familiar de eletrodomésticos de Monção vence a grande distribuição e vende para todo o país? A resposta está no comércio online e, no caso referido, num comparador de preços que serve de montra a quase meio milhar de lojas, o Kuanto Kusta.

Sedeada em Monção, a Electrorádio Comercial (ERC) tem quase 40 anos, mas o tempo encolheu-lhes o negócio e os clientes. Segundo Eduardo Afonso, um dos três filhos do fundador que trabalham na empresa, “se não fosse a internet, onde começámos a vender em 2007, o negócio estaria muito, muito mal”.

As vendas online representam, hoje, perto de 60% de toda a faturação e a maioria chegou-lhes através do Kuanto Kusta – em 2015, o site enviou-lhes 54.623 visitantes e 22% concretizaram a compra. Ao argumento dos preços “imbatíveis, na maior parte das vezes, devido às margens e aos custos menores, e a facilidade de pagamento só na entrega”, a empresa distingue-se pelo “serviço diferenciado” que transpõe o melhor do atendimento no comércio local para a internet.

“Prestamos um serviço mais cuidado aos clientes e já notamos que muitos começam a chegar-nos através da recomendação de amigos ou familiares”, remata Eduardo Afonso, que não reforçou especialmente a equipa devido ao negócio online. “Todos os nove funcionários atendem os telefonemas dos clientes online e respondem aos pedidos do site, por exemplo quando estão parados à espera de clientes. Só tivemos de investir nas carrinhas para as entregas, que são feitas por nós até Coimbra e pela DHL para o resto do país”, explica.

Maior concorrência tinha, há 10 anos, quando abriu, a Prinfor, no Porto. “Agora não temos, porque graças à nossa seriedade e prestação de serviços ao cliente, este prefere-nos não só pelo preço, mas pelo resto”, explica o fundador, Paulo Gonçalves. A presença da loja de informática e eletrónica no Kuanto Kusta “compensa, mesmo se não ficamos em primeiro no preço, porque é uma montra privilegiada” que lhes levou, no ano passado, 450 mil visitantes ao site. Para Paulo Gonçalves, é incontornável o “hábito cada vez maior de os portugueses pesquisarem preços na internet antes de comprar”, por isso as lojas online acabam por “conseguir bater os preços da grande distribuição, por terem custos e margens menores”. No caso da Prinfor, foram de apenas 9% em 2015, tendo já crescido lentamente desde os 5% de 2011. “Subimos às décimas, mas num negócio de milhões faz diferença. Temos de trabalhar mais do lado do aumento do negócio, por isso, este ano, vamos abrir outra loja física em Lisboa, para onde já enviamos 32% das vendas online”, revelou.

Com os parceiros, cresce também o Kuanto Kusta, o negócio lançado em 2005 por Pedro, David e Paulo Pimenta, filhos de emigrantes em França que regressaram a Portugal e queriam abrir uma loja de informática. “Tentámos saber qual era o comparador de preços mais usado pelos portugueses e disseram-nos que nunca tinham ouvido falar nisso”, recorda Paulo Pimenta, que percebeu ali um potencial de negócio.

Das 20 lojas iniciais do Kuanto Kusta, passaram para 460 no ano passado, com um milhão de produtos distribuídos por mais de 600 categorias. Em 2015, o site foi visitado mais de 19 milhões de vezes, originando vendas de 215 milhões de euros. “Queremos mais e melhores lojas, de confiança e que os consumidores procuram”, diz o CEO, Paulo Pimenta.

“O Kuanto Kusta é, por vezes, a única montra que coloca esses comerciantes no centro do mundo, por isso só queremos os melhores e já estamos a trabalhar em mais áreas de produtos”, remata.

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