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KuantoKusta. Vai ser possível saber se os saldos são ou não reais

Paulo Pimenta e os irmãos Pedro e David lançaram o KuantoKusta em 2005 e hoje a equipa tem quase 30 pessoas. 
Foto: Pedro Granadeiro/Global Imagens
Paulo Pimenta e os irmãos Pedro e David lançaram o KuantoKusta em 2005 e hoje a equipa tem quase 30 pessoas. Foto: Pedro Granadeiro/Global Imagens

Portal lançado há 12 anos seduz utilizadores com produtos novos. Já são 25 milhões a comparar preços antes de comprar.

Obter num único mês de 2016 mais visitas do que em todo o primeiro ano de atividade é um recorde de que se orgulha Paulo Pimenta, co-fundador e CEO do KuantoKusta. O portal que permite aos portugueses comparar preços está a caminho de fazer 12 anos e, em muitos aspetos, é como se estivesse a começar de novo. “Continuamos sempre a inovar e temos muitos projetos a decorrer, não podemos parar.” E assim cresce o grupo – mais de 25 milhões de portugueses compararam, este ano, preços de mais de um milhão de produtos através do portal.

“O domingo de Natal foi particularmente concorrido”, refere Paulo Pimenta. O motivo andará longe das suspeitas da maioria das pessoas, mas o portal corresponde facilmente ao pretendido: “Procuram saber quanto custaram os presentes que receberam, em muitos casos para os colocarem à venda no dia seguinte”.

Mas o aumento de 34% no número de visitantes deste ano não ficou a dever-se ao mês do Natal. “Novembro foi o nosso melhor mês, com um recorde de visitas que chegou a 120 mil visitantes num só dia, num total de 203 mil visitas; no primeiro ano, mal chegámos às 200 mil visitas”, revela Paulo Pimenta, recordando como introduziu o conceito em Portugal, em 2005, com os irmãos David e Pedro, ao regressar de França – onde os pais estiveram emigrados e onde os comparadores de preços já eram populares desde os anos 1990. Em Portugal, o hábito de comparar na internet antes de comprar tornou-se, afinal, quase obrigatório.

“Antes do Natal, o movimento no site aumentou substancialmente. Sabíamos que as pessoas andavam a planear as compras de Natal antes de irem às lojas físicas ou mesmo já nas lojas”, diz Paulo Pimenta.

Nesta verdadeira “montra” que é o KuantoKusta encontra-se mais de um milhão de produtos diferentes (só telemóveis são mais de dois mil), arrumados em 15 categorias, de mais de 400 lojas. São estes os clientes do portal e o modelo de negócio diz que cada clique vale um tanto. Quer comprem quer não comprem; quer vão pelo online quer se dirijam às lojas físicas. Neste caso, o KuantoKusta funciona apenas como ferramenta de marketing.

“Não conseguimos calcular quantas compras em lojas físicas foram direcionadas pelo KuantoKusta, embora pelos inquéritos e sondagens aos nossos utilizadores estimemos que cerca de 35% das pessoas vão comprar diretamente às lojas depois de terem visto os preços no KuantoKusta”, explica.

Outro dado relevante quanto à compra offline tem que ver com a utilização do portal quando os clientes estão nas lojas. “Sabemos que estarão nas lojas pelos horários em que fazem as pesquisas, que são diferentes dos horários de maior procura do portal”, indica o responsável, sublinhando que também o tráfego mobile é o que mais cresce: 36% em 2016, face aos 25% que já tinha crescido em 2015. A app KuantoKusta foi lançada em 2013 e permite ainda comparar preços através da leitura do código de barras de produtos – uma mais-valia para quem está na loja e quer saber rapidamente se aquele é o melhor negócio.

Em relação às vendas online direcionadas pelo portal, as contas deste ano deverão chegar perto de 270 milhões de euros, mais 25% do que no ano passado. A faturação do KuantoKusta, criado com um investimento inicial de 10 mil euros, vai também subir este ano 36% para perto de 1,4 milhões de euros. Para o ano que vem, o objetivo é atingir os dois milhões de euros na faturação.

Serão os produtos mais recentes e as novas funcionalidades nos mais antigos a permitir dar esse salto. Além do KuantoKusta Supermercados ter onze retalhistas como clientes – entre os quais as principais insígnias de hipermercados e supermercados -, o número de utilizadores tem também aumentado. “Habitualmente, é visitado por seis a sete mil pessoas por dia. A terça-feira é o dia mais forte, porque saem as promoções do Pingo Doce, depois é a quinta-feira, quando saem as do Lidl e do Minipreço”, revela Paulo Pimenta.

Esses utilizadores são verdadeiros “caça-pechinchas”, que escrutinam “todos os folhetos”, chegando a perder “20 minutos a analisar produto a produto”. É para eles que o KuantoKusta vai implementar a possibilidade de criar alertas de preço para os produtos preferidos.

Além disso, será criada a possibilidade de ordenar os produtos por percentagem de desconto, além da popularidade e do preço, crescente ou decrescente, já funcionais. “O desconto surge em euros ou em percentagem, atualmente, porque é conforme as insígnias os apresentam nos folhetos, mas estamos a trabalhar na uniformização por percentagem, que pode ser muito mais relevante”.

E para os supermercados há mais novidades. Além da plataforma PriceBench, lançada há meio ano, que permite aos retalhistas analisar os preços da concorrência – e já tem 20 clientes -, a equipa de 27 pessoas da KuantoKusta está a preparar uma ferramenta semelhante para as marcas. “Temos tido pedidos de várias marcas para desenvolver uma ferramenta que lhes permita saber a que preços são vendidos os seus produtos e também, é claro, ir controlando os preços da concorrência”, conta Paulo Pimenta.

Mas uma das mais importantes funcionalidades do KuantoKusta, a lançar em fevereiro do próximo ano, poderá ser a alteração da ficha dos produtos no site, com a indicação do histórico de preços e informação sobre os mínimos e médios do último mês, bem como a tendência de evolução do preço. “Será importante para os consumidores avaliarem a real dimensão das promoções, tal como são anunciadas, muitas vezes em dias como a Black Friday ou, agora, nos saldos”.

Assim, quando lhe tentarem vender um casaco de 100 euros por 50 euros com 50% de desconto, já saberá se de facto o valor do casaco foi de 100 euros nos últimos 30 dias (tal como a lei dos saldos exige, por exemplo) ou se foi inflacionado na véspera para aparentar melhor negócio.

“É claro que esta ferramenta nos exige algum cuidado para não melindrar os nossos clientes, por isso não haverá indicação do local onde foi encontrado o preço mínimo. Estamos a corresponder a uma exigência dos utilizadores que irá beneficiar quem está no mercado de forma séria e, portanto, tinha de ser feito”.

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