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“Lamento que ainda não existam linhas aéreas directas com o sul da Itália”

Santi Cianci, presidente da Camera Di Commercio Italiana Per Il Portogallo
Santi Cianci, presidente da Camera Di Commercio Italiana Per Il Portogallo

Santi Cianci, presidente da Camera Di Commercio Italiana Per Il Portogallo, fala das oportunidades na relação económica entre Portugal e Itália

Desafios e oportunidades na relação de Portugal com Itália dão o mote ao primeiro evento D´Italia, organizado pela Camera Di Commercio Italiana Per Il Portogallo (CCIP). Santi Cianci, presidente desta Câmara, e também CEO da Generali em Portugal, explica ao Dinheiro Vivo o porquê desta iniciativa e identifica vários desafios e oportunidades económicas nesta relação bilateral.

Pela primeira vez a Camera Di Commercio Italiana Per Il Portogallo (CCIP) promove a iniciativa D´ Italia, com o apoio institucional da Embaixada de Itália em Portugal. Qual o objetivo deste evento?
Até agora a Camera di Commercio Italiana tem tido um papel de intermediação entre empresas portuguesas e italianas principalmente em ocasião das numerosas feiras que acontecem durante o ano na Itália. Tais feiras referem-se principalmente aos setores de moda, design, decoração, indústrias de alimentos, mármores, mecânica, floricultura, vinhos etc. Este evento é uma tentativa de tornar conhecido o ‘made in Italy’ aqui em Portugal, a começar de Lisboa. Estarão presentes como expositores algumas das mais importantes empresas italianas, desde a Generali Seguros, GI Group, Ferrero, Calzedonia , Piaggio, etc, de vários sectores de atividades.

O que representa Portugal para Itália em termos de exportações e de importações?
No triénio 2016/ 2018 as relações comerciais entre os dois países intensificaram-se. As exportações de Portugal para Itália passaram de 1,7 mil milhões de euros para 2,4 mil milhões, ou seja, passou de oitavo para sexto maior destino. As importações de Itália passaram de 3,3 mil milhões para 4 mil milhões. A Itália representa o quarto maior fornecedor de Portugal.

Que oportunidades de investimento vê a Itália em Portugal?
As áreas mais promissoras são as da gastronomia, cerâmicas, design de interiores, calçado, moda e ,de certa forma , todo o setor de serviços entre os quais os seguros e consultadorias na área de tecnologias de informação .

Itália vê em Portugal um concorrente em termos de moda e design ou vê um parceiro? E porquê?
Moda e Design são certamente sectores de excelência do ‘made in Italy’. O intuito da Camera di Commercio é o de estimular parcerias entre os dois países, sendo que podem ser utilizadas várias formas de representação das principais marcas. Existe um grande mercado ainda não explorado nesses sectores.

O evento decorre entre sexta e domingo. Inclui um seminário sobre “Desafios e oportunidades”. Ao nível económico, pode identificar três desafios e três oportunidades nesta relação de Itália com Portugal?
Neste momento Portugal está a atravessar uma fase de pleno emprego e,em certos casos, a falta de pessoal qualificado está a afetar o crescimento da economia e o plano de desenvolvimento de várias empresas. Isso vale também para a Itália e para outros países da Europa.
A Camera di Commercio Italiana, através de seus associados e do network mundial das Câmaras de Comércio Italianas (são 78 câmaras em 55 países, com 140 escritórios e 18 mil associados) pode ser um veículo de procura de trabalhadores de outros países que queiram desempenhar suas qualificações profissionais em Portugal.
Em relação aos desafios e oportunidades, e sem querer subestimar outros sectores de atividade, acho que a área de turismo ainda pode crescer muito e lamento que ainda não existam linhas aéreas diretas com o sul da Itália, que oferece um imenso património cultural e artístico, além das encantadoras belezas naturais. Isso vale também para Portugal, ainda não conhecido pela maioria dos italianos. As oportunidades e os desafios serão uma consequência.

Na sua opinião o que falta para que a relação económica entre os dois países seja ainda mais próxima?
Falta um maior conhecimento cultural entre os dois países. Particularmente estou convencido de que existe uma grande simpatia recíproca e que este fator pode ser fundamental para futuras parcerias em todos os setores da economia. Por outro lado, é preciso investir mais em iniciativas como esta, a D’ Italia, que decorre de 28 a 30 de junho, no Centro de Congressos de Lisboa.

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