Retalho Alimentar

Lidl exporta 148,5 milhões de euros de produtos nacionais

03.06_LIDL

Vinho verde nacional entrou nos Estados Unidos nas lojas Lidl. Exportações subiram cerca de 50% em 2018 face ao ano fiscal anterior.

Pera Rocha, bacalhau e azeite foram alguns dos 206 produtos nacionais que, no ano fiscal do ano passado, foram exportados pela cadeia alemã para a rede de supermercados na Europa e Estados Unidos. Um total de 148,5 milhões de euros, um crescimento de 48,5% face ao ano fiscal anterior e de 112% face aos 70 milhões exportados em 2016.

“Em dois anos mais do que duplicamos o valor que exportamos”, destaca Bruno Pereira, administrador de compras do Lidl Portugal, num encontro com jornalistas. Os produtos seguem de fornecedores nacionais para 30 dos 32 mercados onde o Lidl está presente e para a sua rede de 10.600 lojas na Europa e Estados Unidos.

Os Estados Unidos é, de resto, a mais recente geografia a receber exportações de produtos nacionais, com a entrada de um vinho verde no sortido de oferta fixo. A cadeia já tinha feito, em anos anteriores, promoções de vinho nas lojas nos EUA, mas agora trata-se de uma referência permanente. Para este mercado seguiram igualmente no verão 20 mil garrafas de vinho tinto Azinhaga do Ouro. No total, 3 milhões de garrafas de vinho seguiram para o mercado externo.

Mas o campeão das exportações são as frutas e legumes. O ano fiscal passado, tal como já tinha sido noticiado em fevereiro pelo Dinheiro Vivo, a cadeia exportou 15 mil toneladas de frutas e legumes, com destaque para a Pera Rocha. Só este fruto representou 10,8 mil toneladas, seguido de 2,7 mil toneladas de frutos vermelhos, com destaque para a couve coração que gerou 1,3 mil toneladas de exportações.

Em fevereiro, o Lidl admitia que estava a estudar com a Portugal Fresh quatro novos frutas e legumes para exportação, mas quando questionado pelo Dinheiro Vivo sobre o tema, Bruno Pereira não adiantou mais detalhes. “Alguns estão a começar os testes. Em janeiro iremos partilhar os resultados”, disse apenas.

Leia e veja o vídeo: Laranja do Algarve poderá ser a nova exportação do Lidl

Azeite: reforço de acordo com Sovena

Em 2016 o Lidl exportou 7,5 milhões de litros de azeite português para a França, Holanda, Inglaterra e Irlanda, tendo no ano seguinte feito um novo acordo com a Sovena para estender a exportação a 22 mercados, para um volume de 22 milhões de litros de azeite. Um crescimento de 66%.

Valor que voltou a subir em 2018. Nesse ano, a cadeia exportou mais de 24 milhões de litros de azeite, tendo este tema “passado a ser acompanhado diretamente pela sede”, refere Bruno Pereira.

Um crescimento de cerca de 9% que demonstra que o azeite português “consegue ser competitivo com duas grandes potenciais (de produção), Espanha e Itália”, diz o administrador de compras do Lidl Portugal. “O aumento do turismo ajuda-nos neste processo”, comenta.

França, Suíça, Bélgica, Áustria e Suécia foram os principais mercados externos que receberam 115 toneladas de bacalhau. Tendo também o Lidl exportado, para cerca de 10 países, um total de 800 mil embalagens de salgados, tendo seguido no verão também para os EUA 2.500 embalagens de pastéis de bacalhau para a feira temática Sol & Mar (com produtos ibéricos).

Exportações LIDL-01

O ano passado a cadeia registou um crescimento de 33% nas exportações de leguminosas (grão e feijão frade), tendo sido enviado para 24 países um total de 18,6 milhões de embalagens.

Broa de Milho e Pão da Avó foram os produtos estrela da exportação de pão do Lidl, que enviou sobretudo para Espanha e Luxemburgo um total de 28 milhões de pães. “O que representa uma duplicação face a 2016”, destaca Bruno Pereira. Pastelaria foi um produto igualmente exportado, com 8 milhões de produtos de pastelaria diversa, a seguir igualmente para estes dois mercados.

Um milhão de garrafas de piri-piri seguiram para 20 países europeus.

Alemanha, França, Suíça e Luxemburgo são os mercados com o maior peso no volume de compras.

Relação com produção

“Tem havido uma evolução muito grande na organização dos produtores”, realça Bruno Pereira, situação “que não é só verdade no sector da fruta, hortícolas e vinho”. Desde 2014, por exemplo, que a cadeia alemã tem um parceira com a Portugal Fresh, o que permitiu aumentar o volume de exportações da Pera Rocha para o mercado alemão.

“Tudo o que for bom para a visibilidade da produção nacional é positivo”, diz Bruno Pereira, quando questionado sobre se não receava que os produtores nacionais optassem por trabalhar mais com a Mercadona em detrimento do Lidl. “Respeitamos muito a Mercadona. Ficamos muito felizes por tudo o que represente maior visibilidade para os produtores nacionais”.

Em 2018, a Mercadona fez 88 milhões de euros de compras a fornecedores portugueses. Vinho, queijos e pão de deus são alguns dos produtos que ajudam à subida de 39,7% no volume de compras, volume alcançado antes da abertura dos primeiros supermercados no norte do país.

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