Lidl investe 7,5 milhões em aumentos salariais dos trabalhadores

Reforço médio de 3% chega a todos os colaboradores já em 2022, com objetivo de fixar equipas. Compromisso alarga-se a aumentar horários parciais.

Enquanto o governo aprovava a subida do salário mínimo para os 705 euros, há um par de dias, no Lidl eram diferentes as contas que se faziam para recompensar os trabalhadores pelo esforço extra em dois anos particularmente difíceis e para contornar a crise de mão-de-obra que se sente em todo o país e nos mais diversos setores. Firmando a aposta que tem vindo a fazer nos seus recursos humanos desde que chegou ao país, o Lidl Portugal vai investir mais de 7,5 milhões de euros em aumentos salariais já no próximo ano, fixando em 750 euros o patamar de entrada dos seus colaboradores (para uma carga de 40 horas semanais). Uma subida salarial sustentada que se soma ao prémio extraordinário de até 40% do salário bruto que a cadeia alemã distribuiu aos seus colaboradores que estiveram "na linha da frente" na fase crítica da pandemia.

"O aumento tem como objetivo máximo continuar a contribuir para a criação de um emprego estável e de qualidade, no qual acreditamos", explica ao Dinheiro vivo Maria Román, administradora de Recursos Humanos da marca em Portugal, explicando que mais de 80% deste investimento total, que resulta numa subida salarial média superior a 3%, se destina a colaboradores das lojas e entrepostos. O objetivo passa pelo reconhecimento do empenho dos seus funcionários, mas também pela necessidade de "motivar e fidelizar equipas", com o compromisso a estender-se ao "aumento progressivo da carga horária dos colaboradores que atuam na operação, até alcançar uma carga horária mínima de 28 horas, que se refletirá igualmente num aumento do ordenado".

Maria Román lembra que a política salarial do Lidl prevê "escalões de subida de forma que, quanto mais tempo o colaborador estiver na empresa, maior o salário recebido, sendo esta uma progressão automática". Muito na lógica de valorizar a carreira que ainda há uma semana defendia, em entrevista ao Dinheiro Vivo e TSF, o secretário-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, como impulso de melhoria de condições e atração e fixação de trabalhadores no setor.

"Queremos continuar a garantir o nosso posicionamento como um dos melhores empregadores do setor do retalho no país, não só em termos de salário tangível mas também nas condições de trabalho, adaptando-nos a uma nova realidade que nos tem mostrado que a flexibilidade de horários ou do lugar de trabalho, nos escritórios e postos em que isto é possível, permite que os nossos colaboradores continuem a dar o seu melhor", concretiza a responsável, em entrevista ao Dinheiro Vivo. "O investimento nos colaboradores é a chave para o sucesso", reconhece, justificando assim os diversos benefícios oferecidos para que se mantenham "felizes" na carreira.

A melhoria das condições oferecidas pela cadeia tem vindo a materializar-se em várias dimensões, incluindo, por exemplo, um suplemento ativado há dois anos, de 20% do ordenado, para os colaboradores em funções de forma continuada em temperaturas negativas nos entrepostos. Por outro lado, todos os funcionários têm seguro de saúde ("com um valor de mercado de 440 euros e extensão ao agregado familiar em condições muito vantajosas"); subsídio de refeição máximo permitido por lei (7,63 euros/dia) que representa um incremento de 150 euros nos salários; e formação garantida, num investimento do Lidl Portugal que representou mais de 3 milhões de euros em 2021 (cerca de 400 euros por colaborador).

A estabilidade conseguida pela cadeia alemã vem logo desde o formato de contratação, com 98% dos 8200 colaboradores do Lidl em Portugal nos quadros da empresa (os restantes 2% correspondem a reforços sazonais de pessoal) e iniciativas que permitem monitorizar e melhorar o bem estar dos trabalhadores, incluindo a Linha do Colaborador, que estabelece contacto direto com cada um dos funcionários e benesses como o kit bebé, no valor de 123 euros, oferecido a todos os novos pais e mães, ou a ajuda específica, que no ano passado chegou a 56 famílias, através dos desejos e necessidades partilhados no Calendário dos Sonhos de Natal. "Já oferecemos desde cabazes de artigos para bebé a cartas de condução, computadores portáteis ou viagens familiares e temos agora em curso a segunda edição", revela Maria Román.

Sustentabilidade e igualdade são prioritárias

As garantias de um maior envolvimento das equipas e que resulta num compromisso que tem permitido à cadeia alemã captar e fixar mão-de-obra não se esgotam nas condições diretas oferecidas aos colaboradores, estendendo-se aos compromissos assumidos em áreas cada vez mais valorizadas pela sociedade. "No Lidl não só promovemos a igualdade salarial entre homens e mulheres, colaboradores de lojas e entrepostos, de norte e sul do país, para a mesma categoria profissional, como também a igualdade de oportunidades a nível de promoção interna - que chegou a 1461 colaboradores nos últimos dois anos", explica a responsável dos Recursos Humanos. "Assinámos também, em novembro, o compromisso para a Meta Nacional para a Igualdade de Género, uma iniciativa do Global Compact Network Portugal, que visa alcançar 40% de mulheres em cargos de decisão até 2030."

Para Maria Román, todos estes aspetos contribuem não apenas para a solidez da empresa como são "garantia de criação de riqueza no país, com um forte investimento, criação de emprego estável e de qualidade, assim como cada vez mais e melhor oferta de qualidade ao melhor preço aos clientes, graças ao trabalho de parceria junto dos fornecedores". E em toda a operação há ainda uma crescente preocupação no sentido de tornar cada vez mais séria a aposta do Lidl na sustentabilidade.

"Continuaremos a investir em artigos nacionais, certificados, na nossa política de redução de resíduos em geral e plásticos em específico, assim como na expansão da rede de postos de carregamento para carros elétricos." Chegar a cerca de 100 lojas, até fevereiro, de forma a marcar presença em todas as capitais de distrito é o compromisso assumido no âmbito da "promoção de estilos de vida sustentáveis, apoio às comunidades locais e proteção do planeta".

Crise energética impacta mas apostas ajudam

Se o Lidl tem conseguido passar ao lado da crise da mão-de-obra, Maria Román assume que a subida dos preços dos combustíveis e da energia têm tido impacto na operação. Sente-se, por exemplo, na frota, "já que diariamente fazemos chegar, através dos entrepostos, produtos a 267 lojas de norte a sul". Ainda assim, os esforços rumo a uma operação mais sustentável dão frutos e isso tem permitido segurar parte deste efeito. "Investimos na contínua evolução da eficiência no transporte dos produtos, com otimização de rotas, ocupação dos camiões e recorrendo a outras formas de energia; por exemplo a frota do Lidl tem neste momento camiões a gás natural", justifica a responsável. Adicionalmente, "nos nossos edifícios, e em todos os processos, procuramos identificar soluções que diminuam o consumo de recursos em toda a operação".

Em 2018 o Lidl obteve a certificação ISO 50001, reconhecendo a necessidade de um sistema de gestão de energia que permita definir, implementar e monitorizar medidas visando a redução do consumo energético. "A nossa sede possui igualmente a certificação LEED (nível Gold), que visa promover e estimular práticas a nível de construção sustentável, contribuindo para uma edificação verde. Garantimos também que o fornecimento de energia de todos os edifícios novos ou remodelados (sede, entrepostos e lojas), é feito com recurso a fontes de energia 100% renováveis e verdes, desde 2019." Tudo isto tem ajudado a reduzir a pegada de carbono do Lidl Portugal - que assume a meta de chegar ao fim de 2022 com um corte pelo menos 70% das emissões, a nível operacional, face a 2019 - mas também a aplacar os efeitos da subida de preços da energia e combustíveis.

De resto, o compromisso com a expansão no país mantém-se forte, depois de um ano em que a cadeia aqui investiu 180 milhões de euros, incluindo a expansão à Madeira no mês passado, com um investimento de 100 milhões e as primeiras aberturas marcadas para 2023, criando 150 novos postos de trabalho e com um impacto de 20 milhões em compras a fornecedores madeirenses, comerciais e de serviços. Se vêm aí novas aberturas, Maria Román não revela ainda.

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