Light. Pernod Ricard investe em nova categoria de espirituosas

Portugal é o segundo país a receber novas bebidas com metade do álcool. Grupo quer chegar a novos targets e criar momentos diferentes de consumo.

Estudos de mercado, atenção às tendências e investimento em desenvolvimento. Na Pernod Ricard repararam na "necessidade dos consumidores de ter uma vida mais equilibrada, com mais preocupações com a saúde, mas o consumidor continua a precisar também de momentos de convívio, continua a querer um copo com os amigos e família", diz ao DV Joana Franco, head of marketing do grupo em Portugal, que lançou nesta semana duas novas bebidas espirituosas, um gin e um whisky com metade do álcool: uma graduação de 20 graus e metade das calorias. "Criarmos esta categoria light foi uma mistura das duas coisas, mantermos esta parte social, mas com uma componente de menor graduação alcoólica e com menos calorias".

O objetivo é o de poder chegar a quem é "apreciador de um bom gin ou de um bom whisky e que em alguns momentos quer um consumo mais moderado e equilibrado. Não quer dizer que não seja o mesmo consumidor, mas em ocasiões de consumo diferente, ou eventualmente novos consumidores que pensam que um whisky é muito forte , mas que até bebem uma cerveja. Assim temos uma oferta mais light para permitir a estes consumidores usufruírem" destas bebidas e "temos aqui um potencial de crescimento enorme".

Joana Franco lembra ao DV que os produtos já estavam em desenvolvimento, mas a pandemia veio baralhar todo o mercado e os dados que recolheram, com a consultora Nielsen, mostraram que havia espaço para esta aposta e para começar pelos pontos de venda ao público: dois em cada três portugueses dizem ter mudado os seus hábitos para reduzir os gastos domésticos e a maioria dos consumidores reduziu quase dez idas às compras ao longo do último ano. Ou seja, aumentaram o tamanho das cestas de compras, compraram-se embalagens maiores das marcas habituais, mas também trocaram as suas marcas habituais por outras mais baratas; 49% apontou a saúde como principal preocupação, 80% procurou uma alimentação mais saudável e 64% faz questão de comprar opções mais saudáveis.

Quanto às bebidas espirituosas, o estudo identificou uma antecipação do consumo para o final de tarde/início de noite, com o consumidor a estar mais aberto à inovação. O que leva então a Pernod Ricard a lançar a versão light destas duas bebidas. Questionados sobre a designação, os responsáveis do grupo confirmam que não houve problemas legais com o termo light, que poderá mesmo vir a incluir outras bebidas no futuro: "rum, licores, está tudo em aberto. Fomos para as mais representativas, porque o whisky representa 50% das bebidas espirituosas em Portugal, que tem um consumidor mais tradicional. E o gin foi das mais dinâmicas nos últimos anos e é das bebidas mais importantes no setor".

Espanha foi o primeiro país a receber estas versões. Agora, em Portugal, 12% do investimento total do grupo este ano será nesta categoria e Joana Franco avança que tem, "como previsão, no espaço de cinco anos, porque é um plano a longo prazo, que estes produtos representem 10% a 15% do volume de negócio das marcas principais". O preço será semelhante às versões normais, porque, diz, "é uma oportunidade para o consumidor. Sempre que há um produto bio ou light, normalmente são mais caros e sentimos que isso não fazia sentido. O objetivo é proporcionar o mesmo momento de consumo, mas de forma mais equilibrada e para o consumidor o custo terá de ser o mesmo, até para promover a experimentação, isso vai ajudar a que os produtos cresçam."

O lançamento vai começar pelos canais de mass market, ou seja híper e supermercados, mas Joana Franco quer marcar presença também em bares e restaurantes: "esperamos que o canal Horeca retome o seu andamento normal, até porque o produto tem espaço para viver nos dois canais, com consumo em casa e também na rua".

Quanto aos métodos usados para reduzir o álcool a metade, explica que as duas bebidas foram desenvolvidas pelos seus master blenders habituais. "Foi um processo que demorou algum tempo. No Ballantine"s, o nosso master blender pegou nos vários whisky para criar um novo blend mais leve e mais cítrico. No gin há uma diluição maior, mas com mais aromas naturais do London Dry para lhe conferir a mesma complexidade e os mesmos aromas."

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