Liliana Guerreiro com loja própria no centro do Porto

O distrito das artes, a dois passos da rua Miguel Bombarda, foi o local escolhido pela designer

Liliana Guerreiro, a designer de Viana do Castelo que reinventou a filigrana, desconstruindo a complexidade da técnica nos seus elementos primários – o filum (fio) e o granum (grão) - e criando peças "modernas e inovadoras", escolheu o centro do Porto para abrir o seu primeiro espaço próprio. A loja, sita no número 129 da rua do Rosário, é simultaneamente atelier, o que permite um contacto diretos dos clientes com a criadora.

A loja foi inaugurada no fim de 2017, ano grande na carreira da designer, que venceu o prémio de 'melhor peça de joalharia' na feira Inhorgenta, em Munique, na Alemanha, com o colar 'Elementos', foi convidada a expor em Basileia, na Suíça, na mais luxuosa feira da Europa, e onde apresentou a sua primeira coleção de ouro e diamantes, a 'Dew', e esteve em Nova Iorque a representar a joalharia portuguesa no LOOT: MAD About Jewelry, um dos mais conceituados eventos de joalharia contemporânea do mundo.

Liliana Guerreiro não tem qualquer tradição familiar no setor da joalharia, mas, desde pequena que se dedicava a desmanchar as peças da mãe para as reinventar. “Usava os aros dos anéis como base e depois colava-lhes conchas com super cola 3”, conta. Ainda hoje guarda algumas dessas peças. Licenciou-se em Design de Joalharia na ESAD – Escola Superior de Artes e Design, em 1999, e alugou uma oficina com duas amigas onde foi fazendo experiência e desenvolvendo as suas primeiras peças, que vendia à família e amigos.

A loja do Museu de Serralves foi o primeiro espaço a colocar as suas joias à venda, que hoje podem ser encontradas em 30 pontos de venda em todo o país, mas, também, na Alemanha, Itália, Bélgica ou Estados Unidos. Os mercados externos valem cerca de 30% das suas vendas. Um dia gostava de ter uma loja própria fora de Portugal, mas admite que é um sonho que ainda está longe de poder ser concretizado. “É preciso dar um passo de cada vez. Há vários anos que procurava um espaço próprio, queria experimentar ser eu a dispor as minhas joias como gosto, a ter uma imagem para o exterior, uma montra do meu trabalho. E, finalmente, encontrei o local ideal. Não é só uma loja, é, também, atelier e escritório, o que me facilita a vida”, diz.

A escolha da rua do Rosário, no 'distrito das artes' e a dois passos de Miguel Bombarda, não foi um acaso. “Esta zona está mais vocacionada para o meu tipo de cliente, arquitetos, designers, pessoas ligadas às artes, que não compram uma peça só por comprar, mas que entendem o trabalho manual e lhe dão o seu real valor”, explica. Com esta nova aposta, Liliana Guerreiro espera triplicar as vendas no espaço de dois anos. “É um risco, mas eu acredito que vai correr bem”, afirma. Os turistas são uma grande fatia dos seus clientes. Não é por acaso que o seu ponto de venda no Hotel Yeatman, em Vila Nova de Gaia, é onde faz mais sucesso e vendas.

Todas as suas coleções contam com colares, brincos, anéis, pulseiras e botões de punho, a pensar, também, no universo masculino. Produz as suas joias, tanto em prata, como em ouro ou em prata com plaquê de ouro, em estreita parceria com uma oficina de artesãos na Póvoa do Lanhoso, que foi reativada por via desta colaboração e que, hoje, trabalha já em exclusivo para si. Peças cujo preço varia entre os 40 euros e os oito mil euros.

Conseguir que os clientes entendam o real valor das suas joias é a sua maior dificuldade, sobretudo numa altura em que a filigrana está a ser industrializada e usada como uma técnica barata. Uma das razões que levaram Liliana Guerreiro a investir na sua própria loja foi isso mesmo. “Quero chegar a um cliente que perceba o luxo das minhas peças, todas criadas manualmente, e que esteja disposto a pagá-lo”. O Japão é um dos mercados onde gostaria de apostar. Um dia.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de