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Lisboa acolhe primeiro congresso de transportes com impacto ambiental zero

Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

Congresso europeu ITS2020 vai tomar medidas ambientais inéditas: convidados VIP vão partilhar carrinhas elétricas e delegados vão andar de autocarro.

Lisboa vai receber pela primeira vez o congresso europeu da rede ERTICO-ITS. Entre 18 e 20 de maio, a capital portuguesa vai ser o epicentro de todas as discussões sobre a mobilidade inteligente e a digitalização dos transportes. Também pela primeira vez, este congresso vai ter impacto ambiental zero, no ano em que Lisboa é a capital verde europeia.

A procura pela neutralidade carbónica – em que as emissões produzidas são compensadas – começou na semana passada, através da plantação de 200 árvores em Lisboa, com a ajuda de mais de 200 voluntários. A 100 dias do evento, a organização do congresso quer começar os preparativos com “crédito positivo”.

O próximo passo será dado no transporte dos participantes: “cada país terá de compensar, internamente, as emissões produzidas pelos convidados”, adianta Inês Viegas, a coordenadora nacional do ITS2020 em entrevista ao Dinheiro Vivo. No total, vão juntar-se 3000 delegados no Centro de Congressos de Lisboa.

Durante o congresso, “todos os congressistas vão ser transportados em autocarros elétricos ou a gás natural da Carris e os convidados VIP terão de partilhar carrinhas elétricas”.

Dentro da antiga FIL, “a comida no evento será servida em loiça e o que sobrar será dado a instituições de solidariedade social. Não vão existir garrafas de plástico e a água será proveniente da rede da EPAL”, acrescenta Inês Viegas.

Estas preocupações da organização do ITS2020 decorrem dos dois principais temas que estarão em causa na área dos transportes até 2050 e que vão caminhar lado a lado: “a digitalização aplicada ao transporte como grande oportunidade para a economia europeia e assegurar os valores europeus no plano mundial; em oposição, temos o grande desafio da descarbonização. Não podemos manter este estilo de vida sem pôr em causa a sustentabilidade do planeta”.

O próprio congresso de Lisboa também vai servir para abordar “ideias criativas” para lidar com um tema “altamente complexo, que escapa normalmente ao cidadão comum”, complementa Pedro Barradas, líder de estratégia da ArmisITS e que trabalhou durante quatro anos na Comissão Europeia nesta área.

“Poderemos falar de novos comportamentos e atitudes, mais consciencialização, prioridade a escolhas da forma como nos movemos do ponto A para o ponto B. O congresso pode abrir espaço a pensarmos de maneira diferente. Estamos a falar de transformações de décadas, que não se fazem apenas com uma nova aplicação para o telemóvel.”

O ITS2020 também vai servir para mostrar que o transporte “não pode ser uma forma de exclusão social”, assinala Inês Viegas. “Pensemos, por exemplo, no caso das senhoras da limpeza, que não se sentem seguras a viajar de madrugada para os escritórios, numa hora em que não há cobertura de transportes. A tecnologia devia resolver o problema a estas pessoas: poderia haver uma carrinha para transportá-las.”

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