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Lisboa anunciou 4320 lugares low cost. Só há 1400

Agentes de fiscalização da EMEL em Lisboa. (João Silva/ Global Imagens)
Agentes de fiscalização da EMEL em Lisboa. (João Silva/ Global Imagens)

EMEL prometeu estacionamento a 10 euros/mês há mais de dois anos na cidade. Do Papa aos atrasos na Feira Popular, nem um terço dos lugares foi criado.

A EMEL anunciou, em maio de 2017, a criação de uma rede de parques de estacionamento dissuasores nas entradas de Lisboa. Seriam disponibilizados pelo menos 4320 lugares, a dez euros por mês para quem tem passe de transporte público, em locais próximos do metro e do autocarro, para travar a entrada de 370 mil automóveis, todos os dias, na capital.

Dois anos e meio depois, existem apenas 900 lugares pagos na Ameixoeira e no Areeiro e mais 500 lugares grátis na Bela Vista e em Pedrouços. Apenas um terço do plano original está concretizado. O balanço é ainda mais negativo se somarmos a ideia de construir um parque em Moscavide.

Luís Natal Marques, presidente da EMEL, anunciou em entrevista ao Público, em 2017, a construção de quatro parques e a negociação de preços com empresas privadas.

Os parques construídos iriam criar um total de 2950 lugares: na Ameixoeira (500 lugares), na Pontinha (2000), no Areeiro (300, que acabaram em 400) e em Pedrouços (150). As negociações com empresas privadas iriam permitir mais 1370 lugares, nos estádios da Luz (800) e de Alvalade (200) e ainda no Pingo Doce da Bela Vista (370).

Mais tarde, a EMEL acrescentou dois parques nos planos de atividades de 2018 e de 2019. No ano passado, admitiu criar 500 lugares low cost na zona de Moscavide (ver página 34); neste ano, somou a abertura de um parque de 1500 lugares junto ao rio Trancão (ver página 27).

Os dois planos mais recentes, no entanto, acabaram por não passar do papel. “O parque de Moscavide, sendo os terrenos propriedade da Universidade de Lisboa, foi decisão da respetiva reitoria fazer no local um empreendimento de residências universitárias”, justifica ao Dinheiro Vivo fonte oficial da EMEL.

Deixar o carro perto do Trancão vai ser impossível nos próximos anos por causa das Jornadas Mundiais da Juventude. “Não irá avançar por agora, uma vez que os terrenos irão ser utilizados para a receção aquando da vinda do Papa a Lisboa em 2022.”

Os problemas não ficam por aqui. “Em relação ao parque da Pontinha, aguardamos que haja acordo entre as câmaras de Lisboa, da Pontinha e da Amadora e o Metropolitano de Lisboa para que o terreno nos seja cedido.”

Junto à nova Feira Popular – praticamente ao abandono -, a empresa municipal lembra que os terrenos “encontram-se na fronteira dos municípios de Lisboa, Amadora e Odivelas. Os procedimentos têm de ser concertados entre si e tem de haver entendimento com o Metro de Lisboa”.

E quanto às tarifas reduzidas em locais privados? A EMEL alega que não houve acordo com a entidade que gere o estacionamento no Estádio da Luz porque “apresenta algumas limitações em razão das suas acessibilidades”. Não foi dada qualquer resposta em relação ao estádio de Alvalade.

O que foi feito?

Nos parques que existem, metade do estacionamento da Ameixoeira está ocupado, em horário laboral. No parque do Areeiro – parque Manuel Gouveia – a gestora de estacionamento defende que “ainda é cedo para se fazer uma avaliação”. Este espaço foi inaugurado em julho deste ano; a primeira data apontava para novembro do ano passado.

Também estão a funcionar os parques gratuitos na Bela Vista e em Pedrouços graças a acordos firmados pela EMEL com o Pingo Doce e a Administração do Porto de Lisboa, respetivamente.
Para o próximo ano não são esperados grandes desenvolvimentos. No orçamento de 2020, apresentado esta semana, o município liderado por Fernando Medina escreveu apenas que se prevê “continuar a construção de parques dissuasores da entrada de veículos na cidade”. Sem mais nada.

Reforçar estes parques é crucial para a mobilidade dentro de Lisboa: os condutores perdem 162 horas por ano no trânsito. A capital portuguesa está no lugar 29 do ranking elaborado pela consultora INRIX que mede os impactos do tráfego em mais de 200 cidades de 38 países. Perde-se mais tempo no trânsito em Lisboa do que em Barcelona, Berlim, Madrid, Munique, Manchester e São Paulo.

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