Lucro da Corticeira Amorim cai 19,7% para 16 ME no 1.º trimestre

Resultados da empresa foram penalizados pela pandemia, mas, também, pela desvalorização cambial

O lucro da Corticeira Amorim caiu 19,7%, para 16 milhões de euros, no primeiro trimestre em termos homólogos, tendo as vendas recuado 2,0%, para 199,6 milhões, penalizadas pela pandemia e desvalorização cambial, divulgou a empresa.

"A atividade das unidades de negócio continuou a ser condicionada pelas medidas restritivas implementadas por diferentes países para conter a propagação da pandemia covid-19, com consequências profundas nas economias e padrões de consumo globais", refere a Corticeira Amorim num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Salientando que a comparação homóloga é feita "com vendas do primeiro trimestre de 2020 não afetadas por covid-19", a empresa refere que "a evolução cambial teve também um impacto desfavorável", sendo que, "excluindo este efeito, as vendas teriam sido em linha com as do ano anterior".

Até março, a empresa com sede em Mozelos, Santa Maria da Feira, reporta uma queda homóloga de 10,2% do EBITDA (resultados antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) consolidado, para 32,1 milhões de euros, tendo o rácio EBITDA/vendas diminuído de 17,6% para 16,1%.

Segundo a corticeira, e "apesar do efeito favorável dos preços da cortiça consumida", esta evolução "foi penalizada por um efeito cambial desfavorável, menores rendimentos da cortiça, redução dos níveis de atividade e 'mix' de produtos menos favorável", sendo ainda "de salientar o aumento de preço de algumas matérias-primas não cortiça e a subida significativa dos custos de transporte".

"Adicionalmente -- nota -- há a considerar que o primeiro trimestre de 2020 foi o que apresentou a maior rentabilidade e o único com crescimento das vendas, o que condiciona significativamente o comparativo com o período homólogo deste ano".

Numa análise por unidades de negócio (UN), verifica-se que todas registaram decréscimos de vendas, com exceção das UN Aglomerados Compósitos (+9,5%) e Isolamentos (+17,5%).

As vendas da UN Rolhas -- que representaram cerca de 70% da faturação consolidada da Corticeira Amorim -- foram de 140,5 milhões de euros, menos 3,0% face ao período homólogo, "refletindo uma redução dos volumes e uma alteração do 'mix' de produto, em consequência da redução e mudanças nos padrões de consumo de vinho", e também a desvalorização do dólar.

Já na UN Revestimentos as vendas recuaram 3,1%, somando 30,6 milhões de euros, "penalizadas pelo encerramento temporário de alguns clientes (nomadamente na Alemanha)".

A UN Aglomerados Compósitos aumentou as vendas em 9,5%, para 27,2 milhões de euros, "impulsionada sobretudo pela recuperação em segmentos fortemente penalizados em 2020 e pela normalização do funcionamento da atividade após as perturbações decorrentes da implementação do SAP ['software' de gestão]". Excluído o efeito da desvalorização do dólar, as vendas desta UN teriam subido 13,2%.

De acordo com a Corticeira Amorim, "as 'joint-ventures' recentemente criadas (Amorim Sports e Corkeen) e os novos produtos e aplicações continuaram a mostrar um grande dinamismo, tendo contribuído com vendas de mais de três milhões de euros".

Quanto às vendas da UN Isolamentos, cresceram 17,5%, para 3,5 milhões de euros (teriam progredido 18,6% sem os efeitos cambiais), "beneficiando da recuperação da atividade nos seus mercados mais relevantes, nomeadamente França, Portugal e Itália".

Analisando a rentabilidade por unidades de negócio, a Corticeira Amorim salienta que o EBITDA conjunto das UN Matérias-Primas e Rolhas ascendeu a 28,8 milhões de euros, tendo sido "impactado negativamente pela subida do preço das matérias-primas não cortiça e dos custos de transporte, bem como pelos menores rendimentos de trituração".

O rácio EBITDA/vendas recuou dos 23,2% do primeiro trimestre de 2020 para 20,2%.

Já a UN Revestimentos registou um EBITDA de 2,1 milhões de euros (1,3 milhões no trimestre homólogo), traduzindo "a continuação dos esforços de restruturação e de redução do nível de 'break-even'", tendo-se verificado uma diminuição dos custos operacionais (apesar do agravamento significativo dos custos de transporte)".

A rentabilidade desta UN beneficiou ainda da redução do preço de consumo de cortiça e de uma evolução cambial mais favorável, tendo o respetivo rácio EBITDA/vendas subido de 4,1% para 7,0%.

O EBITDA da UN Aglomerados Compósitos cifrou-se em 1,3 milhões de euros (2,1 milhões em 2020) e o rácio EBITDA/vendas baixou para 4,9% (8,3% no período homólogo), enquanto a UN Isolamentos "apresentou uma evolução muito positiva no período", com uma subida do EBTDA de 200 para 800 mil euros e uma expansão do rácio EBITDA/vendas de 5,2% para 22,7%, dado o "crescimento robusto das vendas e redução do preço de consumo de cortiça".

No final de março, a dívida remunerada líquida da Corticeira Amorim baixou 35 milhões de euros, para 75,6 milhões de euros, (face aos 110,7 milhões de euros do final de 2020) "beneficiando de uma evolução favorável das necessidades de fundo de maneio (8,4 milhões de euros) e de níveis de investimento em ativo fixo mais baixos (6,4 milhões).

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