Lucros da Jerónimo Martins recuam 19% para 312 milhões o ano passado

O grupo dono do Pingo Doce e da Biedronka registou vendas consolidadas de 19,3 mil milhões de euros, uma subida de 3,5%.

O grupo Jerónimo Martins viu os lucros recuar 19% o ano passado, para 312 milhões de euros. Em ano de pandemia, o grupo dono do Pingo Doce e da Biedronka registou vendas consolidadas de 19,3 mil milhões de euros, uma subida de 3,5%, com o contributo do crescimento de 2,4%, para 5,1 mil milhões de euros, das vendas no último trimestre do ano passado.

"Num ano marcado por uma exigência sem precedentes espoletada pela pandemia de covid-19, o grupo registou um sólido desempenho operacional e reforçou o seu balanço. Foi um ano de verdadeira superação por parte das nossas equipas, em especial daquelas que, trabalhando nas lojas e nos centros de distribuição, estiveram na linha da frente das operações", afirma Pedro Soares dos Santos, CEO do grupo Jerónimo Martins, citado no relatório e contas de 2020.

"Nunca, como em 2020, nos sentimos tão chamados a estar próximos dos nossos consumidores, das nossas pessoas, dos nossos fornecedores, em especial dos pequenos produtores do setor primário e das comunidades que os nossos negócios servem. Desde o primeiro momento, procurámos responder aos múltiplos desafios que se colocavam aos nossos negócios ao mesmo tempo que tomávamos a iniciativa de apoiar os esforços onde era mais necessário: junto dos hospitais e lares de idosos, no financiamento à investigação e nas ajudas alimentares", diz o gestor.

"Entrámos em 2021 com a confiança renovada na capacidade de cada insígnia antecipar os impactos da crise pandémica que continua, e continuará, a marcar o contexto operacional, com maior intensidade na primeira metade do ano. Olhando para a frente, sentimo-nos capazes, apesar dos desafios acrescidos, de continuar a crescer de forma rentável e sustentável", garante.

Globalmente, o grupo fechou o ano com 1.423 milhões de euros, de EBITDA (-1%) e com uma posição líquida de caixa de de 509 milhões de euros (196 milhões de euros em 2019). Incluindo as responsabilidades com locações operacionais capitalizadas a dívida líquida atingiu 1.752 milhões de euros.

Custos da pandemia

A gestão dos negócios no contexto da pandemia levou, ao nível do grupo, a custos adicionais de 64 milhões de euros, dos quais 41 milhões de euros ao nível do EBITDA (dos quais 9 milhões de euros no quarto trimestre), informa a Jerónimo Martins, valores a que acresceram, a nível de Outras Perdas e Ganhos, 22 milhões de euros. "Neste último valor incluem-se 19 milhões de euros relativos à distribuição, no final do ano, às equipas na linha da frente, de um reconhecimento pelo seu compromisso e sentido de missão, e 3 milhões de euros referentes ao reforço de provisões para valores a receber cujo risco de não realização aumentou substancialmente devido à pandemia", refere.

Biedronka: vendas sobem 6,7% para 13,5 mil milhões

O ano passado as vendas da Biedronka subiram 6,7%, para 13,5 mil milhões de euros. "O crescimento LFL foi de 7,1%, incluindo uma inflação no cabaz de cerca de 2%. No último trimestre do ano, a insígnia cresceu vendas em 5,1% (+10,4% em moeda local), para os 3,6 mil milhões de euros, com um LFL de 6,9%, que incorporou uma inflação quase nula no cabaz", informa.

A cadeia registou um EBITDA de 1.252 milhões de euros (+5,7%).

A cadeia efetuou 267 remodelações e abriu 129 lojas (113 adições líquidas), tendo acabado 2020 com uma rede de 3.115 localizações. O grupo implementou um sistema de self-checkouts que, no final do ano, incluía mais de 1.100 lojas com 3.750 equipamentos instalados.

Hebe: impacto "relevante" com medidas restritivas

"A Hebe sofreu um impacto relevante nas vendas decorrente dos efeitos das medidas restritivas que levaram ao encerramento, em parte de março e nos meses de abril e de novembro, dos centros comerciais, onde tem quase metade das suas lojas. Estas, embora permanecendo abertas, sofreram com a ausência de tráfego resultante da redução de circulação de pessoas. Também a forte redução de atividades sociais impactou as vendas de produtos da área de cosmética", destaca o grupo.

O forte crescimento da sua operação online, lançada em julho de 2019, teve um "papel relevante na mitigação dos impactos das medidas impostas", diz ainda o grupo.

Resultado? As vendas atingiram 245 milhões de euros, uma redução de 5,4% em relação ao ano anterior. "No quarto trimestre com os centros comerciais fechados em novembro, as vendas caíram 13,9% (-18,0% em euros), com o LFL a fixar-se em -12,5%".

O EBITDA da Hebe cifrou-se em 19 milhões de euros (-7,6%).

A cadeia abriu 22 novas lojas e encerrou os 28 estabelecimentos que operavam exclusivamente como farmácias, tendo acabado o ano com uma rede de 266 localizações

Pingo Doce abre 13 novos super

"Em Portugal, o ambiente de consumo foi pressionado pelos efeitos das medidas implementadas para controlar a pandemia, com sinais claros de trading down no Retalho Alimentar a serem registados logo desde o primeiro momento. A inflação alimentar foi de 2,1% no ano", destaca o retalhista.

O Pingo Doce esteve "particularmente exposto à redução da circulação de pessoas, quer pelo seu histórico de elevada densidade de vendas e número de visitas, quer pelo impacto que a ausência de tráfego tem nos restaurantes, cafés e na categoria de Take Away da insígnia, a que se juntou, a partir de novembro, o encerramento das lojas nas tardes dos dias de fim de semana", reconhece a JM.

As vendas da cadeia caíram 1,9% para 3,9 mil milhões de euros, incluindo um LFL (excluindo combustível) de -2,2%. No quarto trimestre as vendas caíram 0,8% com um LFL (excluindo combustível) de -2,0%. O Pingo Doce fechou o ano com 223 milhões de EBITDA, uma quebra de 15,4%, com uma margem de 5,8% (6,7% em 2019). "Esta redução de margem reflete os custos adicionais relacionados com a gestão da operação num contexto de pandemia e o desempenho negativo das vendas, a não permitir a diluição dos custos".

Abriu 13 novas lojas, terminando o ano com uma rede de 453 super, e realizou 20 remodelações.

Recheio: fecho de Horeca leva a recuo de 15,9%

A queda "dramática" da atividade do canal Horeca - "mais de 35%" das vendas do Recheio - levou a uma queda de15,9% das vendas do cash & carry do grupo, para 847 milhões de euros. "No 4º trimestre as vendas caíram 16,7%, com um LFL de -16,2%."

"O Recheio atingiu um EBITDA de 33 milhões de euros, 45,6% abaixo do ano anterior em resultado da queda das vendas. A margem EBITDA foi de 3,9% (6,0% em 2019)".

Ara abre 56 lojas

Na Colômbia, onde o grupo opera com a cadeia Ara as medidas de confinamento mantiveram-se em vigor desde o início de abril até ao final de agosto, "com um impacto muito relevante na economia do país e na perda de poder de compra das famílias". As medidas começaram a ser levantadas progressivamente em setembro.

No ano, a Ara registou um crescimento das vendas de 8,9% para os 854 milhões de euros, com um LFL de 10,2%; e uma redução das perdas EBITDA de menos 28 milhões para 20 milhões "beneficiando da desvalorização do peso colombiano e da redução de 18,9% das perdas em moeda local."

No segundo trimestre do ano, a companhia iniciou "uma rigorosa restruturação a par de um programa de optimização de custos, o que permitiu mitigar os impactos da pandemia na rentabilidade, e manter a tendência de diminuição das perdas ao nível do EBITDA que se tinha iniciado em 2019. No 4º trimestre o EBITDA atingiu, 2 milhões de euros versus os -3 milhões de euros registados no 4º trimestre de 2019".

A Ara abriu 56 novas lojas (47 adições líquidas), terminando o ano com 663 localizações.

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