Lucros dos CTT recuam 81,1%, para 4,3 milhões até setembro

Até setembro, os CTT registaram 534,3 milhões de euros de receitas operacionais, menos 1% face ao mesmo período do ano anterior, "devido ao impacto da covid-19".

Nem a ligeira subida no terceiro trimestre nas receitas operacionais dos CTT, nem o aumento de receitas do transporte de encomendas, foi capaz de estancar a sangria de 81,1% nos lucros até setembro. O operador postal fechou os primeiros nove meses do ano com lucros de 4,3 milhões. Há um ano apresentava resultados líquidos de 22,9 milhões.

Até setembro, os CTT registaram 534,3 milhões de euros de receitas operacionais, menos 1% face ao mesmo período do ano anterior, "devido ao impacto da covid-19". "A comparação face ao ano anterior é ainda mais desafiante devido a um efeito extraordinário que as eleições legislativas tiveram nas receitas do terceiro trimestre de 2019. Excluindo este efeito, os rendimentos operacionais do trimestre teriam crescido 3,3%", destaca a companhia.

No terceiro trimestre, os rendimentos operacionais sobem 0,3%, para 185,1 milhões de euros, "um regresso ao crescimento nos rendimentos, sobretudo devido à forte evolução do segmento Expresso e Encomendas e do Banco CTT, que cresceram a duplo dígito no terceiro trimestre (24,5% e 10,4%, respetivamente)", destaca a empresa.

"Estes resultados operacionais demonstram que a resposta positiva dos CTT ao contexto desafiante que a economia e a sociedade atualmente atravessam. A pandemia acelerou a diversificação do negócio, com um reforço das receitas na área de Expresso e Encomendas e do Banco CTT, que cresceram a dois dígitos. Apesar da queda dos volumes de correio endereçado, intensificada pela pandemia, os rendimentos operacionais cresceram e a aposta noutras áreas de negócio mostrou-se acertada", diz João Bento, o CEO dos CTT, citado em comunicado.

"Temos consciência da importância do nosso papel na manutenção da atividade económica e sabemos que os próximos meses continuarão a ser desafiantes, mas os CTT manterão a sua resiliência e a aposta em novos produtos e serviços, voltados para uma capacidade absolutamente única de combinar o físico com o digital, garantindo que os cidadãos e empresas têm acesso aos produtos e serviços de que necessitam", acrescenta o gestor.

O EBITDA do terceiro trimestre atingiu os 24,3 milhões (-9,6%) - excluindo o efeito das eleições no terceiro trimestre de 2019 o EBITDA reduz apenas 0,7 milhões(-2,7%). "Nos primeiros nove meses do ano atingiu 57,7 milhões de euros (-21,3%), devido ao forte impacto do Correio e Outros (-53,2% face ao período homólogo). O EBITDA das restantes áreas de negócio cresceu significativamente nos primeiros nove meses do ano (+111,3%)", diz a empresa.

O resultado líquido foi de 4,3 milhões até setembro, "fortemente impactado pela evolução negativa do EBIT (-17,0 milhões de euros)."

Correio em queda, encomendas em alta

No Correio as receitas atingiram 308,8 milhões de euros até setembro, menos 41,4 milhões do que há um ano (-11,8%), "fundamentalmente" devido à queda dos rendimentos do correio transacional - que recuou 131%, ou seja, menos 39,7 milhões de euros - e do correio publicitário - que cai 21,6%, menos 3,6 milhões - "atenuada pelo crescimento dos rendimentos das soluções empresariais" que no período sobem 58,6%, ou seja mais 4,6 milhões do que há um ano.

"No terceiro trimestre a situação de desconfinamento gradual em Portugal, e na maioria dos mercados internacionais, permitiu já uma recuperação da evolução dos rendimentos do Correio nas suas principais linhas de negócio, que se situaram em 105,9 milhões de euros, menos 9,1 milhões de euros (-7,9%), que compara com uma queda de 13,7% no primeiro semestre de 2020", informa os CTT. "Excluindo o efeito do tráfego das eleições que se verificou no mês de setembro de 2019, o decréscimo dos rendimentos no trimestre seria de apenas 3,5%", ressalva.

Em sentido contrário está o segmento de Expresso e Encomendas - que com o Banco CTT, com 59,7 milhões de euros até setembro, regista uma subida de 39,3% - das únicas unidades de negócio a fechar setembro com crescimento face ao ano passado.

Em Portugal o segmento Expresso e Encomendas atingiu "rendimentos recorde" no terceiro trimestre: uma subida de 24,5%, para 46,4 milhões de euros, "fruto da forte aceleração do comércio eletrónico em Portugal e da relevante oferta comercial voltada para o digital que os CTT lançaram nos últimos meses". No acumulado do ano, os rendimentos operacionais atingiram 131,5 milhões, uma subida de 19,5% face ao passado.

Até junho, marcado pela pandemia de covid-19 e pelos efeitos das restrições impostas à maior parte dos setores da economia, "verificou-se uma redução do tráfego B2B assistiu-se a um forte crescimento da atividade de e-commerce e, portanto, de B2C. No terceiro trimestre manteve-se o forte ritmo de atividade de e-commerce e verificou-se uma recuperação do B2B", explica os CTT.

Em Portugal, os rendimentos deste segmento atingiram 81,2 milhões até setembro (+15,1%), no terceiro trimestre, de 29,4 milhões de euros (+19,5%), "evidenciam um valor sem precedentes."

Até setembro o "tráfego CEP em Portugal totalizou 17,8 milhões de objetos, mais 34,5% do que há um ano. "A contribuir para este recorde de atividade está o já referido impulso do e‑commerce, com um crescimento muito relevante nos setores da alimentação, desporto e lazer, educação e cultura e eletrónica de consumo", informa os CTT.

Em Espanha - onde o operador investiu em máquinas de tratamento e triagem para os seus principais centros - Madrid e Barcelona -, adquirido dispositivos móveis e um novo software de inteligência artificial - as receitas da unidade subiram 27,4% até setembro, para 48,2 milhões, valor de subida mais acentuado no terceiro trimestre (+36,7%), para 16,3 milhões, ou seja, mais 4,4 milhões de euros do que no terceiro trimestre de 2019.

"O tráfego em Espanha totalizou 16,7 milhões de objetos nos primeiros nove meses de 2020, crescendo 44,0% face ao período homólogo de 2019. Esta evolução é reflexo do aumento do e-commerce e do esforço comercial que resultou em acordos com grandes e-tailers globais que começaram a operar no envio de encomendas urgentes para toda a Península Ibérica", explica os CTT.

Os resultados da sua área de serviços financeiros e retalho, que gere o negócio das subscrições de dívida pública, atingiram 32,3 milhões de euros de receita entre janeiro e setembro (- 3,3%).

No segundo trimestre, esta área de negócio foi fortemente influenciada "pelas medidas restritivas do estado de emergência, designadamente o efeito que gerou na preferência pela liquidez e consequentemente nos investimentos financeiros a médio/longo prazo, pela limitação do acesso à rede de retalho dos CTT e pelas alterações de horários de atendimento das lojas", referiu a empresa.

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