Luz e gás são mais caros em Portugal. Porquê?

Luz custa 21,3 euros/100kwh diz Eurostat

Portugal é um dos países da Europa onde mais custa aos consumidores pagar a eletricidade e o gás. De acordo com os dados do segundo semestre de 2013 do Eurostat, o preço da eletricidade em Portugal é de 21,3 euros por cada 100 kwh consumidos, ou seja, o sétimo mais alto, mas igual à média europeia. Mais caro só mesmo na Bélgica, Itália, Irlanda, Chipre, Alemanha ou Dinamarca. Mas quando analisado através da paridade de poder de compra, "uma referência artificial que elimina as diferenças de preços entre países", Portugal torna-se no terceiro país com a luz mais cara da Europa, 26,2 euros por 100 kwh, apenas precedido pelo Chipre e pela Alemanha.

No gás natural a situação é até mais gravosa, o que se
explica pelo aumento de 17,9% que teve desde 2010. De acordo com os mesmos
dados do Eurostat, o gás em Portugal custa 9,3 euros por 100 kwh e é o quarto
mais alto da Europa, logo a seguir à Suécia, Dinamarca e Itália, e está acima
da média europeia, que é de 7,1 euros. E em termos de paridade de poder de
compra o preço do gás sobe para 11,5 euros por 100 kwh, ou seja, é o segundo
mais alto, apenas precedido da Bulgária.

Quer isto dizer que não é só porque os preços da energia são
altos que Portugal paga mais, mas também por causa do nível de vida dos
portugueses. “A paridade de poder de compra mostra que para nós é mais
caro pagar do que para os outros europeus. É o resultado de sermos um país
menos rico e desenvolvido”, disse ao DN/Dinheiro Vivo o ex-secretário de Estado
e especialista em energia, Nuno Ribeiro da Silva. Exemplo disso é a Dinamarca
que, em euros, tem a eletricidade mais cara da Europa – 29,4 euros por cada 100
KWh – e em paridade de poder de compra paga 21,5 euros, bem menos que Portugal,
onde a luz custa 21,3 euros por 100 Kwh, mas em paridade sobe para 26,2 euros.

Custos políticos, redes e impostos são a causa

Para os especialistas contatados pelo Dinheiro Vivo, ainda
que um tenha a visão do operador e o outro a do consumidor, a razão para o
preço da eletricidade e do gás serem altos em Portugal não tem tanto a ver com
os custos de produção, mas sim com os custos políticos e com os impostos.
“Além do IVA, pagamos taxa para as câmaras, taxa de passagem nos solos,
taxa para Direcção Geral de Energia e ainda o imposto especial de
eletricidade”, diz Ribeiro da Silva, acrescentando que a isto acresce
ainda o facto de os preços da energia serem internacionais.

“Não há nada, desde os combustíveis aos equipamentos de
energia, que são sempre das mesmas empresas – da Siemens, da Mitsubishi, da
Alstom e da General Electric – que não tenha preços internacionais. E não os
consigo convencer a fazer um descontinho para Portugal”.

Outra razão prende-se com os custos das redes de transporte
que pertencem à REN. Todos os operadores que usam as redes elétricas e os tubos
de gás para distribuir energia têm de pagar uma tarifa fixa e regulada à REN
que depois repercutem no consumidor na conta que se paga ao fim do mês.

Ora, esta tarifa, que tem vindo a descer, ainda é elevada,
dizem os operadores, e por isso é que Ribeiro da Silva – que é hoje presidente
da Endesa em Portugal – alerta para o perigo de se continuar a investir em
novas redes. “Temos uma infra estrutura que é das mais fiáveis do mundo e
não nos podemos dar ao luxo de continuar a alimentar a REN e os novos
projetos”, disse.

Por fim, outra das causas para o aumento dos preços, e agora
principalmente do gás natural – que subiu mais que a luz nos últimos quatro
anos – tem a ver com a crise e com a consequente quebra do consumo.

Segundo explicou Clemente Pedro Nunes, presidente da
Associação dos Grandes Consumidores de Energia, ao haver menos consumo nas
casas e nas centrais a gás natural o preço fixado a pagar tem de ser dividido
por menos clientes e por isso aumenta.

Não é por isso de estranhar que, segundo os mesmos dados do
Eurostat, Portugal tenha tido o segundo maior aumento do preço do gás na Europa
entre meados de 2012 e meados de 2013: mais 9%.

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