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Maior sindicato dos transportes pede demissão da administração da IP

António Laranjo, Presidente da IP - Infraestruturas de Portugal durante a conferencia de imprensa na sede da empresa   na sequência do acidente ferroviário em Soure que envolveu uma composição do Alfa Pendular e uma maquina de manutenção de catenárias da empresa.
(Reinaldo Rodrigues/Global imagens)
António Laranjo, Presidente da IP - Infraestruturas de Portugal durante a conferencia de imprensa na sede da empresa na sequência do acidente ferroviário em Soure que envolveu uma composição do Alfa Pendular e uma maquina de manutenção de catenárias da empresa. (Reinaldo Rodrigues/Global imagens)

Fectrans acusa gestora da rede ferroviária nacional de antecipar conclusões de inquérito ao abalroamento do Alfa Pendular em Soure.

O maior sindicato dos transportes pede a demissão do conselho de administração da IP – Infraestruturas de Portugal. O SNTSF, que reúne os trabalhadores do setor ferroviário, entende que a gestora de infraestruturas poderia ter evitado o abalroamento da passada sexta-feira de um Alfa Pendular, a 190 km/h, em Soure, e que vitimou dois trabalhadores da IP, segundo o comunicado divulgado na noite desta segunda-feira pela federação de sindicatos Fectrans.

“Numa altura em que decorre um inquérito para apurar as causas do acidente de Soure, a administração veio já dizer quem são os culpados, para procurar desculpar as causas, o que entendemos ser de todo inaceitável, pelo que a FECTRANS e o seu sindicato do sector – o SNTSF – defendem a sua demissão de imediato”, refere o documento.

Este sindicato ferroviário entende também que a administração da IP “foi clara a atribuir culpas e depois procurou justificar a sua incapacidade de implementar as recomendações a que estava obrigada, que se o tivesse feito, como todos reconhecem, teria evitado o acidente”.

Os trabalhadores dizem mesmo: “esta é uma administração que está já fora de prazo, como se comprovou pelas diversas contradições relativamente sobre o assunto em análise”.

Em conferência de imprensa esta segunda-feira, o conselho de administração da IP alegou ter seguido todas as recomendações dos peritos do gabinete de investigação GPIAAF para evitar que os veículos de serviço da gestora de infraestruturas entrem inadvertidamente na linha, ao passarem o sinal vermelho, situação que ocorreu 15 vezes entre 2010 e 2017.

Máquina da IP ignorou sinal vermelho. Alfa Pendular chocou a 190 km/h em Soure

Contudo, a IP assumiu que os seus veículos de serviço vão continuar a circular sem qualquer sistema de controlo de velocidade. Para a gestora ferroviária, a formação dos trabalhadores que operam as máquinas será a sua prioridade, até que chegue esse equipamento.

no dia 22 de julho deste ano é que a IP terá encontrado uma solução técnica para esta situação, junto da empresa portuguesa Critical Software, após dois anos de pesquisa. Contudo, o contrato ainda não está assinado e a implementação de um equipamento de controlo de velocidade terá de esperar pelo menos um ano, referiu a empresa de infraestruturas na mesma conferência de imprensa.

O sindicato ferroviário aproveita também o comunicado para voltar a reclamar a separação da gestão das linhas de comboio e das estradas nacionais. O SNTSF defende que a CP volte a gerir a infraestrutura ferroviária, tal como acontecia antes de 1997, ano da criação da Refer.

“É altura de o ministério da tutela substituir esta administração incapaz de dar prioridade a um assunto importante para evitar acidentes ferroviários e devolver à ferrovia o que é da ferrovia, concentrando nesta a gestão unificada de todos os seus segmentos – operação, infraestruturas e manutenção.”

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