Inovação

Mais sete empresas portuguesas na Liga dos Campeões da Inovação Europeia

José Caldeira, presidente da ANI. Fotografia: Igor Martins/Global Imagens
José Caldeira, presidente da ANI. Fotografia: Igor Martins/Global Imagens

Foram sete as empresas portuguesas aprovadas no último concurso do SME Instrument Fase 1. A taxa de sucesso foi duas vezes superior à média europeia

Sete empresas portuguesas tiveram as suas candidaturas aprovadas no último concurso do SME Instrument Fase 1. Trata-se de um instrumento da União Europeia, para apoiar PME que apresentem projetos de inovação. Na Fase I o apoio monetário é de 50 mil euros por projeto. E na Fase II, as subvenções de inovação empresarial, vão de 500 mil euros a 2,5 milhões (70% do custo total do projeto, como regra geral).

José Caldeira, presidente da Agência Nacional de Inovação (ANI), sublinha que se trata de um apoio direto às PME para a inovação, integrado no Programa 2020.

Em relação a Portugal, salienta que “a taxa de sucesso da participação nacional foi duas vezes superior à média europeia. Sobe assim para 34 o número de empresas com projetos aprovados, consolidando o sucesso português no programa do Horizonte 2020 que apoia a internacionalização de PME”.

As sete empresas com candidaturas agora aprovadas são: 73100 Lda; BioMimetx; Logistema; Magnomics; Mobiag; Sensefinity; VisionSpace

“A Fase I caracteriza-se pela apresentação do projeto, a proposta para o desenvolvimento do negócio, na Fase II é a validação da proposta, e Portugal conta já com empresas na Fase II, a UBQ II, Lda, e a Sword Health e a FastInov“, referiu.

José Caldeira, frisa que este instrumento europeu é “extremamente competitivo, e a participação nacional neste concurso teve uma taxa de sucesso de 17,5%, contra a média europeia de 8,4%. Apenas a Suécia e a Dinamarca conseguiram ter mais projetos financiados e uma taxa de sucesso superior à de Portugal, enquanto o principal participante neste programa, a Itália, teve uma taxa de sucesso de apenas 5%”.

A ANI tem atuado como interlocutor principal do Gabinete para a Promoção do Programa-Quadro (GPPQ) para a participação das empresas no Horizonte 2020. O Gabinete tem desempenhado um papel preponderante na divulgação dos concursos do Horizonte 2020 e no apoio prestado às entidades participantes.

Desde 2014 que o GPPQ tem vindo a realizar por todo o país workshops de formação sobre a elaboração de propostas ao SME Instrument (18) que envolveram cerca de 300 participantes. Essas ações são depois complementadas com apoio individual junto de cada empresa na revisão das suas candidaturas.

O GPPQ já apoiou a revisão de 58 propostas à Fase 1, das quais 9 foram financiadas. Isto corresponde a uma taxa de sucesso das propostas revistas pelo GPPQ de 15,5%, o dobro da média europeia. Da mesma forma, 16 dessas propostas (27%, contra 15% de média europeia) ficaram acima da pontuação limite para serem financiadas, tendo recebido o Seal of Excellence da Comissão Europeia.

Empresas na FaseII

A UBQ II, Lda, com sede na Madeira, é uma microempresa, no mercado das biotecnologias azuis, que se dedica à produção de extratos naturais, obtidos a partir de macro algas marinhas.

Laboratório da UBQ II, Lda. Fotografia: D.R.

Laboratório da UBQ II, Lda. Fotografia: D.R.

João Dionísio, o administrador da empresa, refere que este é o continuar do trabalho de Rodrigues Dionísio, que nos anos 70, permitiu o desenvolvimento de várias fórmulas galénicas com o propósito de combater as carências nutricionais na população madeirense, em particular de iodo.

“Carências não apenas verificadas na Madeira, mas também no Continente e na Europa, o que nos levou a avançar com um produto, o Iodoral, um suplemento mineral de iodo, de extratos de macro algas dos mares da Madeira, recomendada para o combate à carência de iodo”, adiantou.

A empresa candidatou-se à Fase I do projeto, “e recebemos um apoio de 50 mil euros para aprofundar a nossa ideia, sem alterar o conceito. Com os devidos apoios fizemos esse trabalho e fomos aprovados na Fase II, com um valor de 800 mil euros”, disse João Dionísio.

Com contactos com empresas na Noruega e na Alemanha, João Dionísio, diz que agora “é avançar para a Fase III a exportação”.

A Sword Health A SWORD Health, startup portuguesa que desenvolve tecnologias na área reabilitação motora e neurológica de doentes que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Sword Health. Fotografia: D.R,

Sword Health. Fotografia: D.R,

Virgílio Bento, engenheiro fundador da SWORD Health, cuja candidatura da empresa na Fase II do SME Instrument, recebeu luz verde e um apoio financeiro de um milhão de euros, “permitiu contratar mais colaboradores, e acelerar o processo de desenvolvimento do projeto”.

Para além disso, “há a questão da credibilidade, uma empresa com um selo de qualidade da Comissão Europeia tem mais vantagens no mercado”. Atualmente o produto já é utilizado em Portugal, “e em setembro deverá entrar na China e nos EUA”.

A FASTinov, uma spin-off inserida na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), vai receber da Comissão Europeia 2,6 milhões de euros, para continuar a desenvolver e colocar no mercado um kit de diagnóstico clínico que promete revolucionar a forma como os médicos prescrevem antibióticos.

FASTinov. Fotografia: D.R.

FASTinov. Fotografia: D.R.

A presidente da FASTinov, Cidália Pina Vaz explicou que “será possível em apenas uma hora detetar a resistência aos diferentes antimicrobianos” para além de ser, deste modo, “possível dirigir a terapêutica e medicar com segurança”.

O novo kit também serve para desvendar qual o mecanismo de resistência envolvido em curto espaço de tempo. O projeto é liderado pela FASTinov, desenvolvido em consórcio, com µRoboptics (Portugal/Oliveira do Hospital), SERMAS (Espanha), Euroclone Diagnostica (Itália) e Profess Medical Consultancy BV (Países Baixos).

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
João Lousada no deserto de Omã como astronauta análogo, em 2018

João Lousada. Conheça o primeiro português a liderar a Estação Espacial

João Lousada no deserto de Omã como astronauta análogo, em 2018

João Lousada. Conheça o primeiro português a liderar a Estação Espacial

Fotografia: REUTERS/Henry Nicholls - RC122C9DD810

Cartas de Boris Johnson causam surpresa e perplexidade em Bruxelas

Outros conteúdos GMG
Mais sete empresas portuguesas na Liga dos Campeões da Inovação Europeia