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Maquinistas exigem suspensão automática de funções após colhidas

Parte das colhidas na rede ferroviária ocorre em passagens de nível. 
(Ivo Pereira/Global Imagens)
Parte das colhidas na rede ferroviária ocorre em passagens de nível. (Ivo Pereira/Global Imagens)

Em média, houve mais de uma colhida por semana nos últimos cinco anos. Sindicato pede acompanhamento frequente aos trabalhadores.

Entre 2014 e 2018, houve uma média de mais de uma colhida por semana nas linhas de comboio em Portugal. O sindicato quer que os maquinistas envolvidos sejam logo suspensos de funções e recebam apoio psicológico.

Em 2018, foram registadas 52 colhidas na via ou na estação, menos 17 do que em 2017, o pior dos últimos cinco anos, segundo um ofício do Sindicato dos Maquinistas (SMAQ) enviado ao Ministério das Infraestruturas no final do ano passado.

Em 2016, houve 52 incidentes deste género; 49 em 2015 e 65 em 2014. Estes dados indicam apenas os incidentes ocorridos com trabalhadores da CP, excluindo os restantes operadores (Fertagus, Medway e Takargo).

Só que depois destas ocorrências os maquinistas é que têm de pedir à empresa, no espaço de uma semana, que os retire temporariamente da condução.

O SMAQ exige, por isso, que a suspensão de funções passe a ser automática e que haja um acompanhamento independente a estes trabalhadores. “Após uma colhida ou acidente, todos os operadores ferroviários prevêem que o maquinista possa solicitar um apoio psicológico”, lembra ao Dinheiro Vivo o líder deste sindicato.

António Domingues nota, no entanto, que esse acompanhamento “não é independente da vontade do trabalhador. Por causa disso, deve ser retirado automaticamente da condução logo no dia seguinte”.

Essa medida, reconhece o dirigente, tem custos económicos para as empresas – têm de colocar um maquinista em trabalho extraordinário -, mas “proporciona uma maior sensação de segurança para os passageiros”.

O que fazem as empresas?

Na CP – Comboios de Portugal, desde 2014 que este tipo de ocorrências é considerado um “acidente de trabalho”. Só que não abrange todos os trabalhadores envolvidos, reconhece fonte oficial. A transportadora pública lembra que existem “consultas adequadas de psicologia e/ou psiquiatria, submetendo-se os trabalhadores a observação e apreciação” a nível clínico.

Na Fertagus, existe um “um procedimento interno que determina que os maquinistas envolvidos nestes episódios sejam de imediato retirados da condução e avaliados pela respetiva chefia”. Nas mercadorias, a Medway encaminha as tripulações para uma “consulta de avaliação médica”, por um especialista, e os trabalhadores “cumprem a prescrição/tratamento adequado ao seu quadro clínico, incluindo apoio psicológico”.

António Domingues reconhece que o apoio psicológico aos maquinistas melhorou nos últimos anos. Antes, segundo o dirigente, “as colhidas aconteciam e os trabalhadores continuavam a trabalhar como se fossem super-homens”. Nos casos mais graves, um acidente “pode transformar-se numa doença mental”, o que implica desviar estes profissionais da cabine de condução e colocá-los noutras funções.

Evitar essa situação também depende da criação de um gabinete de avaliação contínua para avaliação externa destes condutores. “Este gabinete deve estar sempre disponível porque o stress resultante destas situações pode não vir no dia a seguir mas só semanas ou meses depois da ocorrência”.

A lei portuguesa prevê avaliações frequentes aos trabalhadores para manterem a carta de maquinista só que “há várias situações em que não se assume um eventual problema mental” para não perder esta avaliação.

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