Marcelo avisa que Portugal tem de construir um "país diferente"

Com quase 58 mil milhões de euros em fundos europeus ao longo da próxima década, Presidente da República apela a gastos criteriosos.

"Se não aproveitarmos para construir um país diferente, nunca mais vamos ter este dinheiro da Europa." O aviso é do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em relação à execução de 57,9 mil milhões de euros em fundos europeus ao longo da próxima década. As declarações foram feitas depois da visita ao Complexo dos Clérigos, no Porto.

O Chefe de Estado chamou a atenção para a forma como Portugal tem de gastar os muitos milhões vindos da União Europeia ao longo dos próximos 10 anos.

"Esta é uma oportunidade única. Não vamos ter calamidades todos os anos. Mesmo que haja, o momento que permitiu a aprovação deste financiamento global é irrepetível. Qualquer pessoa sabe que quando se recebe dinheiro que é irrepetível deve gastá-lo bem, de forma criteriosa, de forma adequada. Se não, não volta a ter aquele dinheiro", alertou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações citadas pela RTP3.

O Presidente da República lembrou ainda que, no passado, "ficámos longe" dos 100% de execução dos fundos europeus. Por isso, "deve haver uma fiscalização e um controlo que permita saber a forma como os fundos são executados".

A aprovação do Orçamento do Estado (OE) para 2021 é um passo crucial para o início da execução dos fundos europeus para a próxima década. Marcelo voltou a indicar que a solução para viabilizar o documento está num só lado.

"O natural é passar à esquerda, pelos parceiros que viabilizaram sucessivos orçamentos. É isso que o Governo tem dito e é isso que resulta do líder da oposição. Esperemos que haja OE para entrar em vigor em 1 de janeiro de 2021."

Um eventual Bloco Central está longe dos horizontes do Palácio de Belém. "O bom é haver uma solução da esquerda e uma alternativa da direita. Isso evita radicalismos e extremismos."

Marcelo comentou ainda o défice de 5,4% nas contas públicas no primeiro semestre. "Os números ficaram aquém das piores previsões. Sabíamos que, por um lado, houve uma paragem da atividade económica; por outro lado, houve muito mais despesas sociais."

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