Óbito

Marcelo “consternado” com morte de Soares dos Santos, “personalidade singular”

Alexandre Soares dos Santos
Alexandre Soares dos Santos

Alexandre Soares dos Santos, antigo líder do grupo Jerónimo Martins, morreu esta sexta-feira aos 84 anos.

A notícia inicialmente dada pelo jornal Público, foi entretanto confirmada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa que, numa nota no site da presidência, evocou “a personalidade singular de Alexandre Soares dos Santos e o seu relevante papel na vida económica, social e cultural portuguesa”. “Pessoalmente consternado, apresenta à Família muito sentidas condolências”, conclui a nota.

Nascido no Porto, a 23 de setembro de 1934, o empresário e filantropo português foi até novembro de 2013 presidente do Conselho de Administração do grupo Jerónimo Martins, da cadeia de supermercados Pingo Doce. “Defender o direito das pessoas ao trabalho é mais importante do que aumentar lucros”, foi uma das mensagens deixadas na altura em que saiu da liderança do grupo.

Quando se tornou, em 1968, líder do Jerónimo Martins, o grupo tinha 300 pessoas no comércio e duas mil na indústria. Em 2019 conta na distribuição com 110 mil pessoas e caminha para os 20 mil milhões em vendas.

Eleito pela revista Forbes o homem mais rico de Portugal durante vários anos, Soares dos Santos foi ainda agraciado com os graus de Grande-Oficial da Ordem Civil do Mérito Agrícola, Industrial e Comercial – Classe Industrial (28 de maio de 1992), Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (9 de junho de 2000) e Grã-Cruz da Ordem do Mérito (17 de janeiro de 2006).

Mais recentemente, o homem que liderou 40 anos a Jerónimo Martins recebeu das mãos de Marcelo Rebelo de Sousa, já em 2017, Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Comercial.

Embora tenha nascido no Porto, Soares dos Santos, frequentou o curso de Direito da Faculdade de Direito de Lisboa, que abandonou em 1957, para iniciar a sua carreira profissional, após um convite da multinacional Unilever. Nesta empresa passou por várias delegações e filiais no estrangeiro e, em 1968, regressou a Portugal para assumir a liderança da Jerónimo Martins, que pelas suas mãos passou de uma empresa de pequena dimensão a um dos maiores grupos empresariais portugueses.

O empresário soube ampliar os negócios e fazer crescer a empresa da família, tendo lançado a marca Pingo Doce, colocado o grupo em Bolsa e expandindo-se internacionalmente, em 1995, para o Brasil e Polónia. Em 2009, criou a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que gere o portal “Pordata”, Base de Dados do Portugal Contemporâneo, e lançou uma coleção de livros de Ensaio, a preços reduzidos, sobre temas da atualidade.

Após a morte de Belmiro Azevedo, em 2017, Soares dos Santos recordou à TSF que conheceu o líder da Sonae em 1999, para discutir a fusão entre os grupos, um negócio que nunca chegou a acontecer.

“Detesto investimento chinês, porque não traz coisíssima nenhuma”, “nem know how”, nem sequer “management”, dizia num evento em 2014.

O antigo presidente da Jerónimo Martins criticou ainda nesse mesmo evento a forma de trabalhar dos portugueses, dizendo que “somos extremamente individualistas” e que “é muito difícil pôr os portugueses a trabalhar em conjunto”. Soares dos Santos continuou afirmando que “é muito difícil o Estado perceber que nós temos de ser ouvidos” e não deixou de fora a academia.

“As universidades continuam a ser instituições fechadas sobre si mesmas. Temos de deixar de ser uma aldeia em que vivemos todos na mesma rua”. Para Soares dos Santos, “a única solução para Portugal “não é um programa de dívida”, mas “um acordo sobre que tipo de sociedade é que nós temos”. “O Presidente da República tem por obrigação convocar os partidos políticos e definir de uma vez por todas um programa para 10 ou 15 anos”, concluiu na altura.

Pode ler aqui o perfil completo do “senhor Jerónimo Martins”

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