Agricultura

Maria e Gomo. Dar nome às frutas made in Portugal para aumentar vendas

Pera Rocha, uma das frutas mais exportadas

Luís Vicente, Frusoal e KiwiCoop estão a lançar marcas para diferenciar os seus produtos e, com isso, impulsionar vendas no mercado nacional e externo

Maria vai ser a partir de maio nome associado à fruta nacional. E Gomo sinónimo de laranjas do Algarve. E em breve vai nascer uma nova marca de maracujá nacional. Dar nome às frutas made in Portugal foi a forma encontrada pelas portuguesas Luís Vicente, Frusoal e KiwiCoop para se diferenciarem da concorrência e ajudar as vendas, tanto no mercado interno, como externo.

Dar nome à fruta não é algo novo na história da Luís Vicente. A empresa há muito que nas frutas tropicais, que produz no Brasil e Costa Rica, tem a marca Plump. Agora querem levar a essa força de marca às frutas nacionais. “Maria surgiu da necessidade de termos uma marca para a produção nacional, tal com já tínhamos para os frutos tropicais com a Plump”, diz Miguel Barbosa, diretor-geral da Luís Vicente, ao Dinheiro Vivo. Essa necessidade surgiu há um ano, tendo a empresa, em conjunto com a TerraProjectos (uma consultora especializada no sector alimentar), levado cerca de 8 meses a trabalhar na marca.

“Queríamos um nome forte e que transmitisse as características atribuídas à produção nacional: frescura, qualidade e sabor”, diz o responsável. “A marca também transmite garantia de qualidade e de fornecimento que o cliente valoriza.”

Maria é também nome de fruta

Maria vai ser a marca para produtos como pera rocha (a fruta nacional mais exportada), macãs, ameixas, nectarinas, dióspiros e marmelos. A marca chega ao mercado em maio, altura que a companhia começa a colocar nas lojas as colheita das ameixas e com o branding Maria – Frescura Portuguesa e Maria – Portuguese Freshness na versão internacional.

O grupo, que produz e comercializa mais de 70 mil toneladas de frutas e legumes em todo o mundo, está com esta aposta também de olho no mercado externo, que representa 25% do volume de negócios da Luís Vicente, que o ano passado cresceu 7%, para 75 milhões de euros. Brasil, Canadá, Estados Unidos, Marrocos, Angola, mas também mercados europeus e geografias da América Latina, como Colômbia e México são destinos onde a Luís Vicente quer reforçar.

Gomo e Gomo biológico para as laranjas do Algarve

Um quarto das vendas da Frusoal são oriundas do mercado externo, com os mercados francês, espanhol, alemão, suíço e polaco a contribuir para os 22,6 milhões de euros com que a organização de produtores de citrinos do Algarve fechou o ano passado, mais 24% do que face a 2017. A Gomo e a Gomo Biológico, as duas marcas que acabam de lançar em Berlim, na Fruit Logistica, a maior feira de frutas e legumes do mundo, são também marcas a pensar nesses destinos.

“Queremos ser o Ferrero Rocher das laranjas”, diz humorado Pedro Madeira, sócio-gerente da Frusoal. A Gomo é uma marca criada para para as laranjas com um calibre superior, enquanto a Bio Gomo é para as laranjas produzidas de forma biológico. “Queremos que seja um produto diferenciados. Começámos há um ano com esta ideia. No caso do biológico, começámos há três anos, com a conversão de área do laranjal para o biológico”, conta. Neste momento, são apenas 20 hectares dos mais de 1450 hectares de terreno que os cerca de 54 produtores, e 96 sócios, da Frusoal.

Maracujá nacional com nome

“Muito em breve” a KiwiCoop deverá surgir no mercado com uma marca para o maracujá nacional que, a organização de produtores da zona de Aveiro passou a comercializar. “Estamos a definir uma marca nova para o maracujá, ao nível de branding, embalamento e o logótipo”, adianta Fausto Frade, responsável pelo departamento de marketing e comunicação.

A organização de produtores, com 350 produtores e 800 hectares de terreno (“metade não estão ainda em produção”), quer aproveitar os canais de distribuição já criados para a venda do kiwi para a venda deste novo produto, produzidos pelos produtores com quem tem vindo a trabalhar. O ano passado venderam cerca de 50 toneladas, valor que esperam duplicar este ano.

No Kiwicoop, que tem no kiwi o principal fruto, fechou o ano passado com 9,5 milhões de euros, uma subida face aos 7,9 milhões registados em 2017. Metade da produção é para exportação, para mercados como Espanha (“onde nos pediram para por nas caixas que somos portugueses e decidimos aderir ao Portugal Sou eu”), Brasil, Inglaterra e Marrocos, adianta José Carlos Soares, presidente do conselho de administração da KiwiCoop.

O ano passado o impacto da tempestade Leslie levou a uma quebra de produção na ordem de uma tonelada, mas os preços subiram. “O preço vai subir mais, até porque o calibre do fruto é superior”, diz José Carlos Soares, projetando que deverão fechar com 10 a 10,5 milhões de vendas.”Para ter uma ideia, costumamos ter 10% não é comercializado e este ano é menos de 4% com o aumento do calibre”.

*Em Berlim. A jornalista viajou a convite de Portugal Fresh

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