Telecomunicações

Mário Vaz. “Havendo frequências, em julho teríamos cidades 5G”

Em Espanha, vai haver cidades 5G no verão .Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal, faz o retrato do 5G no país.

A Vodafone uniu esta semana Portugal e Espanha na primeira ligação de roaming 5G em mobilidade. Foi a primeira vez a nível mundial que foi feita a demonstração que envolveu as Vodafone dos dois lados da fronteira.

Em Espanha, no verão a companhia vai ter 8 cidades ligadas com 5G, oito de um total de 50 que o grupo Vodafone quer ter cobertas na Europa até ao final do ano. Em Portugal, ainda não foram feitas as atribuições de frequências.

Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal, faz o retrato do 5G no país.

No Reino Unido e Espanha, a Vodafone tem arranque comercial do 5G no verão. E Portugal?
Demonstramos [com a ligação de roaming 5G em mobilidade] que estamos tão preparados do ponto de vista técnico quanto os colegas de Espanha. Falta-nos, para que pudéssemos estar também na fase de cidades com cobertura 5G com lançamento comercial, de já estar lançado e disponibilizado as frequências comerciais de 5G.

Suponhamos que amanhã havia leilão, a rede Vodafone estaria pronta para responder?
Todo o investimento que temos vindo a fazer em atualização e modernização de rede é no sentido de a preparar para o 5G. Já o temos em várias cidades, em particular, nas que têm mais volume de tráfego. Se tivéssemos as frequências hoje, em julho teríamos cidades com o mesmo tipo de serviço que os ingleses ou espanhóis.

Que parte da rede Vodafone já está preparada?
A forma como o leilão vai acontecer, que frequências vão estar disponibilizadas, determina a resposta. Por isso defendemos que seria importante que o Estado fizesse num momento único a atribuição total das frequências, independentemente do timing de disponibilidade, pois dessa forma conseguimos planear eficientemente como vamos desenhar a rede 5G.

Não se sabe para quando essa atribuição...
O Governo não pediu um adiamento do prazo que a Europa colocou para a disponibilização das frequências 5G: 2020. Por isso, até lá haverá. Quando, não sei.

Não estamos em cima do prazo?
Pelo que estamos a fazer, não estamos atrasados.

Quais são as suas expectativas para o leilão?
Que seja razoável naquilo que é a exigência financeira colocada no momento da atribuição das frequências. Na Alemanha há operadores a questionar quanto vão ter de afetar do investimento futuro na rede em função dos elevados valores a que está a chegar o leilão. Há aqui um trade off: se se paga muito à cabeça sobra menos para investir na cobertura e não será necessariamente bom para o país.

No último leilão pagaram 146 milhões e o Estado encaixou 372 milhões. É razoável?
Acho que não. Fazendo o paralelismo com a revolução industrial, o 4G trouxe os dados, o equivalente a trazer as máquinas para a indústria, e agora chegamos ao tempo de ter a eletricidade: o 5G. Nos tempos de hoje, esses valores parecem-me exagerados.

A tutela é sensível a isso?
Penso que sim. Portugal tem todas as condições para ser um país de liderança nesta área. É uma revolução onde os recursos naturais e a dimensão não são relevantes, mas as infraestruturas e a capacidade humana. Uma visão meramente orçamental de curto prazo não é uma boa medida.

Em Espanha, a Vodafone tem com a Orange uma parceria para a rede 5G. Porque não partilhar rede em Portugal onde tem parceiro na rede fixa, a Nos?
Se for eficiente, e haver oportunidades de partilha, não será a Vodafone que será bloqueadora dessas oportunidades. Agora espero que não seja essa a leitura, de que não há problema em os operadores pagarem muito à cabeça, porque podem ser muito eficientes a seguir no investimento pois podem partilhar a infraestrutura.

A Huawei foi colocada numa lista negra pela administração Trump. Afeta-vos?
No 5G, o parceiro estratégico é a Ericsson, mas não ser a Huawei não quer dizer que não tenha consequências. Pode significar para a Europa mais investimento e mais atraso; China e EUA também podem perder, mas a Europa pode sair mais perdedora.

Há algum indício de que haja um risco de segurança?
Nem nós, nem ninguém (incluindo os EUA), apresentaram provas de que tenha havido um acesso indevido a dados pela Huawei.

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