GESTÃO & RH

“Lei laboral protege trabalhadores mas limita salários”, defende diretor da Hays

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Diretor regional da Hays diz que é preciso corrigir assimetrias salariais entre setores e gerações para travar emigração.

Este ano será “o verdadeiro ano da retoma do emprego em Portugal”. É essa a expectativa da empresa de recrutamento Hays, que esta semana divulgou o Guia do Mercado Laboral para 2018. Segundo o estudo, as perspetivas de recrutamento para 2018 atingem os 81%, o valor mais alto de todos os inquéritos da consultora.

Em entrevista exclusiva ao Dinheiro Vivo, Mark Bowden, diretor responsável pelos mercados da Europa do Sul, Central, do Leste e Médio Oriente da Hays, enaltece os feitos – sobretudo os do anterior governo – em matérias como o crescimento económico, o combate ao desemprego e ao défice, mas considera que Portugal beneficiou, em parte, de um golpe de sorte. “Os níveis de emprego melhoraram e isso é bom para Portugal, sem dúvida, mas a maior parte dos empregos criados são precários ou no setor do Turismo. Muito do crescimento em Portugal foi circunstancial e não planeado, graças a fatores como o terrorismo, que levou os turistas a preferirem zonas mais seguras como Portugal”, sublinha Mark Bowden.

Na ótica do diretor regional da Hays, “os esforços feitos pelo anterior governo foram significativos, mas limitados”, dado o “contexto” da altura. Ainda assim, Bowden aplaude o atual executivo por iniciativas como a Web Summit que “são úteis para colocar Portugal no mapa mundial”.

Ainda assim, isso não basta e o responsável revela alguma preocupação com o modelo governativo de António Costa. “As medidas tomadas pelo anterior governo trouxeram mais flexibilidade e tornaram o país mais atrativo para o investimento estrangeiro. Mas agora, a aparente vontade em prescindir destas alterações só pode ser vista como um passo retrógrado e desnecessário.”

Mark Bowden - Managing Director da Hays para a região Southern, Central, Eastern Europe and Middle East_2

Considerando que “a atual lei laboral protege os trabalhadores mas impede o crescimento salarial”, Mark Bowden sugere mais esforços para diminuir “as assimetrias remuneratórias entre setores e gerações”, que diz continuarem a existir, algo que faz da emigração “uma opção ainda viável para quem pretende uma melhor qualidade de vida” em países como o Reino Unido, França ou Alemanha, que classifica como os destinos mais atrativos da Europa.

Esta preocupação, diz, deve estar no topo das prioridades, considerando a chegada dos millennials ao mercado de trabalho, uma geração que descreve como “mais difícil de agradar do que as anteriores, por não se contentar tão facilmente e não estar disposta a sacrificar a vida pessoal pelo trabalho, o que torna a vida das empresas mais difícil”.

Para 2018, Bowden aponta a adaptação ao setor tecnológico como o principal desafio dos governos e empresas. “Aquilo que pode acontecer aos taxistas é apenas um exemplo. A Uber não é a única ameaça. Também é interessante saber o que vai acontecer às petrolíferas, com os consumidores a preferirem cada vez mais as energias renováveis. As empresas de sucesso vão ser aquelas que conseguirem adaptar-se a estas mudanças”, explica.

“Portugal também pode fazer parte deste movimento, caso a economia se mantenha competitiva e sejam criadas as condições necessárias para haver mais e, sobretudo, melhor emprego”, remata.

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