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Media Capital. “A liderança não se compra”

Rosa Cullell Muniesa, Media Capital
Rosa Cullell Muniesa, Media Capital

"A liderança não se compra" nem se "alcança a qualquer preço", afirma a CEO, Rosa Cullel. Os lucros estão a crescer 9%

“A liderança consegue-se através do tempo, a liderança não se compra”, afirmou esta manhã Rosa Cullel, CEO da Media Capital, num encontro com jornalistas, no mesmo dia em que o grupo apresenta resultados de 2018. A TVI perdeu um dos seus principais rostos, a apresentadora Cristina Ferreira que transitou para a SIC no ano passado, mas, ainda assim, continua a liderar as audiências globais, frisou. E “o foco na liderança é para manter em 2019”.

“A liderança não pode ser alcançada a qualquer preço, tem de ser alcançada com sustentabilidade, olhando para a gestão das rádios, da televisão e do digital onde estamos a crescer”, acrescentou Rosa Cullel. “Não temos medo da mudança, as equipas estão a reagir muito bem, apesar de não ser muito fácil. “Temos vários temas pensados para as manhãs e que, a partir de março, vão começar a aparecer”, avançou, mas sem adiantar detalhes acerca dessas novidades durante toda a conversa com os jornalistas. “É arriscado quando se põe velocidade antes de tempo”.

A gestora deixa mais um recado à concorrência: “as manhãs são importantes, mas o grande consumo de televisão acontece das 18 horas em diante. Além disso, as manhãs só são responsáveis por 7% do investimento total que os anunciantes fazem em televisão”.

Quanto à área da informação, “ganhamos o Jornal das 8 todos os dias, sendo que o domingo é dos dias de maior audiência, e de segunda a sexta há novas rubricas a surgir todos os dias”, sublinha a CEO. Quanto aos rumores de descontentamento interno na redação, por alegados motivos de condições de trabalho precárias de alguns jornalistas, Rosa Cullel responde: “não vejo descontentamento, estamos sempre abertos ao diálogo”. Afiança ainda que, ao nível da informação, não está em cima da mesa uma reestruturação para 2019.

Amortização do empréstimo obrigacionista em Julho

“Já somos líderes há 14 anos, mais exatamente há 150 meses e em 2018 também o fomos”, complementou Olívia Mira, CFO da Media Capital. “Pagamos impostos de 9 milhões por ano e ainda pagamos dividendos”, acrescentou. Os resultados hoje relevados mostram que os lucros alcançaram os 21,6 milhões de euros em 2018, o que corresponde a um crescimento de 9%. O EBITDA chegou aos 41,1 milhões de euros em 2018, mais 22,6% do que em 2017. O grupo de comunicação social, dono da TVI, apresenta ainda melhorias as nível do cash flow operacional, tendo passado de 29,5 milhões em 2017 para 35 milhões de euros em 2018.

Quanto à dívida, esta reduziu de 95,3 milhões em 2017 para 85,7 milhões de euros em 2018. Para 2019 está em cima da mesa a “renegociação da dívida” e “em julho vamos ter a amortização do empréstimo obrigacionista”, revela a CFO.

2019 será marcado pela aposta digital

As duas gestoras estão otimistas em relação a 2019 e a CEO adianta que “o foco no investimento é grande mas nunca pode comprometer a rentabilidade”. O público da TVI “é muito leal, temos vindo a conquistá-lo ao longo do tempo e acredita na nossa marca. Isto não se aplica não só à televisão mas também às rádios”. Neste segmento de negócio, “o share médio foi de 37,1% em 2018, o melhor de sempre!” Mais: “Já nos anos 70, era eu jornalista, se dizia que a rádio ia acabar, mas a rádio é uma fortaleza brutal”.

Outra das apostas para 2019 é a área digital, “quer através das web rádios, que não são uma espécie de Spotify, quer através dos conteúdos digitais premium, como o projeto Selfie – uma revista social digital – que está a crescer três dígitos no online. Aliás, a TVI digital está a crescer a dois dígitos, em parte graças a esse projeto. As receitas do digital cresceram 19% em 2018, acima do mercado, e só a área de vídeo cresceu 51%, sendo que o TVI player tem aqui grande importância e relevância do conteúdo.

TVI. Vende, não vende…

Os resultados de 2018 mostram indicadores positivos num grupo que há muito está à procura de comprador. Depois do aquisição por parte da Altice ter borregado, Rosa Cullel não comenta novas tentativas de negócio por parte de outros players e garante que “no último ano não recebeu a TV Record”, apesar de se adensarem os rumores quando ao interesse desta em adquirir a estação de televisão portuguesa. Com ironia, Rosa Cullel prefere recordar que “há oito anos que está à venda” e “esse é um assunto dos acionistas”. Questionada se em algum momento os donos terão desistido da venda, responde: “os acionistas nunca desistem de vender!”.

 

 

 

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