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Medina quer marca única para os autocarros da Área Metropolitana de Lisboa

( Jorge Amaral / Global Imagens )
( Jorge Amaral / Global Imagens )

Concurso público internacional de concessão de transporte rodoviário será aberto no próximo ano e de forma concertada entre os 18 municípios.

A partir de 2020 poderá haver uma revolução nos autocarros que circulam na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Os 18 concelhos desta região preparam-se para lançar, no próximo ano, um concurso único de concessão do transporte rodoviário e que reunirá, numa marca única, as várias empresas de transporte rodoviário da zona da capital. A ideia lançada pelo presidente da Câmara de Lisboa foi apresentada esta semana aos deputados municipais e foi tornada pública esta quinta-feira numa conferência sobre mobilidade, a que o DN/Dinheiro Vivo assistiu. É mais uma proposta para retirar parte dos 370 000 carros que todos os dias entram na cidade de Lisboa.

“O trabalho que estamos a desenvolver na área metropolitana de Lisboa é para lançarmos um concurso único para que haja um operador que funcione com uma marca única, um sistema de bilhética único, um tarifário único e um sistema de informação único em toda a área a região”, adiantou Fernando Medina à margem da conferência. Atualmente, avalia o autarca, “o sistema de autocarros é muito difícil para os utilizadores. São muitas companhias diferentes, milhares de passes, sistemas de informação que não estão coordenados e aplicações que não existem para permitir uma rápida e melhor escolha das pessoas”.

O concurso público internacional para concessão de transportes será aberto no próximo ano, após um processo de consulta e de auscultação do mercado, que irá decorrer nas próximas semanas. Serão selecionadas várias empresas, que irão atuar em conjunto para esta marca única de transporte rodoviário. “Em vez de 18 redes a funcionarem de forma desarticulada, mais as ligações intermunicipais – com difícil leitura dos cidadãos – vamos passar a ter uma única marca e única rede com os ganhos que daí decorrem.”

Os 18 concelhos esperam que com esta marca única seja possível “alargar o serviço de transporte rodoviário no número de carreiras, horários e dimensão territorial”, detalhou Carlos Humberto, presidente da câmara do Barreiro. Para já, sabe-se que as empresas concessionárias serão pagas por cada quilómetro realizado. Outra garantia é que a Carris não poderá participar no concurso, porque é uma empresa pública. E a nova marca de transportes da AML pode mesmo vir a chamar-se Carris Metropolitana.

Regras iguais

A concessão do transporte rodoviário na AML, embora possa ser feita em vários lotes, obrigará as empresas selecionadas a cumprir as mesmas normas: “Não é só uma marca que é única, os critérios de qualidade são os mesmos [em todos os operadores das diferentes redes], a idade dos autocarros é a mesma, os requisitos da rede são os mesmos. Os autocarros são todos iguais, depois têm autocolantes muito pequenos em função do operador que os operar”, detalhou Miguel Gaspar em conversa com o DN/Dinheiro Vivo. “O privado que for a jogo já sabe que tem que pintar o autocarro igual na Área Metropolitana toda” para que seja “transparente ao cliente”, explicou o vereador da Mobilidade.

A existência marcas únicas no transporte de passageiros não é uma raridade na Europa. Em Espanha, por exemplo, o Consórcio de Transportes de Madrid reúne os operadores de metro, autocarros urbanos, autocarros interurbanos, o metro ligeiro (metropolitano de superfície) e os comboios urbanos da cidade. Em França, o grupo RATP agrega o autocarro, elétrico, metro, comboio e até o teleférico.

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