Telecomunicações

Meo reduz 96 na direção de engenharia. E mais 22 na certificação

A operadora voltou a usar um mecanismo legal designado por "transmissão de estabelecimento". Em menos de um mês, reduziu 155 trabalhadores.

A PT Portugal, dona do Meo, vai reduzir 96 projetistas de rede na direção de engenharia e mais 22 trabalhadores do centro de certificação de Torres Novas na Meo, através de um processo designado por “transmissão de estabelecimento”, apurou o Dinheiro Vivo junto de fonte próxima do processo. Em menos de um mês, através deste mecanismo a companhia reduziu 155 trabalhadores nos seus quadros.

Hoje estão a decorrer reuniões entre a empresa e os representantes dos trabalhadores, onde a operadora está a dar conhecimento desta decisão.

Ao que foi possível apurar, a maioria destes projetistas de rede deverá ser absorvido pela Altice Technical Services (74), enquanto os restantes 22 serão recebidos pela Visabeira. Quanto aos profissionais ligados ao centro de certificação de Torres Novas o seu vínculo laboral passa para Altice Technical Services. Cumpridos os prazos legais, o vínculo laboral dos trabalhadores deverá transitar para as novas empresas a partir de 22 de julho. Os trabalhadores mantêm-se nesta fase a trabalhar no mesmo local de trabalho.

Ambas as empresas são fornecedoras de serviço da PT Portugal, prestando serviço na área de instalação de redes no âmbito do projeto de expansão de rede que a empresa quer implementar em todo o país.

É a segunda vez em menos de um mês que a PT Portugal recorre a esta ferramenta legal para reorganizar a sua estrutura. Recentemente, foi conhecida a redução de 37 trabalhadores da Direção de Tecnologias de Informação (DIT) que passam a fazer parte dos quadros de uma empresa externa, a WinProvit. Uma saída que representou cerca de 6% da DIT, numa área considerada não core para a operadora.

Agora volta a recorrer a esta estratégia para reorganizar a organização, visando, segundo fonte próxima do processo ouvida pelo Dinheiro Vivo, uma “maior eficácia na gestão”.

Reorganização em curso desde 2015

Desde que assumiu funções, em junho de 2015 o grupo Altice tem vindo a reorganizar a PT, tendo gerado movimentações de colaboradores, muitos deles para novas funções. Em dois anos, saíram cerca de mil colaboradores, através de processos de rescisão amigável ou pela sua integração em empresas terceiras fornecedoras externas da PT. Mas estes últimos processos contaram sempre com a anuência dos trabalhadores que podiam recusar a mudança para uma nova entidade patronal.

Os trabalhadores abrangidos por estes processos de transmissão de estabelecimento não têm essa opção, mas legalmente a empresa que recebe os trabalhadores tem de garantir durante 12 meses todos os direitos e garantias, tanto da lei geral, como dos acordos colectivos de empresa.

Fonte próxima do processo admite que a PT possa vir a usar este mesmo mecanismo em outras áreas da companhia, sempre que for considerado que beneficia a “eficiência e eficácia organizativa”.

O tema gerou desconforto junto dos trabalhadores. “É a primeira vez que estão a usar esta figura tão radical, em que os trabalhadores não têm direito a recusar a passagem”, disse Jorge Félix, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da PT (STPT), em declarações ao Dinheiro Vivo, quando foi conhecido o primeiro processo de transmissão de estabelecimento na empresa para a WinProvit.

Fonte próxima do processo admite que a PT possa vir a usar este mesmo mecanismo em outras áreas da companhia, sempre que for considerado que beneficia a “eficiência e eficácia organizativa”.

Em menos de um mês, através deste mecanismo a companhia reduziu 155 trabalhadores nos seus quadros, a juntar aos cerca de mil que desde 2015 já saíram da companhia. Saídas a um ritmo de 500 colaboradores por ano que fonte próxima ouvida pelo Dinheiro Vivo admite que se mantenha este ano. Atualmente, a companhia tem cerca de 9500 trabalhadores no ativo, mais cerca de 3500 em situação de pré-reforma e contrato suspenso e 13 mil colaboradores em prestação de serviço externo.

As reorganizações dentro da companhia também resultaram em que cerca de 300 pessoas estejam neste momento sem funções atribuídas, colaboradores que a companhia já admitiu que não conta, por motivos de inadaptação ou outros, no futuro. Os cerca de 3500 em situação de pré-reforma foi outro dos temas para os quais a administração da PT olhou, tendo tido sido noticiado que a operadora consultou diversos escritórios de advogados para rescindir a relação contratual com esses trabalhadores, que continuam a ser pagos pela PT. Mas “para já”, segundo fonte próxima ouvida pelo Dinheiro Vivo, na companhia parece ter chegado à conclusão que não há forma de dar a volta a esta situação.

(notícia atualizada às 15h37 com informação de mais 22 trabalhadores de Torres Novas incluídos neste processo de transmissão de estabelecimento e com a precisão da data da passagem do vínculo laboral para as novas empresas)

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