Mercadona já tem terreno para super na Grande Lisboa 

Chegar à região da capital em 2022 é objetivo, com a construção do centro logístico em Almeirim a arrancar no final do ano. Quer reforçar os 208 milhões em compras nacionais.

A Mercadona já tem fechada uma localização para receber um dos supermercados a sul: Montijo. A data de abertura ainda não é conhecida, mas chegar à Grande Lisboa em 2022 está nos objetivos da cadeia espanhola que, neste ano, vai abrir nove super na região Norte e investir 150 milhões de euros em Portugal, o seu primeiro mercado de internacionalização. Compraram no ano passado 208 milhões de euros em produtos agroalimentares nacionais, um disparo de 65% face ao ano anterior.

"Tendo em vista o nosso projeto de expansão para sul de Portugal assinámos um terreno no Montijo com aproximadamente 15 mil metros quadrados, com vista à instalação de um supermercado Mercadona com uma área de venda com cerca de 1900 metros quadrados e um parque de estacionamento com 190 lugares, ainda sem data prevista de abertura", confirma Elena Aldana, diretora-geral de relações internacionais da empresa.

É a primeira localização conhecida a sul da cadeia que começou a sua expansão no mercado português pela região Norte - onde já tem 20 lojas nos distritos do Porto, Braga, Aveiro e Viana do Castelo e, neste ano, conta reforçar com nove aberturas -, mas chegar a Lisboa sempre foi uma ambição. Começaram a norte, a primeira loja abriu a 2 de julho de 2019 no Canidelo, mas a meta estava traçada: "Vamos continuar por ali abaixo até chegar a Lisboa", prometeu Juan Roig, o CEO do gigante espanhol da grande distribuição.

Para apoiar a expansão a sul o retalhista alimentar já tem fechado o segundo centro logístico no país, em Almeirim, no distrito de Santarém, cujas obras deverão começar mais para o final do ano. O grosso dos 150 milhões de investimento previsto para este ano (uma subida face aos 113 milhões injetados em 2020) será alocado às nove aberturas de lojas, cerca de 20 milhões à construção de uma nave de 50 mil metros quadrados no parque industrial de Laúndos, na Póvoa de Varzim - para receber o sistema de limpeza de caixas de plástico reutilizáveis -, com abertura para 2022, bem como ao segundo centro de co-inovação, que deverá abrir portas entre setembro e outubro, em Lisboa. No final do ano, a companhia quer adicionar mais 500 colaboradores aos atuais 1700 da Mercadona em Portugal.

Mais compras em Portugal

O centro de co-inovação servirá para conhecer melhor o consumidor nacional, dando pistas para a cadeia espanhola adaptar o sortido em loja ao "chefe" (cliente) a sul do país, à semelhança do que sucedeu com o primeiro centro de co-inovação que nasceu em Matosinhos para servir a região Norte.

No ano passado, o primeiro ano completo de atividade da cadeia no país, a Mercadona obteve receitas de 186 milhões de euros e as compras a fornecedores nacionais aumentaram. "Desde que iniciámos o projeto, sempre defendemos que "Em Portugal, somos portugueses" e, além de outros fatores, a aposta no setor agroalimentar português tem sido um forte reflexo disso mesmo. Deste modo, podemos afirmar que, desde 2016, ano em que anunciámos a chegada a Portugal, registámos um aumento no volume de compras a fornecedores portugueses de 400%", revela.

Nesse ano, a companhia comprou 52 milhões de euros a 25 fornecedores nacionais, no ano passado compraram a 700 um total de 369 milhões de euros, dos quais cerca de 80% seguiram para Espanha. "Deste valor, mais de metade, 208 milhões, dizem respeito a compras de produto a fornecedores comerciais: legumes, carne, peixe, frutas, mas também laticínios, iogurtes, vinhos, etc.", revela Elena Aldana. "Na Mercadona, temos o compromisso de que todo o nosso leite seja 100% português e apoiar, desta forma, o setor produtor. Face ao ano anterior estamos a falar de um incremento de aproximadamente 65%", reforça.

"Tendo em conta que duplicámos o número de lojas, de 2019 para 2020, passando de 10 a 20 lojas no país, e aos quais devemos somar os produtos de excelente qualidade que são produzidos em Portugal e exportados para Espanha, o aumento foi muito significativo de forma global", comenta a diretora-geral de relações internacionais da Mercadona. "A pastelaria é uma categoria que está a funcionar muito bem e que é inclusivamente exportada para Espanha, assim como o Queijo de São Jorge ou Vinho do Porto", adianta.

Compraram igualmente 1700 toneladas de pera rocha, 4250 toneladas de kiwi, 150 toneladas de morango, 600 toneladas de laranja do Algarve ou 127 toneladas de banana da Madeira. Na volta, trazem também produtos espanhóis que "representam um fator diferenciador", como a tortilha de batata, o gaspacho, a paelha, o presunto a corte, etc..

Aposta no melhor do país

Elena Aldana assegura que cadeia tem "um forte compromisso com os fornecedores nacionais e com a modernização do setor primário", razão pela qual os responsáveis de compras "continuam o processo de conhecimento do melhor que se produz em território nacional, de norte a sul, incluindo as ilhas".

Uma procura que se reflete no número de fornecedores. "Registámos uma evolução bastante positiva e duplicámos o número de fornecedores portugueses, sendo que atualmente compramos a mais de 700 fornecedores nacionais, dos quais 300 são comerciais. Este processo de conhecimento é contínuo e, por isso, prevemos aumentar este valor juntamente com a nossa expansão em Portugal", diz.

A cadeia não adianta valores de compras agroalimentares no primeiro trimestre, mas deixa uma garantia para 2021. Além do aumento de fornecedores, espera um "natural crescimento" do "volume de compras em Portugal, a par do próprio crescimento da empresa e tendo como objetivo uma relação de benefício mútuo que impacte positivamente o desenvolvimento da economia."

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