Mercearia online MiAM estende entregas de produtos nacionais a Amadora, Algés, Oeiras e Caparica

Mercearia online nasceu durante o primeiro confinamento o ano passado. Neste momento já assegura entrega de produtos de mais de 20 produtores nacionais e quer adicionar mais oferta.

Com um ficheiro excel, um carro e dois produtores nacionais de frutas e legumes Raphaële Lewi-Leveel começou no primeiro confinamento a fazer entregas em casa dos produtos comprados na sua mercearia online, a MiAM, em Lisboa. Hoje já são mais de 20 os produtores nacionais a escoar os seus produtos na loja online e, até a final de janeiro, contam estender as entregas a novas zonas na Grande Lisboa: Algés, Oeiras, Amadora e Caparica. Em Lisboa, as entregas chegam por tuk tuk.

"Depois de me ter apaixonado por Lisboa durante os meus estudos na Católica (Erasmus), voltei para me instalar em setembro de 2019. Comecei a trabalhar na ideia da mercearia, privilegiando os circuitos curtos e fui ao encontro dos produtores perto de Lisboa. Durante o primeiro confinamento, vi que os produtores tinham de fazer tudo: o seu trabalho (a produção) mas também a parte do comercial, a logística, das entregas... Liguei a dois, perguntei-lhes se podia encontrar os clientes e fazer as entregas por eles. O meu namorado ajudou-me nas primeiras entregas e foi assim que tudo começou. Com um ficheiro excel e um carro!", conta Raphaële Lewi-Leveel, em declarações ao Dinheiro Vivo.

As entregas arrancaram em Lisboa, mas há planos em marcha para estender zona de entregas até final de janeiro. "Vamos entregar também nas zonas de Caparica, Algés e Amadora", adianta. Em Lisboa, trabalhamos com uma empresa de "touristic tours" que utiliza tuk-tuk elétricos. Trabalhamos juntos desde o início da MiAM. Precisávamos de estafetas e eles não tinham turistas. Pareceu-me natural trabalhar em equipa. Agora são três tuk tuk, mas antes do primeiro confinamento, era uma equipa de 30 pessoas. Então podemos facilmente aumentar o número de entregadores se necessário", explica.

Começaram a fazer entregas de produtos de dois produtores nacionais, mas neste momento são mais de duas dezenas a vender na MiAM. "Todos os nossos produtores são nacionais. Hoje, trabalhamos com cerca de 20 produtores, que nos fornecem em frutas & legumes, ovos, pão, mas também arroz, massas, farinhas, conservas, doces.... O nosso objetivo é de apresentar uma oferta completa de produtos 100% portugueses, e selecionados com amor", diz.

Horta do Adão, Casa da Caldeira, Farinhas Paulino Horta, Moon Boulangerie, NÃM, Aparroz, Euromel, Castelo de Marvão são alguns dos produtores/fornecedores da MiAM. "O próximo passo é encontrar parceiros para os chamados produtos frescos. Primeiro os laticínios (queijo, leite, manteiga...) e depois carne e peixe! Estamos sempre na procura de novos produtores", adianta.

Raphaële Lewi-Leveel frisa o que distingue a MiAM das lojas online das cadeias de supermercado. "Além do facto de o sabor não ter nada a ver com um produto biológico de pequeno produtor local e com um produto de supermercado, a primeira diferença é a experiência", começa por destacar. "Já entrou num site de supermercado? É um inferno! Há produtos por toda a parte, é complicado, não compreendemos nada, passamos horas a fio, e não temos horários de entrega... a experiência é geralmente um pouco complicada. Na MiAM, pode fazer uma encomenda em menos de 5 minutos", garante.

"A segunda diferença (que é comum a todos os intervenientes do circuito curto), é a distribuição do valor. Quando um cliente compra na MiAM, ele remunera três atores: os produtores (mais de metade das vendas é para eles), os estafetas (agora, 100% dos custos de entrega vão para eles), e nós, que fazemos o trabalho de garantir uma seleção de produtos impecável e uma experiência super agradável, para que o cliente possa usar o seu tempo em algo muito mais interessante do que fazer compras", continua. "Num circuito de distribuição tradicional (grandes superfícies) os produtores estão bem longe de receber essa metade", conclui.

A MiAM funciona como revendedor dos produtores com quem trabalha. "Na parte da mercearia, temos o nosso stock e na parte dos frescos, trabalhamos "on-demand" com os nossos parceiros. Por agora, só entregamos durante a tarde, o que nos permite aceitar os pedidos até meia-noite, e assim fazer a ronda de nossos produtores de manhã para recuperar os produtos. Podemos dizer que o nosso stock está no campo!", diz.

Uma situação que, para a fundadora da MiAM, tem vantagens: "podemos controlar a qualidade dos nossos produtos, ter uma oferta reduzida com os essenciais (a escolha é fácil, o cliente não se perde entre diferentes lojas) e podemos entregar rapidamente. Se um cliente quer uma entrega para o dia seguinte, basta fazer o seu pedido até meia-noite".

Raphaële Lewi-Leveel não adianta valores de faturação nem estimativas para este ano. "2020 era um ano de preparação para nós. O objetivo era mais construir um bom produto, uma boa experiência, e um plano de negócios sólido com retornos reais de clientes reais, do que procurar resultados", afirma. "Sem fazer nada em marketing, só com boca-a-boca temos um pouco mais de 120 clientes "regulares" (repetição todas semanas / duas semanas), e, de um modo geral, sobre os novos clientes, uma repetição superior a 60%. Pode parecer pouco, mas para nós é a prova de que encontramos nossa proposta de valor e nosso "market fit", e que, agora, podemos acelerar o nosso marketing."

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